8 de junho de 2026

Conferência do Clima segue com críticas ao governo Bolsonaro e desmonte ambiental

Da grilagem de terra ao enfraquecimento de órgãos de fiscalização e as mortes no campo. Em debate, autoridades mostram preocupação com políticas federais
Foto: José Cruz/EBC

Da Rede Brasil Atual 

São Paulo – Termina nesta sexta-feira (8) a 1ª Conferência Brasileira de Mudança do Clima, que ocorre em Recife, desde quarta-feira (6). Representantes de governos municipais e estaduais, comunidade científica e porta-vozes dos setores privados e públicos debatem os desafios para o Brasil alcançar os compromissos firmados no Acordo de Paris, em 2015, que tem como pauta central a redução da emissão de gases.

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O evento é preparatório para a COP25, que será realizada em Madri, na Espanha, de 2 a 13 de dezembro. E reflete também as atuais políticas em curso do governo Bolsonaro, que foram alvo de críticas na Conferência nesta quinta (7), como conta a correspondente Nahama Nunes, repórter da Rádio Brasil Atual.

A defensora pública Andreia Barreto, do Núcleo de Defensoria Agrária do Pará, que participou da mesa de debate sobre grilagem de terras, afirmou que a tática de adulteração conta com apoio de uma rede corrupta ligada a práticas ilícitas, que se aproveitam ainda do enfraquecimento dos órgãos de proteção ambiental. “Nós temos hoje um sistema que tenta tratar o problema da morte dos trabalhadores rurais através da proteção, mas que na verdade o pano de fundo é o fundiário. Acho que o Estado tem toda responsabilidade nessas mortes e, portanto, tem que trabalhar em duas frentes, primeira para a proteção da vida, que é emergencial, é o fator prioritário, e o segundo a questão fundiária, que é resolver o problema na raiz”, alerta Andreia.

A deputada federal Joenia Wapichana (Rede-RR) criticou os crescentes casos conflitos no campo – quase 1 milhão de pessoas foram afetadas por 1.500 conflitos em 2018, de acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). “A impunidade é o que gera mais violência”, observa a parlamentar. “Autoridades do governo precisam identificar isso com uma realidade e prioridade, porque a partir do momento que ele não reconhece que existe uma vulnerabilidade, uma seriedade, ele está favorecendo mais conflitos, invasões e a pressão de desmatamento ilegal dentro de um meio ambiente que é protegido por lei.”

As consequências da crise climática na vida das mulheres e de suas famílias ao decreto que permite o cultivo da cana de açúcar também foram debatidas na Conferência. Entre outros temas, os participantes discutem hoje impactos do derramamento de óleo no litoral do Nordeste.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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