Conferência do Clima segue com críticas ao governo Bolsonaro e desmonte ambiental

Da grilagem de terra ao enfraquecimento de órgãos de fiscalização e as mortes no campo. Em debate, autoridades mostram preocupação com políticas federais

Bolsonaro e o ministro Salles: 1ª Conferência Brasileira de Mudança do Clima debate os desafios para o Brasil alcançar os compromissos firmados no Acordo de Paris | Foto: José Cruz/EBC

Da Rede Brasil Atual 

São Paulo – Termina nesta sexta-feira (8) a 1ª Conferência Brasileira de Mudança do Clima, que ocorre em Recife, desde quarta-feira (6). Representantes de governos municipais e estaduais, comunidade científica e porta-vozes dos setores privados e públicos debatem os desafios para o Brasil alcançar os compromissos firmados no Acordo de Paris, em 2015, que tem como pauta central a redução da emissão de gases.

O evento é preparatório para a COP25, que será realizada em Madri, na Espanha, de 2 a 13 de dezembro. E reflete também as atuais políticas em curso do governo Bolsonaro, que foram alvo de críticas na Conferência nesta quinta (7), como conta a correspondente Nahama Nunes, repórter da Rádio Brasil Atual.

A defensora pública Andreia Barreto, do Núcleo de Defensoria Agrária do Pará, que participou da mesa de debate sobre grilagem de terras, afirmou que a tática de adulteração conta com apoio de uma rede corrupta ligada a práticas ilícitas, que se aproveitam ainda do enfraquecimento dos órgãos de proteção ambiental. “Nós temos hoje um sistema que tenta tratar o problema da morte dos trabalhadores rurais através da proteção, mas que na verdade o pano de fundo é o fundiário. Acho que o Estado tem toda responsabilidade nessas mortes e, portanto, tem que trabalhar em duas frentes, primeira para a proteção da vida, que é emergencial, é o fator prioritário, e o segundo a questão fundiária, que é resolver o problema na raiz”, alerta Andreia.

A deputada federal Joenia Wapichana (Rede-RR) criticou os crescentes casos conflitos no campo – quase 1 milhão de pessoas foram afetadas por 1.500 conflitos em 2018, de acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). “A impunidade é o que gera mais violência”, observa a parlamentar. “Autoridades do governo precisam identificar isso com uma realidade e prioridade, porque a partir do momento que ele não reconhece que existe uma vulnerabilidade, uma seriedade, ele está favorecendo mais conflitos, invasões e a pressão de desmatamento ilegal dentro de um meio ambiente que é protegido por lei.”

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As consequências da crise climática na vida das mulheres e de suas famílias ao decreto que permite o cultivo da cana de açúcar também foram debatidas na Conferência. Entre outros temas, os participantes discutem hoje impactos do derramamento de óleo no litoral do Nordeste.

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