O Comitê de Política Monetária (Copom) decide nesta quarta-feira (4) se reduz ou mantém a taxa básica de juros da economia, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A decisão tem impacto direto sobre a inflação, o custo do crédito e os preços no país e é de responsabilidade autônoma do Banco Central, sem depender do governo federal. Ainda assim, o presidente Lula defende a redução da Selic, diante dos efeitos que as taxas elevadas provocam sobre a atividade econômica, o financiamento das empresas e o orçamento das famílias.
A reunião desta quarta-feira (4) ocorre em um momento de pressão sobre a política monetária. A expectativa predominante captada pelo boletim Focus é de um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa a 13,5% ao ano. Caso se confirme, será a sexta redução consecutiva desde março, quando os juros estavam em 15% ao ano. Apesar dessa projeção, a alta recente do dólar e as pressões inflacionárias alimentam dúvidas entre os analistas sobre a continuidade do ciclo de cortes. A decisão será anunciada no início da noite.
O cenário, entretanto, mudou nos últimos dias. A alta do dólar, as pressões sobre os preços do petróleo e dos alimentos e a piora das expectativas de inflação fizeram parte do mercado financeiro rever suas projeções. A prévia da inflação oficial (IPCA-15) ficou em 0,32% em outubro, mas acumulou 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5% estabelecido pelo sistema de metas. O Focus também elevou a projeção de inflação para 2026, de 5,19% para 5,22%.
Impactos da Selic
A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o crédito tende a ficar mais caro, o consumo e os investimentos perdem força e a demanda é contida, contribuindo para desacelerar a alta dos preços. O movimento, porém, também encarece financiamentos, dificulta a expansão das empresas e pode frear a atividade econômica.
No sentido contrário, a redução da taxa básica tende a baratear o crédito, estimular o consumo e os investimentos e favorecer a produção. Por isso, a manutenção de juros elevados por períodos prolongados tem impacto direto sobre o cotidiano da população e sobre o ritmo de crescimento do país.
Banco Central e o papel de Galípolo
Cabe ao Copom, formado pela diretoria colegiada do Banco Central, avaliar o cenário econômico e decidir o patamar dos juros. Portanto, Lula não pode determinar cortes ou aumentos da Selic, assim como não pode interferir diretamente na votação do comitê.
Mas o presidente reivindica publicamente juros menores, argumentando que o patamar elevado da Selic prejudica o desenvolvimento, limita os investimentos produtivos e dificulta a expansão da economia. A redução do custo do dinheiro é uma das pautas do governo, que busca conciliar o controle da inflação com o crescimento econômico.
Mesmo sem poder direto sobre a decisão, a condução da política monetária está sob o comando de Gabriel Galípolo, indicado por Lula para presidir o Banco Central. O economista assumiu o comando da instituição em janeiro de 2025, com mandato até o fim de 2028. Galípolo também está submetido às regras de autonomia da instituição e a decisão depende do conjunto de diretores que integram o Copom.
O colegiado, entretanto, estará desfalcado nesta reunião. Os mandatos dos ex-diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, expiraram no fim de 2025. Até esta quarta-feira, Lula ainda não havia encaminhado ao Congresso Nacional as indicações para preencher as duas vagas. Com isso, o comitê se reúne com sete integrantes, em vez de sua composição completa de nove membros.
A ausência dos dois diretores ocorre em um momento de decisões importantes sobre a trajetória dos juros. Na ata da reunião de setembro, o Copom reafirmou a cautela na condução da política monetária, diante da pressão exercida pela demanda sobre a inflação. O comitê avaliou que, embora a política monetária restritiva esteja contribuindo para a desaceleração da atividade econômica e para o processo de desinflação, os preços ainda sofrem pressões da demanda, exigindo a manutenção de uma postura monetária restritiva.
O documento também apontou riscos associados às expectativas de inflação acima da meta e aos possíveis efeitos de choques de oferta sobre os preços. O Copom defendeu que a condução dos juros continue condicionada à evolução do cenário econômico e à necessidade de assegurar a convergência da inflação para a meta, estabelecida atualmente de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
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