4 de novembro de 2026

Crise do Ueno Bank paralisa pagamentos no Paraguai

Fechamento de banco deixou clientes sem acesso às contas; suspeita de crime financeiro leva Ministério Público a investigar ex-executivos
Fachada do Banco Central do Paraguai, em Assunção. Foto: Wikipedia

Banco Central do Paraguai fechou Ueno Bank, afetando 2,9 milhões de clientes e paralisando pagamentos no país.
Ministério Público acusa 27 pessoas ligadas ao banco por crimes financeiros; pedido de prisão preventiva para vice-presidente.
Garantia cobre 97% dos correntistas; devolução em até 15 dias, mas comércio e aposentados enfrentam dificuldades imediatas.

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O fechamento do Ueno Bank pelo Banco Central do Paraguai provocou uma crise no sistema de pagamentos do país, deixando milhões de clientes sem acesso às próprias contas e comprometendo operações de empresas e estabelecimentos comerciais.

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Enquanto correntistas enfrentam dificuldades para pagar despesas cotidianas, o Ministério Público avançou nas investigações sobre a instituição e apresentou acusações contra 27 pessoas ligadas ao banco e a empresas do grupo controlador.

A intervenção foi anunciada na madrugada de terça-feira (3), depois que o Banco Central identificou uma deterioração do índice de solvência do Ueno, que caiu abaixo do mínimo exigido de 50% após ajustes nos balanços patrimoniais.

A autoridade monetária determinou o fechamento da instituição, que tinha mais de 2,9 milhões de clientes em um país com aproximadamente 6,1 milhões de habitantes – e a dimensão da crise ficou evidente nas primeiras horas após o anúncio, quando clientes encontraram dificuldades para consultar saldos, movimentar recursos e realizar pagamentos.

Em Assunção, correntistas procuraram agências fechadas em busca de informações, enquanto centenas de pessoas se concentraram em unidades do banco em Ciudad del Este. A Polícia Nacional reforçou a segurança nas agências em todo o território paraguaio.

O impacto ultrapassa as finanças pessoais. A associação de importadores e varejistas do Paraguai alertou para uma situação de semiparalisia no comércio, uma vez que dois terços das transações eletrônicas realizadas em grandes lojas varejistas passavam por contas do Ueno.

A instituição também desempenhava papel relevante no pagamento de benefícios previdenciários: mais de 32 mil aposentados utilizavam o banco para receber seus recursos do Instituto de Previdência Social (IPS). O próprio fundo previdenciário mantinha cerca de US$ 300 milhões depositados na instituição, o que ampliou as preocupações sobre os efeitos da crise no longo prazo.

Garantia de depósitos e investigação criminal

O Banco Central paraguaio afirmou que os problemas do Ueno são isolados e que o restante do sistema financeiro permanece saudável. Segundo as autoridades, aproximadamente 97% dos correntistas possuem saldos dentro do limite de garantia dos depósitos, estabelecido em 228 milhões de guaranis, equivalentes a pouco mais de R$ 200 mil.

A devolução dos valores cobertos pela garantia deverá ocorrer em até 15 dias, conforme o prazo informado pela autoridade monetária. A previsão, porém, não resolve as dificuldades imediatas de quem depende dos recursos para pagar aluguel, alimentação, transporte e outras despesas.

Paralelamente à intervenção, o Ministério Público iniciou uma investigação criminal sobre a gestão da instituição. Os promotores Francisco Cabrera, Jorge Arce, Yeimy Adle e Silvio Corbeta apresentaram imputações contra 27 pessoas, entre elas Federico Miguel Vázquez Villasanti, vice-presidente do Ueno Bank e ligado ao grupo controlador.

Para Vázquez, os investigadores solicitaram prisão preventiva. Para os outros 26 investigados, pediram prisão domiciliar e monitoramento por tornozeleiras eletrônicas.

As acusações incluem conduta indevida em situações de crise, lesão de confiança, tentativa de estelionato e violação das normas de escrituração dos livros comerciais. O Ministério Público também solicitou medidas para impedir a venda e a oneração de bens dos investigados e das empresas relacionadas ao caso, além do bloqueio preventivo de contas bancárias.

A crise também tem repercussões políticas. O presidente paraguaio, Santiago Peña, já foi investidor na holding controladora do Ueno, mas vendeu sua participação em março de 2025.

Com informações da ABC Color e Bloomberg

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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