Dallagnol agora diz que tentar criar a “fundação Lava Jato” não foi boa ideia

Dallagnol disse ainda que a "fundação Lava Jato", como ficou conhecida a investida fracassada, teria o papel de reduzir a "onipresença do Estado"

Foto: Lula Marques/PT

Jornal GGN – Instigado a fazer uma autocrítica durante entrevista ao site UOL nesta terça (7), o coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, afirmou que “não foi boa” a ideia de tentar criar uma fundação com parte da multa bilionária que a Petrobras foi obrigada a pagar nos Estados Unidos em 2018.

“Era uma fundação de interesse público, que seria gerida no interesse da sociedade. Esse acordo até hoje não foi bem compreendido e gerou muitas críticas”, disse Dallagnol.

“Olhando para trás também, o valor era muito grande para ser objeto de um acordo pela força-tarefa de Curitiba. Se fosse algo de 1 milhão, 5 milhões de reais, acredito que não teria gerado nenhuma polêmica”, acrescentou.

Quando a investida da Lava Jato veio à tona, o GGN destacou os interesses políticos por trás da operação. A fundação a ser criada sob a batuta dos procuradores de Curitiba teria um caixa de mais de R$ 2 bilhões, que poderiam ser gastos em “ações sociais” e “anticorrupção” subjetivamente avalizadas pela própria força-tarefa. Leia aqui.

À época, parte da imprensa, mais crítica à Lava Jato, chegou a questionar se não seria um projeto para fortalecer eventual candidatura de Sergio Moro. Depois, a Vaza Jato mostrou que os próprios procuradores poderiam ser beneficiados com contratos com a aludida fundação.

“Naquele momento, parecia uma boa solução. Olhando para trás, não foi boa. (…) Aquela decisão pode ter sido a que não foi a melhor sob o ponto de vista dos resultados”, acrescentou, denotando que sua preocupação é com as críticas da imprensa e a consequente derrota no Supremo Tribunal Federal, que anulou o acordo e deu outra destinação aos recursos.

Dallagnol ainda tentou justificar que a “fundação Lava Jato”, como ficou conhecida a iniciativa, teria o papel de reduzir a “onipresença do Estado. Segundo ele, temos um “Estado muito forte e uma sociedade muito fraca. A criação dessa fundação seria um modo de você estimular o crescimento de diferentes causas na sociedade civil.”

Ele também disse que, a força-tarefa poderia ter obtido resultados diferentes se tivesse chamado a CGU ou AGU para participar da criação da fundação, acordada com a Petrobras.

Confira o que o GGN publicou sobre o fundo bilionário da Lava Jato na última semana

 

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