5 de junho de 2026

Dicas para protestar nas ruas contra Bolsonaro com o mínimo de segurança na pandemia

"Quando um governo é mais letal do que o vírus, as pessoas tomam consciência da necessidade de saírem para o enfrentamento"

Jornal GGN – Enquanto o Brasil ultrapassa a trágica marca de 450 mil mortes por Covid-19, movimentos sociais, centrais sindicais e lideranças políticas e partidárias começam a organizar protestos presenciais contra o governo de Jair Bolsonaro. Inseguro e receoso pelo impacto que as manifestações podem causar sobre as estatísticas, ainda mais na iminência de uma terceira onda, o campo progressista se vê diante de um dilema: é hora de marchar pelo fim da necropolítica? É possível que os atos anti-Bolsonaro sejam feitos com alguma segurança sanitária e sem equivaler às aglomerações sem máscara promovidas pelo atual presidente da República?

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No próximo dia 26, em Brasília, centrais sindicais farão um ato em frente ao Congresso em favor das vacinas e pela volta do auxílio emergencial no valor de R$ 600. Os organizadores afirmam que será “sem aglomeração e sob todos os protocolos sanitários para evitar contágio e propagação do coronavírus, em respeito à vida, à ciência e às famílias de quase meio milhão de pessoas que morreram nem de Covid-19 e em consequência do negacionismo e incompetência do governo federal.” No dia 29, um “Ato Nacional pelo Fora Bolsonaro” promete se fazer presente em todas as regiões do país, com apoio das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Nas redes sociais, nem sempre a oposição a Bolsonaro converge com a ideia dos protestos no atual estágio da pandemia, com mais de mil mortes acontecendo dentro de 24 horas e um plano nacional de vacinação andando lentamente. “Ou você aplaude Flávio Dino porque multou Bolsonaro por promover aglomerações [no Maranhão] ou você apoia a convocatória de setores de esquerda para aglomerar no dia 29. As duas coisas não dá”, postou um internauta que se identifica no Facebook como “petista”, “ativista” de direitos humanos e LGBT e professor universitário.

“Não houve mobilizações da esquerda nos últimos meses pela gravidade da situação sanitária. Mas agora está se construindo um clima para o retorno às ruas. Quando um governo é mais letal do que o vírus, as pessoas tomam consciência da necessidade de saírem para o enfrentamento. É o que está acontecendo na Colômbia, mesmo com a pandemia em alta. Vamos às ruas com máscaras, orientações de distanciamento, todas as precauções sanitárias. Queremos um calendário unificado com a Frente Povo sem Medo, com a Frente Brasil Popular e com os movimentos sociais e de juventude”, afirmou o ex-presidenciável do PSOL, Guilherme Boulos, liderança da frente Povo Sem Medo, nas páginas amarelas da última edição da revista Veja.

A Colômbia não é o primeiro nem único país a convulsionar em plena pandemia. No ano passado, milhares deisraelenses protestaram com distanciamento na Praça Rabin, em Tel Aviv, contra o que chamaram de “erosão da democracia sob o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu”.

Os Estados Unidos também assistiram a um levante da população indignada com o racismo e a violência policial que marcaram o assassinato por asfixia de George Floyd. As ruas não se calaram. E a tensão aumentou ainda mais quando mais de 1 mil profissionais da área da saúde assinaram uma carta em defesa dos protestos, muitos deles membros da Divisão de Alergia e Doenças Infecciosas da Universidade de Washington. Chamados de “hipócritas” por concordarem com os atos do Black Lives Matter na pandemia, eles argumentaram que os problemas políticos e sociais do país não poderiam ser escanteados nem desconectados da crise sanitária e do fato de que a população negra e pobre é a que mais morre por Covid-19.

O Chile também foi palco de protestos presenciais pela nova Constituinte no ano passado. As aglomerações logo foram seguidas por um aumento no número de novos casos e mortes. O governo precisou retomar medidas de mitigação contra o vírus.

SIM, É POSSÍVEL PROTESTAR COM RELATIVA SEGURANÇA

No Twitter, a epidemiologista e vice-presidente do instituto Sabin, nos EUA, Denise Garrett, publicou uma mensagem compartilhada mais de 800 vezes indicando que, sim, “manifestações ao ar livre durante a pandemia podem ser feitas de maneira segura, com risco mínimo de transmissão e sem resultar em aumento do número de casos.”

Ela compartilhou 12 dicas para os manifestantes, que passam pelo uso de máscara PFF2, evitar horários de caos no transporte público, manter-se constantemente em movimento nas vias públicas, não interagir com pessoas fora do seu grupo, priorizar cartazes e megafones em vez de gritar espalhando gotículas de saliva.

Quando os protestos contra Floyd eclodiram nos EUA, a BBC fez uma reportagem sobre “como protestar em uma pandemia global”, com sugestão de medidas adicionais, como não ter contato com idosos após participar das manifestações. A matéria apontava também para inovações na modalidade virtual dos protestos.

À reportagem do GGN, o médico sanitarista Daniel Dourado disse ver duas dificuldades para or organizadores dos protestos anti-Bolsonaro. A primeira é observar os cuidados exigidos pela pandemia. Mas “é possível, é questão de distribuir máscaras de boa qualidade e tentar preservar distanciamento mínimo.” Para ele, “se tiver todo mundo de máscara (de preferência PFF2 e N95) e com distanciamento físico de 2 metros, é relativamente seguro considerando que as manifestações serão em ambiente aberto”. “Não é simples, mas seria um recado importante fazer assim. É a única maneira de ser responsável.” E “definitivamente não é igual aos bolsonaristas que não estão nem aí, monte de gente se máscara e etc”.

A segunda dificuldade é de ordem política. “Como a esquerda é majoritariamente mais preocupada com as questões de saúde pública, há real possibilidade de que as manifestações sejam esvaziadas. E isso seria bem ruim por passar a impressão de pouca mobilização.”

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Theo

    25 de maio de 2021 7:32 am

    Olha o exemplo de falta de planejamento estratégico do desgoverno Bolsonaro:

    Em fevereiro o Brasil resolveu liquidar sua estatal fabricante de chips, a CEITEC:

    https://www.telesintese.com.br/governo-inicia-processo-de-liquidacao-do-ceitec/

    Agora veja o tamanho da burrice:

    https://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2021/05/escassez-global-de-chips-comeca-afetar-outras-industrias-alem-da-automobilistica-e-de-tecnologia.html

    Muitas indústrias começam a embutir chips em seus produtos. A demanda explodiu e vai faltar chip para montar carros, por exemplo.

    O timing do fechamento da CEITEC foi perfeito para demonstrar o tamanho da miopia do desgoverno Bozo

  2. Maria Brezensky

    25 de maio de 2021 5:10 pm

    Política não é espaço catártico e não deve ser. Para se avançar no jogo do poder é necessário a frieza e a agudez de um enxadrista. Cada movimentação precisa ser pensada com o objetivo de aniquilar o inimigo, de evitar suas movimentações, acuá-lo em seu próprio campo, forçá-lo a jogadas que o levem a derrota. Para isso temos que antever TODAS as jogadas; as do oponente e as nossas. Não existe espaço para erros tolos, não se entrega vantagem para o inimigo. Quando questiono a escolha do dia 29/05 levo todos esses elementos em conta. Quais serão as próximas jogadas?? Quais serão os desdobramentos?? Quais as vantagens, que essa jogada pode trazer para a vitória contra os GENOCIDAS?? E não vejo NADA! Só o desejo catártico de obter um dia de êxtase. Já disse que discordo e continuo discordando dessa manifestação. Quero saber oq está promovendo essa mudança tática/estratégica. E com isso não estou dizendo que não devemos tomar as ruas e usar essa forma de luta, defendo que façamos sim, em outro momento, quando tivermos um maior número de vacinados. Mas a questão que levanto é pq agora, em pleno avanço da pandemia e com a entrada no Brasil da cepa indiana?? Cepa essa que se sabe pouco, ou quase nada. Pq entregaremos para os fascista uma arma contra nós?? Já que o isolamento e a não aglomeração está sendo usada contra eles e corretamente. Pq daremos para os defensores da terceira via munição para nos acusar de iguais?? Hoje a esquerda avança com a presença do Lula, e, já adianto que isso não é pouco, principalmente, para quem está lutando pela verdade e contra o golpismo e seus tentáculos. Também adianto que não defendo a espera das eleições pura e simplesmente. Contudo, entendo que uma manifestação sem um cronograma permanente é infrutífera e não acumula contra o inimigo. Portanto, volto a questionar que jogada é essa?? Vamos entregar peças para o adversário e nos colocar em Xeque?? E como será o dia seguinte? Quais são as nossas forças para a continuidade dessa nova estratégia?? OU só acordaremos com a ressaca da catarse do dia anterior tendo que refazer o caminha já percorrido, além de contarmos os mortos?? Boa tarde.

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