Pois certa vez, andando pela rua com Carolina, sobrinha de Tânia, mostrei a ela uma nota de cinqüenta cruzados novos que tinha um poema de Carlos Drummond de Andrade. Carol se mostrou surpreendida, talvez por nunca ter sabido que no Brasil se colocavam poemas em notas, e daí gostou da ideia de decorar aquela poesia. Ao chegarmos ao fim da caminhada ela já recitava, e recitava de novo. Sem ler na nota:
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
http://manifestotavernista.blogspot.com.br/2010/09/uma-noite-na-taverna-com-poesia-de.html

Será uma pena se Carol nalgum dia não tiver visto esta foto fofinha de Drummond menino:

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