28 de junho de 2026

É necessário ousar sonhar e lutar por um novo mundo, por Luís Felipe Miguel

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É necessário ousar sonhar e lutar por um novo mundo

por Luís Felipe Miguel

Pelo menos desde o famoso texto de Plekhanov, no finalzinho do século XIX, o marxismo discute “o papel do indivíduo na história”. Afinal, se o motor das transformações reside mesmo nas contradições estruturais, a ação de tal ou qual pessoa é sempre irrelevante.

A revolução que hoje completa cem anos é a prova de que a realidade é mais complexa. É difícil imaginar Outubro sem a genialidade política de Vladimir Ilich Lênin, que naquele momento foi capaz de decifrar com perfeição a fortuna e encarnou de maneira cabal a virtù.

No Ocidente, o discurso hegemônico tenta vesti-lo com a fantasia do “ditador sanguinário”. O desconhecimento em relação a seu pensamento é gritante. Nem estou me referindo às ridículas matérias que a Folha de S. Paulo andou publicando. Até um intelectual liberal esclarecido, como Robert Dahl, quanto dedica algumas páginas a ele (em seu Democracy and its critics), não passa de generalizações primárias e comete erros tão pueris quanto chamá-lo de “Nikolai”.

Na esquerda ortodoxa, foi transformado numa espécie de Messias. Sua obra foi tão embalsamada quanto seu corpo, passando a integrar o corpo de escritos sagrados – o “marxismo-leninismo” – que não se podia interpelar, nem aproveitar criticamente, apenas reverenciar.

Mas Lênin foi um teórico sutil e complexo, cujas contribuições para a estratégia da transformação social, para a compreensão do Estado capitalista e para o estudo do imperialismo continuam merecendo atenção. Foi também um exemplo de militante revolucionário, com dedicação a toda prova e uma incrível capacidade de sacrifício pessoal.

Não foi um santo – ninguém que se dedica à ação política pode se dar ao luxo de sê-lo. Acertou e errou, como todos nós. A revolução que comandou se perdeu no caminho e pereceu de forma melancólica. Mas sua principal lição nós não podemos apagar: a de que é possível, de que é necessário, ousar sonhar com um novo mundo e lutar para construí-lo. Assim, tenho certeza, outros Outubros virão, outras manhãs, plenas de sol e de luz.

 

Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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5 Comentários
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  1. ze sergio

    7 de novembro de 2017 11:30 am

    é….

    Mundo Novo? Com a figura de Lenin?! Explica muito a Esquerdopatia Tupiniquim. Lenin não implantou nada. Lenin foi traído. Trotsky foi traído. Nunca houve Russia destas figuras. A Russia que virou União Soviética foi implantada por um ditador. E fanáticos querem começar suas argumentações com uma desonestidade intelectual e histórica? O Socialismo revolucionou o Mundo nestes 170 anos. Esquerdopatas não conseguem enxergar, onde. Explica muito deste Brasil.

  2. Jus Ad Rem

    7 de novembro de 2017 12:12 pm

    O poder emana do povo, portanto, há que se apontar caminhos.
     Considero o Comunismo um erro bem ntencionado e o Capitalismo um erro com requintes de perversidade.                                                                                                                                          (Jus Ad Rem)”Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.”

                                                                                                            (Jiddu Krishnamurti)

    [video:[video:https://www.youtube.com/watch?v=xEdO8f2XEjA%5D%5D

    O que é o Movimento Zeitgeist?

    O Movimento Zeitgeist é um grupo explicitamente não-violento em defesa da sustentabilidade global, atualmente presente em mais de 1000 regionais – espalhadas por cerca de 70 países, ao redor do mundo.

    Cada uma destas regionais atua não apenas para difundir informações sobre as raízes de nossos problemas sociais atuais, como, também, para expressar soluções lógicas – baseadas nos métodos científicos que temos à nossa disposição para atualizar e corrigir o atual sistema social. O objetivo é a criação de uma sociedade global verdadeiramente pacífica, responsável e sustentável.

    Trabalhando através de projetos globais e regionais de educação e programas comunitários, temos como objetivo intermediário a obtenção de um movimento mundial, baseado em um valor de identificação comum que todos nós invariavelmente partilhamos, que diz respeito à nossa sobrevivência e à sustentabilidade.

    O Movimento Zeitgeist pressupõe que a pressão da educação e do ativismo que vêm sendo realizados mundo afora, em razão do atual sistema social fracassado, irá inibir e substituir as instituições estabelecidas – políticas, comerciais e nacionalistas – expondo e resolvendo os problemas inerentes às falhas do atual sistema. Entende-se que os meios tradicionais da política e do comércio, como forças para a mudança, não irão obter as metas necessárias para tornar o nosso sistema social sustentável e humano, já que nascem da mesma lógica falha que criou os problemas que se apresentam no mundo atual.

    A meta de transição, uma vez que tal presença e pressão globais forem obtidas, é a implementação de um modelo econômico que siga uma linha de pensamento verdadeiramente científica com relação aos fatores técnicos, que permita a predisposição humana, a saúde pública e a responsabilidade ambiental ao longo de gerações. Este modelo, conhecido como “Modelo de Economia Baseado em Recursos”, fundamentado nos conhecimentos e avanços da Ciência, baseia-se na Gestão de Recursos e nas Leis Naturais como o ponto de partida lógico para todas as decisões e processos. No entanto, a realização desta direção não é a de uma instituição, mas de uma linha de pensamento – a linha de pensamento de, objetivamente, aplicar o método científico em benefício social.

    http://movimentozeitgeist.com.br/

    http://thezeitgeistmovement.com/

     

     

  3. Joao Carlos Campos

    7 de novembro de 2017 12:26 pm

    Reza Simples

    Deus nos mantenha longe destes pensadores retrogrados.

     

  4. Wilton Cardoso Moreira

    7 de novembro de 2017 12:38 pm

    Sugestão de texto: crítica marxista

    Caro Luis Felipe

    Me ajude a divulgar aqui no blog o texto do Prabhat Patnaik “O capitalismo neoliberal e sua crise”, que se trata de uma das análises mais lúcidas que já li sobre a crise do atual capitalismo financeiro. Acho importante as pessoas terem essa perspectiva, que considero mais ampla e acurada do que as (neo)keynesianas e (neo)liberais. O link do texto é este:

    http://resistir.info/patnaik/patnaik_24out17.html

    Aliás, porque não fazemos uma campanha, aqui no blog, para uma maior divulgação de textos e teóricos marxistas? As pessoas precisam saber o que realmente acontece com o capitalismo atual. E a chave para um entendimento mais completo está no marxismo.

    Abraço

    Wilton

     

  5. Júlio Dalcin

    7 de novembro de 2017 2:20 pm

    Falhas e erros houveram.

    Falhas e erros houveram. Faltou democracia após a segunda guerra, o que gerou falta de competitividade, tanto politica como economica. Na verdade, o que sobrou de tudo foi o seguinte: os eua e europa modernizaram o capitalismo de medo do socialismo, ou seja, não foi por bondade, melhor entregar os dedos do que a mão.

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