Calvário é o nome dado ao monte onde Jesus Cristo foi martirizado e morto numa cruz, fora dos muros de Jerusalém. O mesmo nome também batizou a operação de viés lavajatista deflagrada há mais de 6 anos contra o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PT). Somente agora, em janeiro de 2026, por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, Coutinho vê a ação penal contra si – forjada completamente em delações sem provas – ser trancada. É o fim do calvário judicial, embora as chagas permaneçam. Em entrevista exclusiva ao jornalista Luís Nassif, Coutinho relembrou os anos de perseguição e narrou os danos irreparáveis que sofre e ainda sofre em sua vida pessoal e política.
Há três anos, Coutinho é proibido de ver o filho de 12 anos por conta de alienação parental. Para determinar o afastamento, um juiz usou as mesmas denúncias da Operação Calvário, que agora são derrubadas pelo Supremo. Em paralelo, a atual esposa de Coutinho, Amanda, sofreu um aborto involuntário durante os anos de lawfare. O irmão do ex-governador ficou mais de um ano preso, assim como outros ex-membros do governo também passaram pelo cárcere, um dano sem reparação.
“Foram seis anos de uma perseguição familiar. Muitas perdas pessoais, eu e outros companheiros tivemos. A Amanda perdeu um bebê com cinco meses na barriga. Clinicamente não havia motivo para isso, a não ser a pressão da qual todos nós éramos vítimas”, lembrou.
“A narrativa era de que havia um rombo [nas obras de um hospital] que, inicialmente, era 1 bilhão de reais. Depois, baixou para 134 milhões, e até hoje não encontraram 1 real desviado. O chefe do Gaeco (que a imprensa aqui chamava de Dallagnol da Paraíba), ele disse publicamente, numa rádio, que o dinheiro estava enterrado. Ele colocou em risco a minha vida, a vida dos meus familiares, porque se o dinheiro está enterrado, você imagina, um PCC, um comando vermelho desses, poderia querer sequestrar alguém. Ou seja, de uma irresponsabilidade que eu nunca vi na minha vida”, disparou Coutinho.
Durante seus oito anos de governo, com um orçamento de apenas 10 bilhões de reais, Coutinho realizou feitos notáveis: construiu 2.680 km de estradas, asfaltou todas as 54 cidades que não possuíam acesso pavimentado, ergueu seis novos hospitais (incluindo um Hospital do Câncer no Sertão e um de Neurologia e Cardiologia na Grande João Pessoa), adicionou 1.400 leitos hospitalares e construiu 220 escolas. Ele enfatizou que o problema da Paraíba não era a falta de dinheiro, mas sim a sabotagem política às prioridades do povo.
Coutinho governou em meio à crise da Lava Jato, defendendo a democracia e o mandato da presidenta Dilma Rousseff, que sofreu um impeachment. Mesmo sem acesso a recursos durante o governo Michel Temer, ele manteve o foco no seu plano de governo. Ao deixar o mandato em 2019, com 550 milhões de reais em caixa e todas as contas pagas, Coutinho assistiu ao início da campanha de notícias falsas e da narrativa fantasiosa de uma “Orcrim” (organização criminosa) no Estado sob seu comando.
Essa narrativa levou à prisão de 35 pessoas, sendo que 18 delas nunca haviam se visto. Um dos pontos mais graves revelados por Coutinho foi a ausência de pedido de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. Ele foi informado de que já possuíam o sigilo do então governador em exercício, o que ele classificou como “extremamente grave”, indicando uma ação paralela e ilegal para obter os dados, que não foram levados aos autos pois não detectavam crime algum.
No último dia 9 de janeiro, o ministro Gilmar Mendes julgou procedente o argumento de que acusações baseadas apenas em delações e delações cruzadas, sem provas, não são válidas. “O acervo probatório não sobrevive fora do eixo narrativo estabelecido pelos colaboradores”, afirmou o decano do STF na decisão (leia aqui). Na entrevista a Nassif, na noite de terça-feira (20), Coutinho descreveu um cenário onde delatores eram coagidos a repetir informações nos porões das prisões.
Para o ex-governador, toda a perseguição visava mudar a conjuntura política da Paraíba, ressuscitando a direita e as oligarquias que haviam sido derrotadas, e enfraquecendo seu projeto político. Ele lamentou que o estado tenha voltado às mãos das oligarquias.
“Essa coisa toda foi para mudar a conjuntura política da Paraíba. E mudaram. A direita ressuscitou. Hoje, o estado novamente está nas mãos de duas oligarquias: a oligarquia dos Motta, do Hugo Motta, e a oligarquia dos Ribeiro, do Agnaldo e da Daniela Ribeiro. O estado voltou a um status quo anterior à nossa posse e, ao mesmo tempo, a extrema-direita apareceu com força, porque o contraponto à extrema-direita era exatamente a a presença do nosso projeto político”, frisou.
Assista a entrevista completa abaixo:
CARLOS VIEIRA
22 de janeiro de 2026 6:35 pm6 ANOS DE PRESSÃO SÃO EQUIVALENTES A 30 ANOS DE PRISÃO. O PROJETO POLÍTICO DO PARAIBANO FOI ENTERRADO, PORÉM NÃO FOI ENCERRADO. ESPERO QUE A POPULAÇÃO ACORDE E NÃO SE DEIXE ENGANAR COM ESPELHINHOS ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÕES. COMO ESTE POLITICO ADMINISTRADOR, EXISTEM TALVEZ CENTENAS QUE ENFRAQUECEM A POLITICA DO POVO.
Ak47
22 de janeiro de 2026 6:40 pmESQUERDA BRASILEIRA onde está tu que não vai pra cima dos LAVAJATISTAS de todos os matizes pra fazer o acerto de contas?
Com as lideranças de esquerda que temos no Brasil, a direita pode ficar à vontade pra cometer todos os tipos de crimes que vai ficar por isso mesmo. NOJO DESSA COVARDIA.