Se, em vida, a trajetória de Eduardo Campos, nestas eleições, não demonstrava poder de alterar o quadro eleitoral, sua morte pode produzir uma reviravolta considerável.
Não é a primeira vez em nossa história recente que a tragédia pessoal acaba sendo fator de mudança radical na estratégia político eleitoral. Getúlio e Tancredo mudaram a história brasileira com suas mortes.
Quais os desdobramentos da tragédia com Eduardo Campos para as próximas eleições?
Com certeza esse não é o momento mais apropriado para uma discussão desta. Mas ela é inevitável.
Existem, pelo menos, três pontos a se analisar.
Marina Silva e o PSB – uma encruzilhada.
Não é tão simples a substituição de Eduardo Campos por Marina Silva. Por vários motivos, o principal deles – Marina Silva é Rede, não é PSB. Marina Silva não quer ser PSB.
Eduardo Campos era o avalista da presença de Marina no PSB e algodão para os vários atritos provocados pelo jeito marineiro de ser de Marina Silva.
O PSB não tem substituto natural para Eduardo Campos. Adotar Marina Silva como candidata resultará em um maior protagonismo eleitoral. Mais intenso, sem dúvida, até do que era com Eduardo Campos.
Mas seria o Rede que estaria no comando, não o PSB. E ser comandado por Marina Silva é dizer sim o tempo todo. Com políticos veteranos com os do PSB, isso seria possível?
Com Marina Silva, creio ser improvável uma aliança com PT ou com PSDB. Sem Marina, o quadro muda de figura.
Antes desta definição, poderá ocorrer uma guerra surda entre PSB e Rede – o que resultar ou sobrar dessa guerra, prosseguirá a campanha.
Dilma perde muito.
Supondo Marina Silva com o apoio do PSB, o segundo turno passa a ser quase uma realidade. Marina cai como uma luva para os eleitores indecisos. Hoje, formam uma parcela considerável do eleitorado. Já, o eleitorado nordestino de Eduardo Campos pode, pelo menos em parte, migrar para Dilma.
Para Dilma, um segundo turno não é derrota, longe disso, mas é a perda da oportunidade de levar já no primeiro. E isso é perder muito.
Aécio pode perder tudo.
Aécio não deslanchou. Patina há meses na casa dos 20%. No entanto, nas pesquisas, cresce muito no segundo turno, como crescia Eduardo Campos. Isso porque agregariam o voto anti-PT.
Com Marina, esse voto pode ter destino já no primeiro turno. O que significaria Marina deslocando Aécio para o terceiro posto.
E terceiro, para Aécio, é menos do que nada, significa estar fora das eleições menor do que entrou.
O poderoso dispositivo midiático de oposição teria de decidir se parte para o ataque contra Marina ou se cristianiza Aécio Neves.
Com certeza esse não é o momento mais apropriado para uma discussão desta. Mas ela é inevitável.
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