4 de junho de 2026

Educação: A Privatização da Universidade Pelo Estadão

Uma campanha pela privatização das universidades públicas 
O Estado de São Paulo propõe a cobrança de mensalidade dos estudantes

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Artigo de Simon Schwartzman em O Estado de São Paulo afirma que uma das medidas para melhorar as universidades públicas é a cobrança de mensalidades dos estudantes. A campanha permanente da imprensa capitalista pela privatização das universidades é uma demonstração de que o ensino superior público corre sérios riscos 

13 de junho de 2012

 

No último período, o jornal O Estado de São Paulo lançou uma campanha velada pela privatização das universidades públicas. 

O caso mais evidente de privatização é o da Universidade de São Paulo. O governo do estado impôs um reitor que está vendendo a universidade.

João Grandino Rodas já entregou a concessão do ônibus circular a uma empresa de economia mista, já garantiu catracas em algumas faculdades e alterou o regimento da pós-graduação retirando a cláusula que determinava a sua gratuidade.

Rodas também declarou que a universidade pública não era sinônimo de gratuita e que era favorável à cobrança de mensalidade dos estudantes. 

Apesar de evidente que a USP caminha a passos largos para a privatização, há uma operação do governo do estado para omitir esse fato. A campanha velada dos jornais da imprensa burguesa, no entanto, é mais um fato dentre dezenas de outros que comprovam isso. 

Em uma série de artigos, o Estado de São Paulo defende que a melhor iniciativa para melhorar as universidades públicas é a sua privatização.

Simon Schwartzman em artigo na edição de segunda-feira, dia 11, deste jornal aproveita a greve das universidades federais para defender sua proposta de que é preciso privatizar as universidades públicas, ainda que seja para preservá-las.

“É necessário, também, criar condições e estimular as instituições federais a buscar recursos próprios, inclusive cobrando anuidades dos alunos que podem pagar”, propõe Schwartzman. Isso evitaria que “as universidades federais continuassem a se esgarçar, com greves sucessivas e piora nas condições de trabalho dos professores e de estudo para os alunos, abrindo espaço para que o setor privado ocupe cada vez mais o segmento de educação superior de qualidade, como ocorreu no passado com o ensino médio”, declarou.

A tese do pesquisador é a de que é preciso privatizar as universidades para evitar que elas sejam substituídas pelas universidades privadas, um contrassenso.

Além de cobrar mensalidades, Schwartzman defende que sejam criadas universidades para pobres, “de massas” e, portanto, privadas; e para ricos, de alta tecnologia e também privadas, mas com investimento público.

 “A principal questão de fundo é a impossibilidade de o setor público continuar se expandindo e aumentando seus custos sem modificar profundamente seus objetivos e formas de atuação, diferenciando as instituições dedicadas à pesquisa, à pós-graduação e ao ensino superior de alta qualidade, que são necessariamente mais caras e centradas em sistema de mérito, das instituições dedicadas ao ensino de massas em carreiras menos exigentes, que é onde o setor privado atua com custos muito menores e qualidade pelo menos equivalente”, afirmou.

O fato de que apenas 25% do ensino superior é público no Brasil, como afirma o artigo, demonstra a necessidade de abolir o vestibular e permitir o livre ingresso nas universidades.

Sobre o papel de destaque das universidades brasileiras na América Latina, como também afirma o pesquisador, isso já foi revelado há muitos anos pelo Banco Mundial que insiste que a privatização das universidades no Brasil serviria de exemplo para o resto do continente.

Outro descendente de alemão, Hélio Schwartsman, jornalista da Folha de São Paulo defendeu uma tese semelhante a de Simon.

“Do jeito que está ocorrendo, a chamada ´privatização da USP´ vem de forma atabalhoada e provavelmente ilegal”, afirmou Hélio Schwartsman na Folha de São Paulo, no dia 14 de fevereiro do ano passado.

“São erros de procedimento que não desmerecem a discussão de fundo: a universidade pública deve ou não ser gratuita?”, questionou o colunista da Folha, para então responder que “Universidade gratuita é algo que contraria as leis da física e da economia”.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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