4 de junho de 2026

Eleições 2014: O Deus de Marina Silva

O Deus de Marina Silva – a conjuntura eleitoral brasileira

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

 

ESCRITO POR ROBERTO MALVEZZI (GOGÓ)   
TERÇA, 19 DE AGOSTO DE 2014

 

Em razão da fé que move Marina Silva, ela deve estar se perguntando, de forma absolutamente perplexa, o que afinal Deus quer com ela. Para muitos esse já é um problema de Marina na política.

 

Outros dirão que é apenas fruto do acaso e outros, ainda, que ela não passa de uma oportunista.

 

O fato é que Marina, talvez num dos maiores tapetaços da história política brasileira, foi impedida de criar seu partido – a REDE – e assim poder concorrer às eleições presidenciais de 2014.

 

Então, num gesto surpreendente, ofereceu-se a Campos para uma coligação em cima de um programa ainda a ser totalmente revelado, mas que contém propostas interessantes, como a questão da saída para uma nova matriz energética, baseada em fontes mais limpas e perenes.

 

Para alguns foi um golpe de mestre, para outros um suicídio político. Essa foi a fala de um de seus assessores diretos, Pedro Ivo, no Fórum Mundial de Energia, acontecido em Brasília recentemente. Eduardo Campo ainda estava vivo.

 

O que ninguém poderia prever é que ela, em razão de um acidente trágico, fosse elevada novamente à candidata presidencial, seja pela mão do Deus que ela crê, seja pela mão da fatalidade.

 

Claro que o cenário político muda totalmente. Marina tem inúmeras contradições como política. Ao mesmo tempo em que favoreceu a Transposição do São Francisco como ministra, opôs-se ferrenhamente às mudanças no Código Florestal. A crise da água que atinge todo o território nacional já deu razão àqueles que se opunham a tamanha aberração ambiental.

 

O povo brasileiro não quer mais o PSDB. Pode ser qual for o candidato. O partido está ligado às privatizações vis, à entrega do patrimônio público ao setor privado, ao arrocho salarial, ao estrangulamento das aposentadorias, assim por diante. O PSDB representa, por excelência, o interesse do grande capital, apoiado pela grande mídia. O povo sabe, quer mudanças, mas não voltar atrás.

 

Quanto ao PT, não há como negar as conquistas dos últimos anos em favor da população mais empobrecida. Nosso povo não pode abrir mão da melhoria do salário mínimo, da expansão da educação, do programa Mais Médicos, da expansão do acesso à água para populações pobres do Nordeste, da expansão do emprego, enfim, da elevação do IDH que aconteceu nos últimos anos. Mesmo o Bolsa Família ainda continua necessário para milhões de pessoas.

 

As ruas já disseram que o país quer mudar, porém, para frente. Entretanto, nenhum candidato da oposição poderá dizer-se contra essas conquistas, até porque, se o disser, perde.

 

Mas o PT estacionou na história e permanece com a mesma concepção crescimentista dos séculos 19 e 20. Os sucessivos governos petistas fazem vistas grossas à degradação ambiental que compromete nossas riquezas naturais básicas como água, solos e biodiversidade.

 

Além do mais, não consegue impor limites ao agronegócio que invade territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais. Favorece grandes empreendimentos extremamente duvidosos para o bem do país para agradar, neste caso sem dúvidas, as empreiteiras e financiadores de campanha.

 

Além de tudo, uma parte de seus dirigentes desprezou a dimensão ética da política, que, se é uma hipocrisia por parte da elite, para grande parte do povo ainda é importante.

 

Os pequenos partidos políticos, principalmente os de esquerda, têm nobreza em seus ideais, disposição de luta e defesa de uma justiça mais estrutural no país. Entretanto, quando pesa o fator eleitoral, eles não decidem.

 

Nesse cenário, com todas as contradições – próximos dela dizem que a aliança com Campos foi praticamente uma decisão unilateral –, Marina ainda aparece como diferente. Pode ser que a intuição popular esteja enganada, mas é o que sugere a atual conjuntura política. Para muitos, Marina é frágil e inconsistente. O debate eleitoral talvez possa dirimir a dúvida de muita gente.

 

A história surpreende novamente. A tendência é que haja segundo turno, provavelmente entre Marina e Dilma. Nesse caso, a fatalidade da história será também o funeral político do PSDB.

 

 

 

Roberto Malvezzi (Gogó) possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9948%3Asubmanchete190814&catid=72%3Aimagens-rolantes&

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados