Em meio ao enfraquecimento do dólar e à valorização do real, o atual Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, voltou a ganhar atenção nesta semana após ressurgir nas redes uma entrevista concedida à Fox News há cerca de um ano, na qual expressava uma preocupação que antes habitava apenas os círculos da análise geopolítica crítica: a decadência institucional e econômica dos Estados Unidos. Em uma rara demonstração de pragmatismo, ou talvez de puro pânico estratégico, Rubio afirmou à época que o reinado absoluto do dólar poderia sucumbir em apenas cinco anos.
O secretário citou nominalmente o papel do Brasil, a maior economia do Hemisfério Sul, que vem estreitando laços com a China e deixando Washington para trás.
O que ajuda a entender a preocupação do Departamento de Estado é o acordo de swap cambial firmado entre o Banco Central do Brasil e o Banco Popular da China, em maio do ano passado. A medida permite o comércio direto entre real e yuan, dispensando a intermediação do dólar e, com isso, reduzindo a dependência do sistema financeiro norte-americano nessas transações. Na prática, isso limita a capacidade dos Estados Unidos de monitorar e influenciar esses fluxos por meio de sua moeda. A parceria tem validade de cinco anos e estabelece um teto de R$ 157 bilhões para as operações.
Para Rubio, o risco é existencial para a política externa dos Eua. “Em cinco anos, não precisaremos mais falar sobre sanções. Haverá tantas nações operando fora da órbita do dólar que perderemos a capacidade técnica de impor bloqueios econômicos”.
Desdolarização em pauta na TV GGN
O processo de erosão da hegemonia do dólar foi um dos temas do programa “Projeto Brasil”, na TV GGN, sob o comando do jornalista Luis Nassif. O debate contou com as análises detalhadas da economista Carla Beni (FGV/Corecon-SP) – que hoje compõe a bancada do programa – e do jornalista Sérgio Léo, que destrincharam como o Brasil está redesenhando sua segurança financeira.
Beni apresentou números do Banco Central que mostram que o movimento não é apenas retórico, mas estatístico. Entre 2018 e o fechamento de 2024, a exposição do Brasil ao dólar caiu de quase 90% para 78,45%. No mesmo intervalo, o yuan saltou de uma presença nula para 5,3%, enquanto o ouro, o ativo de segurança por excelência em tempos de crise, mais que quadruplicou sua participação nas reservas.
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