23 de junho de 2026

Ensaios de André Lara Resende criticam visão dominante da teoria econômica

Economista diz que, sem inflação e sem dívida externa, o país está “preso a uma armadilha ideológica imposta pelos cânones de uma teoria macroeconômica anacrônica”
O economista André Lara Resende. Foto: Reprodução

Jornal GGN – O economista André Lara Resende lançou um livro onde reúne seus artigos publicados no jornal Valor Econômico ao longo dos últimos anos. Seu material tem sido alvo de reações por parte de outros economistas devido às suas críticas à política de juros e à teoria macroeconômica que predomina nos debates brasileiros.

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“Interpreto isso como sinal de que tocaram num ponto nevrálgico”, diz Lara Resende, em entrevista concedida ao jornal Valor Econômico, ressaltando que a economia brasileira permanece estagnada depois de dois anos de profunda recessão.

“Enquanto a renda da China é hoje 18 vezes o que era há 40 anos, a brasileira não chega ao dobro do que era em 1979. A distância entre o Brasil e os países avançados não se reduziu. Pelo contrário, aumentou. Não foi possível superar o fosso que separa o Brasil rico e moderno do Brasil onde impera a miséria e a desesperança. Sem inflação e sem dívida externa, o país está paralisado, preso a uma armadilha ideológica imposta pelos cânones de uma teoria macroeconômica anacrônica”, pontua o economista.

Chamado “Consenso e Contrassenso: Por uma Economia Não Dogmática”, o novo livro de Lara Resende foi lançado pela editora Portfolio-Penguin, e o economista relembra sua trajetória como pesquisador e investidor, além de abordar sua participação dos planos Cruzado e Real e na renegociação da dívida externa.

O economista se mostra crítico à política de juros adotada pelo país desde 1994, explicando que a taxa Selic elevada não contribuiu para segurar a inflação e ainda teve impacto na dívida pública e no baixo crescimento. Assim, a recente redução dos juros pelo Banco Central é vista como uma correção de rumos, embora tardia.

André Lara Resende também lamenta que a macroeconomia tenha virado uma “área menor da matemática aplicada”, por não incorporar problemas de ordem social e política em suas análises. “Levada ao paroxismo, a macroeconomia hoje ensinada aos alunos de doutorado nas principais universidades americanas, que ainda servem de referência acadêmica, perdeu toda a capacidade de representar a realidade complexa das questões econômicas que são indissociáveis de suas dimensões psicológicas, políticas e sociais. Tornou-se, de fato, uma área menor da matemática aplicada”, pontua.

Redação

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8 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    8 de fevereiro de 2020 11:07 am

    Todos estes caras que já passaram pelo poder tem estas soluções …. Não usar quando estavam lá !? Os tempos da inflação alta eram ruins, ponto.

  2. Antonio Uchoa Neto

    8 de fevereiro de 2020 11:46 am

    Esses caras são muito engraçados. Passam anos e anos faturando horrores com esse circo financeiro que eles, se não propriamente inventaram, ao menos adotaram de corpo e alma, aperfeiçoando-o, ou, melhor dizendo, transmutando-o em uma autêntica jabuticaba, para extrair dele o máximo em moeda local, e agora, que o desastre e subsequente caos social se aproximam, eles vem com essa conversa fiada, que começa com “eu tô avisando”, e termina com “eu não falei?”
    São muito engraçados. Tão engraçados que eu tô começando a achar normal – e desejável – que um boçal atire bombas não na embaixada, mas na sede da produtora deles.

  3. Antonio Uchoa Neto

    8 de fevereiro de 2020 12:02 pm

    Adendo: como diria Stanislaw Ponte Preta, agora que eles todos já se locupletaram, restaure-se a moral.

  4. J. Alberto

    8 de fevereiro de 2020 2:10 pm

    Pura inveja. Nunca foi tão fácil saquear o país sem correr o risco de quebrar a moeda e a confiança nos depósitos. Oportunidade única que sua geração não teve. A quem fica só na vontade de participar desse butim maravilhoso só resta o ressentimento.

  5. Bo Sahl

    8 de fevereiro de 2020 2:22 pm

    Alguns ditos que podem ser aplicados no que se lê deste Lara Resende (como de outros, incluindo Fraga, Ciro, o bilionário Soros, etc), é:
    “Antes tarde do que nunca”.
    “O inimigo do meu inimigo é meu “amigo”. Ou pelo menos não está meu inimigo”.
    “Aproveitemos o que alguém oferece de bom e descartemos ou administremos o resto”.
    Uma limitação tático-estratégica de boa parte da esquerda é (querer) ser purista. Ninguém é, e os anti-petistas sabem e têm raiva disto. A propaganda da ultra-direita também.
    Quando se compara o pragmatismo de Lula e Dilma (?) e seus resultados sócio-político-econômicos, algo deve ser aprendido, ou pelo menos percebido.
    A menos que se queira escolher ser coadjuvante puro, sem participar nas decisões e nos resultados que “poderiam” ser melhores.
    Mas não serão.

  6. Anônimo

    8 de fevereiro de 2020 2:46 pm

    Demorou né? Agora que o navio está afundando ele percebeu o rombo no casco.

  7. Evandro Condé

    8 de fevereiro de 2020 7:38 pm

    Aos críticos, no período Lula e Dilma, onde a mudança concreta? E por favor, sem dizer que não deu tempo?

  8. ue

    8 de fevereiro de 2020 9:23 pm

    Fiquei curioso dado que há no modelo de taxas de juros algo ainda mais pernicioso que simplesmente o ALTO NÍVEL QUE ELE FOI FIXADA NO BRASIL DESDE ARMÍNIO/1999.
    É que quando se projeta seu nível se transfere totalmente os GANHOS ao capital sem levar em consideração o incremento da produtividade.
    A grosso modo a taxa SELIC no brasil foi fixada num patamar que excedeu em 90% a necessidade, mesmo se considerando as demais mazelas do modelo.

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