12 de julho de 2026

Envolvido em polêmicas, Napoleão Nunes vota a favor de Temer


Foto: AFP PHOTO / EVARISTO SA
 
Jornal GGN – Imediatamente após assumir a fala de seu voto contra a cassação da chapa formada pelo atual presidente Michel Temer, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho dedicou espaço a criticar as recentes notícias levantadas contra ele: o executivo da JBS, Francisco de Assis e Silva, delatou que Napoleão intercedeu em ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra Joesley Batista e a Eldorado Celulose e teria sido pago para isso.
 
A publicação de tais acusações, que integraram alguns segundos do depoimento de Francisco Assis a procuradores da República passou quase despercebido** em meio a avalanche de denúncias contra Michel Temer, Aécio Neves e a cúpula do governo trazidas com a JBS. Mas foi no final de maio que o delator mencionou o nome do ministro do STJ e do TSE.
 
O caso
 
Além de mencionar o vazamento pelo procurador da República Ângelo Goulart Villela de informações do andamento da Operação Lava Jato, o executivo da JBS disse que foi contratado o advogado Willer Tomaz para arquivar os inquéritos contra o grupo e interferir no Judiciário. O advogado teria recebido R$ 4 milhões em honorários pelos serviços e a promessa de mais R$ 4 milhões se conseguisse os arquivamentos. O procurador Ângelo Goulart receberia uma mesada de R$ 50 mil por contribuir.
 
Valores não foram mencionados pelo executivo se houve algum tipo de pagamento feito ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que hoje descarta a viabilidade de provas da Odebrecht contra Michel Temer. Mas Francisco de Assis relatou que Napoleão Nunes Maia Filho “intercedeu” em favor da JBS, de Joesley Batista e da Eldorado Celulose no âmbito da Operação Greenfield.
 
Na delação, o executivo narra uma conversa que teve com o advogado: “Ele [Willer] fala assim: a decisão contra o Zé Carlos [José Carlos Grubisich, presidente da Eldorado Celulose] tava pronta segunda-feira, eu consegui reverter, pedi para o ministro Napoleão interferir, o ministro Napoleão interferiu e vai me dizer alguma coisa nos próximos dias”. 
 
“E eu ainda pergunto [ao advogado]: e custou quanto [para Napoleão Nunes interferir na ação do STJ]? Ele [advogado] fala: calma, você está muito ansioso, espera que eu te informou”.
 
O trecho da delação pode ser visto aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=EMaD1rybQKU]
 
Em seguida, o procurador que acompanhava a delação de Francisco de Assis e Silva pede mais esclarecimentos: “Mas o que o ministro Napoleão… O ministro Napoleão do STJ, né?”. “Maia Nunes”, respondeu o delator confirmando. “O que ele tem a ver com o Ricardo e com esse cara?”, perguntou. “Não faço a mínima ideia, não faço a mínima ideia”. “Ricardo não, com o…”, questionou o investigador.
 
“O que dá para perceber é algum tipo de amizade, influência [entre o ministro do STJ e do TSE e o presidente da Eldorado]. [O advogado não passou o recibo disso, ele partiu da premissa de que eu sabia”, concluiu o executivo da JBS.
 
Envolvimentos de Napoleão
 
Enfurecido com a repercussão do caso já público desde o final de maio, o ministro que integra a Primeira Seção do STJ desde 2007 havia respondido ao jornal Estado de S. Paulo à época, negando a acusação.
 
“Desconheço os advogados Francisco de Assis e Silva, e Willer Tomas, bem como o empresário José Carlos Grubisich e jamais interferi em qualquer assunto referente à empresa Eldorado Celulose”, disse ainda em maio em nota. 
 
A publicação do jornal foi feita às 5h da manhã do dia 24 de maio. Mas os jornais apenas recuperaram e deram destaque ao caso nesta quinta e sexta-feira (09).
 
Indicação do sobrinho 
 
Outra polêmica levantada nesta sexta (09), após Napoleão Nunes deixar claro o seu posicionamento favorável à defesa de Michel Temer foi a suposto peso do voto do ministro na sabatina de seu sobrinho ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, onde há ampla maioria da base do peemedebista, nesta quarta-feira (07).
 
Napoleão é tio de Luciano Nunes Maia, que foi aprovado pela CCJ nesta quarta. Além disso, a própria indicação do nome para o cargo partiu do STJ, onde Napoleão atua. O plenário do Senado ainda precisa aprovar o nome do sobrinho do ministro. 
 
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos poucos nomes da oposição que integra a CCJ, questionou o parentesco: “Ministros e setores da imprensa questionam o fato de o senhor ser sabatinado por este Senado Federal paralelamente ao pleno julgamento do Tribunal Superior Eleitoral sobre os rumos da cassação da chapa Dilma-Temer, tendo em vista que o voto do ministro Napoleão, pelo que tudo indica, será um voto decisivo nesse julgamento”.
 
“O ministro Napoleão, que é meu parente, nem sequer participou da sessão de votação que resultou na minha escolha, muito menos votou. Eu não vi nenhum empenho pessoal dele nisso”, respondeu Luciano, que é juiz de carreira e competiu com outros 51 juízes na votação secreta do STJ. 
 
Voto
 
Os temas foram refletidos no início efusivo da leitura do voto de Napoleão Nunes Maia. O ministro desabafou, criticando as acusações e polêmicas envolvendo seu nome e a repercussão destes casos pela imprensa.
 
“Um infrator confesso da legislação, da ética e da moralidade faz uma delação premiada e, para receber benesses, menciona meu nome. Como se eu tivesse intervido junto a um juiz para alterar uma decisão contrária ao interesse de alguém. Pura mentira! Mentira deslavada, completa, cínica e sem vergonha”, disse, irritado.
 
“Estou sendo desavergonhadamente prejudicado em minha posição. Estou na véspera da aposentadoria compulsória. E agora vêm essas pessoas desfazer uma reputação de 30 anos”, completou, antes de dar sequência ao seu posicionamento.
 
O ministro também criticou o episódio em que blogs noticiaram que seu filho foi barrado na porta do plenário do TSE, e tratado como “pessoa misteriosa”. O filho de Napoleão estava de calça jeans, camiseta e um envelope nas mãos. Segundo a assessoria do TSE, ele foi barrado porque não estava vestido corretamente. 
 
“Ele veio me entregar fotos da minha neta, de três anos. Não vinha trajado a rigor e, portanto, acertadamente, não pôde entrar no tribunal. Era simplesmente um envelope com as fotos de uma criança”, disse o ministro, criticando.
 
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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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9 Comentários
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  1. AMORAIZA

    9 de junho de 2017 8:56 pm

    Despacho com o juiz

    É praxe dos operadores do direito, em questões complexas ou nas quais se busque o interesse inadiável do cliente, que o advogado peça para despachar diretamente com o julgador antes de sua decisão.

    O juiz, gentilmente ou não, acede ao pedido do advogado de ser atendido pessoalmente , sem qualquer  interesse e sem adiantar seu entendimento sobre a matéria.

    Dizer que o magistrado teria recebido algum dinheiro ou benesse para favorecer alguém  pelo simples fato de ter atendido um advogado, coloca em perigo toda a relação magistrado/advogado, trazendo mais um prejuizo ao direito de defesa e ao julgamento correto das causas judiciais.

    Quero crer que nesse caso o ministro tem razão.

    1. Alexander

      9 de junho de 2017 9:53 pm

      Amoraiza, isto tudo é muito

      Amoraiza, isto tudo é muito claro, e de praxe. Mas hoje em dia, principalmente desde o tal “Mensalão”, o país tem sido tomado e conduzido por um grupo de desonestos fascistas. E podemos considerar que tais agem sob tutela e incentivo das Organizações Globo. Basta ver o número e sequência de atores de farsas jurídicas que ganharam o prêmio “Faz a diferença” das tais organizações.

  2. João de Paiva

    9 de junho de 2017 8:58 pm

    Não embarque na onda linchatória, GGN!

    Prezada equipe do GGN,

    Napoleão Nunes Mais Filho, decano no STJ, pode e deve ser criticado, quando houver fundamento, Como juiz, servidor público que é, tem de dar exemplo de lisura, correção, honradez, honestidade e tudo o mais que se exige de um ministro de tribunal superior. Mas ele não pode e não deve ser pressiona e linchado, como querem muitos integrantes das matilhas lobotomizadas e cegadas pelo ódio disseminado pela mídia. Delação não é prova. Por que devemos confiar numa citação feita a Nunes Maia ou outro ministro de tribunal superior ou procurador do MPF(como Ângelo Goulart Villela) feita por alguém na condição de delator? Será que a equipe do GGN não percebe na citação Nunes Mais um assassinato de reputação e uma coação, para que ele vote como desejam a PGR, o MPF e demais lavajateiros?

    1. Ingridx

      10 de junho de 2017 9:08 am

      ?

      Aoo sr. lhe parece crível que, em meio a um julgamento da importância daquele em que atuava Napoleão, um filho seu lhe levasse fotos da netinha? Ao sr lhe parece adequado transformar a tribuna fo TSE em palco de auto-defesa? Convenhamos, seu incoformismo no mínimo pega muuuuuuito mal…

  3. maria rodrigues

    9 de junho de 2017 9:30 pm

    Quando a gente vê um juiz em

    Quando a gente vê um juiz em ação no plenário de um tribunal, como se deu a Napoleão, por ter sabido de uma nota na internet sobre a ida do gfilho ao TSE com um envelope, tendo sido barrado por seus trajes, etc, enfim, pra que esse juiz se dar ao trabalho de se indignar tanto contra uma nota da Intenert, quando sua missão ali era de falar em Pôncio Pilatos, elogiando o covarde que jogou Cristo à sanha do povo – vox populi -, entre outras até dizer que Temer é o cara.

    Eu e o mundo mireral entende que o que vem de baixo não nos atinge. Tem hora pra tudo nesta vda, até mesmo para um juiz , com seu poder, que é sempre enorme, embora cheio de citações de corruptores. Defender-se antes do tempo? 

    Quem tá de boa é Michel. Ah! Michel. “Se soubesse que era tão fácil comprar os juízes do mundo, teria mandado Dilma plantar batata há mais tempo”, deve estar a dizer aos seus próximos.

  4. Alex Meoli

    9 de junho de 2017 9:55 pm

    Golpistas tem medo da

    Golpistas tem medo da luz?

     

    https://novoexilio.blogspot.com.br/2017/06/diretas-ja-por-que-voce-tem-medo-da-luz.html

     

    Compartilhe

  5. lenita

    9 de junho de 2017 11:38 pm

    Teatro

    E fecham-se as cortinas do teatro com o final da peça  “O Brazil de Temer, Moros e Gilmares” . Onde até minhas cachorrinhas sabiam o final.

  6. alexis

    10 de junho de 2017 8:58 am

    15 minutos de glória e fumaça

    Mistura explosiva de senilidade, pego com a mão na massa, coruja com o filho e “fotos do neto”, e, ainda, com ingredientes evangélicos. O Napoleão conseguiu esconder com fumaça o seu voto sem-vergonha

    O Ministro apresenta um teatro pessoal de indignação para colocar o seu voto submisso. A presença de holofotes e câmaras de TV criaram um palco especial para este Juiz, que aproveitou os seus 15 minutos de glória, como o ator Cuba Gooding fingindo de desacordado em jogo de futebol americano no filme Jerry Maguire, a grande virada. Os companheiros de cena levam ele para o camarim.

  7. democracia direta

    10 de junho de 2017 2:23 pm

    E TODA ESSA DESGRAÇA É CULPA DO LULA!
    Ele pegou o Brasil sem turbulências, e tinha amplo apoio do povo e do congresso, numa época de ouro da economia mundial. Enquanto nossos vizinhos conquistaram o direito de convocar o PLEBISCITO DESTITUINTE dos políticos com seus ABAIXO ASSINADOS, como se faz desde o século 13 no mundo desenvolvido, o Lula não avançou 1 milímetro em nossos direitos de cidadania. Por causa dele, hoje não adianta pedir o impeachment de juízes, como o Gilmar Mendes, que o presidente do senado engaveta. Se tivéssemos tal direito, duvido que ele tivesse a ousadia de engavetar tais pedidos, que se acumulam no senado. Por isso diversos juízes de Suprema Corte já foram cassados nos Estados Unidos, onde não existe nem 10% da corrupção que vemos por aqui. Confiram o sistema político que o Lula e o PT não aceitam, e não se dispõe a exigir em suas faixas, carros de som, programas de TV, etc:             http://democraciadiretabrasileira.blogspot.com.br/2017/01/por-que-somos-subdesenvolvidos.html?view=flipcard             O Lula não quer que o povo interfira em seus “negócios”…

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