A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem sido omissa ao não condenar de forma mais incisiva as hostilidades próximas a complexos atômicos, como no caso das usinas do Irã, alvo de ataques do exército israelense e dos Estados Unidos.
A avaliação é do professor titular da Escola Politécnica da USP e especialista em engenharia nuclear, Cláudio Geraldo Schon, que manifestou, em entrevista à TV GGN nesta sexta-feira (confira abaixo), críticas à postura de organismos internacionais diante de ataques que, segundo ele, colocam populações inteiras em risco.
“Estou muito decepcionado com a Agência Internacional de Energia Atômica. A agência já deveria ter emitido um grande protesto para todas as partes falando que usina nuclear não é para ser atacada”, afirmou Schon.
Embora o núcleo dos reatores seja protegido por espessas camadas de concreto, o especialista alerta que os ataques têm atingido áreas periféricas das usinas, o que mantém o mundo em estado de alerta constante. “Aparentemente, as duas partes não estão mirando exatamente o reator. Estão atingindo a usina em outras regiões, mas fica sempre essa grande preocupação”.
O perigo da “chuva radioativa” e as piscinas de resíduos
O professor explicou que o risco mais imediato não é necessariamente uma explosão no núcleo, mas o impacto nas piscinas de armazenamento de combustível usado. Caso um míssil atinja essas áreas ou destrua os sistemas que mantêm a água, elementos radioativos podem ser liberados na atmosfera, gerando uma chuva radioativa.
É possível traçar um paralelo direto com o desastre ocorrido no Japão em 2011. “Foi isso que aconteceu em Fukushima. O cenário estava razoavelmente controlado até que a piscina foi afetada pela explosão. O grande problema não é apenas a radiação da água, mas o combustível ficar fora dela. Se o combustível sai da água, o problema é pesadíssimo”, relembrou Shcon.
A água, explicou, funciona como uma blindagem necessária para os elementos transurânicos de alta radioatividade. Sem essa proteção, a evacuação de áreas imensas torna-se inevitável. Em Fukushima, chegou-se a cogitar a evacuação total de Tóquio.
No cenário de um ataque às usinas no Irã, por exemplo, o professor adverte que o desastre seria regional. “Quem vai levar a radiação são os países do Golfo, porque o regime de ventos leva tudo para a Península Arábica. Quem deveria estar muito preocupado são os países vizinhos”.
Sobre a polêmica do enriquecimento de urânio a 60% pelo Irã, o professor esclareceu que, embora não seja o nível necessário para armas, que exige 90%, ele funciona como uma barreira de dissuasão. “A ideia é: não dá para fazer bomba com ele agora, mas se me atacarem, eu consigo acelerar o processo. É uma tentativa de se proteger contra ataques”.
Recomendação do professor
Para quem deseja entender a gravidade de um acidente desse tipo, o professor recomendou a série “Emergência Radioativa”, da Netflix. A obra, baseada no acidente com o Césio-137 em Goiânia, ilustra como a contaminação interna por elementos radioativos é devastadora. Segundo Schon, a série é “razoavelmente próxima da realidade” e ajuda a dar a dimensão do que está em jogo quando a segurança nuclear é negligenciada.
Assista à entrevista completa na TV GGN:
José de Almeida Bispo
12 de abril de 2026 12:16 pmA AIEA é DO IMPÉRIO. Só vai se manifestar se algo for contra o Império. E se alguém dessas “agências” se meter a besta, algum de fora do sistema, e crente na justiça… lembra do Sérgio Vieira de Melo?