Ex-diretor de Logística do MS fez negociação paralela para compra de vacinas, apontam mensagens

Trocas de mensagens indicam a suposta pressa do Ministério da Saúde em acelerar as tratativas com a Davati, enquanto houve lentidão por parte do governo nas negociações feitas diretamente com laboratórios

Ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias - Foto: Anderson Riedel/PR

Jornal GGN – O Ministério da Saúde negociou a compra de vacinas contra a Covid-19 com a Davati Medical Supply antes mesmo da empresa apresentar uma proposta oficial ao governo para o fornecimento de 400 milhões do imunizante da AstraZeneca, apontam mensagens obtidas pela Folha de S. Paulo. 

De acordo com a reportagem, as conversas paralelas envolvem o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias; o coronel da reserva e ex-assessor de Dias na pasta, Marcelo Blanco; e o  representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho.

Em uma das mensagens, o coronel Blanco cita o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que atuou como intermediário da Davati nessas negociações e afirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia ter recebido de Dias um pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina.

Neste cenário, as trocas de mensagens indicam a suposta pressa da pasta em acelerar as tratativas com a Davati, enquanto houve lentidão por parte do governo em negociações feitas diretamente com os laboratórios desenvolvedores de imunizantes, como ocorreu com a Pfizer.

Vale ressaltar ainda a ligação de Dias com o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR). Dias teria sido indicado ao cargo de direção no Ministério da Saúde por Barros, que comandou a pasta no governo Temer e é apontado como autor de esquemas irregulares semelhantes ao do escândalo das vacinas. 

Além disso, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou à CPI da Pandemia, que informou Bolsonaro, em março, sobre as irregularidades envolvendo a aquisição da vacina indiana Covaxin. Na ocasião, Bolsonaro ainda teria demonstrado que sabia que o esquema era “coisa do Ricardo Barros”.

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