Feder foge de questões sobre Paulo Freire, cotas raciais e agenda ideológica

Na manhã desta quarta (24), Renato Feder apoiou retomada das aulas durante pandemia e tangenciou temas que derrubaram outros ministros

Foto: Dálie Felberg - 27.abr.2020 / Alep

Jornal GGN – Após encontro com Jair Bolsonaro, o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, concedeu entrevista à CNN Brasil na manhã desta quinta (24) e tangenciou perguntas sobre temas considerados polêmicos.

Feder começou dizendo que sua “admiração” por Bolsonaro cresceu após encontro com o presidente em Brasília, na terça (23). Segundo ele, Bolsonaro “quer escolher uma pessoa que vai levar o Brasil na direção certa”. “Se ele entender que essa pessoa poderia ser o Renato Ferder, eu me sentiria honrado em participar dessa história.”

Introduzido às polêmicas dos antecessores na Pasta, Feder evitou dizer o que acha da agenda ideológica do governo Bolsonaro, que está em uma verdadeira cruzada contra o “marxismo cultural” nas escolas e universidades. Ele disse que prefere focar em outras questões.

“Acho que o foco do MEC tem que ser o diálogo e ajudar na aprendizagem do aluno nos níveis municipais e estaduais. Cabe ao MEC apoiar e verificar se a caminhada no sentido ao aprendizado está ocorrendo.”

Em outra rodada, Feder defendeu as cotas sociais mas não deixou claro se defende as raciais. “É um tema que gera muito debate, o Brasil ainda é muito desigual e a gente precisa de ferramentas para combater essa desigualdade. Uma delas são as cotas, principalmente as sociais. Garantir ajuda para que alunos de escolas públicas possam entrar na universidade.”

Seguindo a linha do presidente, Feder também defendeu o retorno das escolas em plena pandemia de coronavírus. “A volta às escolas em vários países do mundo já começou, então a gente conversou muito sobre isso, como que o MEC pode apoiar esse retorno. Tem País que retorna com 20% dos alunos ou 50% dos alunos. Quais as precauções que podem ser tomadas? Aqui no Paraná a gente discute quais tecnologias podem ajudar os professores. Google Meet, Zoom, Skype. A tecnologia está entrando na sala de aula. Isso poderia ser expandido para o Brasil todo”, disse.

Quando confrontado com a realidade de milhares de famílias brasileiras que não dispõem de computador nem internet em casa, Feder apontou que a solução será investir em aplicativos de celular gratuitos.

PAULO FREIRE

Feder foi questionado duas vezes sobre a importância de Paulo Freire para o Brasil. Na primeira, ele tentou dispersar a questão e minimizar a importância do educador.

“Acredito que papel do Ministério é focar no que os jovens estão aprendendo. Isso mais é importante. Quando a gente discute um autor ou outro, isso tira o foco do que é papel do MEC, que é estar na ponta, ajudar alunos e professores, mostrando para eles o aprendizado. Isso deveria ser o foco da gestão da Educação, e não discutir escritores.”

Na segunda vez, Feder fugiu de responder se haverá uma “mudança de paradigma” em sua eventual gestão, com Paulo Freire deixando de ser o patrono da Educação, como pretendiam seus antecessores no MEC.

Mais uma vez, Feder se ateve a pequenos detalhes e fugiu da questão principal. “Eu gostei da parte da sua pergunta que fala dos menos favorecidos. Os menos favorecidos é realmente uma parte muito importante. A tecnologia pode ajudar muito nisso. A qualidade dos professores muda muito. Tem professores com defasagem, que querem e precisam de ajuda. Em geral esses professores estão em escolas menos favorecidas. Acredito que o papel do MEC é ajudar nessas áreas, focar na formação desses professores.”

MULTILASER

Empresário, Feder afirmou que desde 2017, quando atuou na Secretaria de Educação em São Paulo, ele não está mais na Multilaser “no papel de gestor”. “Continuo acionista mas não tenho nenhum cargo e não sou membro de conselho, e estou afastado do dia a dia, focando na gestão pública.”

VOUCHER

Sobre o livro publicado em 2007, em que defendeu a privatização da educação e a entrega de um voucher pelo poder público para que os pais custeiem parte da formação dos filhos, Feder disse que hoje pensa totalmente diferente.

“Esse livro foi escrito em 2005 e 2006 e publicado em 2007. Eu tinha 24 anos, só que nesses 15 anos realmente as minha ideias sobre Educação mudaram muito. Não acredito mais no voucher. Foi testado nos EUA e Chile e não teve bons resultados. Não faz sentido defender uma ideia que não se comprovou.”

ENEM

Sobre o ENEM, cuja realização em meio à pandemia tem sido questionado, o candidato a ministro disse que no Paraná “os alunos estão estudando remotamente”, tudo continua normal, e que “se a pesquisa que o MEC está fazendo mostrar que a prova deve ocorrer esse ano, acho que deve sim.”

ESCOLA SEM PARTIDO

Perguntado sobre o projeto Escola Sem Partido, tema caro aos ex-ministro da Educação, que eram de uma ala ideológica do governo, Feder saiu pela tangente de novo.

“Novamente, sobre essas questões, eu prefiro sempre focar nos assuntos técnicos de apoio, melhoria, diálogo com as secretarias estaduais e municipais, entender como elas podem dar um aprendizado melhor. O que vou focar é se estão aprendendo matemática, português, inglês, geografia, as faculdades estão formando bons arquitetos. Outros assuntos podem atrapalhar.”

UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Confrontado sobre a fala de Abraham Weintraub, que afirmou que os alunos de universidades públicas fazem “balbúrdia”, Feder respondeu sem atacar as instituições de ensino superior. Defendeu, porém, que as pesquisas científicas devem ser direcionadas para atender o mercado.

“Em geral as federais têm nível de aprendizado bom e entregam ao mercado bons profissionais. Como aproxima o mercado à pesquisa, para ter uma pesquisa aplicada. Isso é uma coisa que o MEC pode ajudar muito, para que as empresas possam mais rapidamente se beneficiar dessas pesquisas científicas.”

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