31 de outubro de 2026

‘Feito Pipa’ leva drama brasileiro sobre afeto e aceitação à disputa pelo Oscar 2027

Filme de Allan Deberton terá sessão especial em Los Angeles, com participação de Wagner Moura, e poderá ser assistido por R$ 12 em cinemas brasileiros

O cinema brasileiro ganha mais um representante na corrida pelo Oscar 2027. Escolhido para disputar uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional, Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, amplia sua campanha nos Estados Unidos com uma sessão especial em Los Angeles, marcada para segunda-feira (2).

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A exibição contará com a presença do ator Lázaro Ramos e tem o apoio de Wagner Moura, que participa da articulação para aproximar a produção de profissionais e nomes influentes da indústria cinematográfica americana.

Wagner Moura, que mantém residência em Los Angeles, é amigo de longa data de Lázaro Ramos. Os dois construíram essa relação ainda na juventude, quando trabalhavam com teatro na Bahia. A participação dos artistas na divulgação reforça a mobilização do cinema brasileiro em torno da candidatura.

O longa aborda uma relação afetiva a cumplicidade entre um neto e sua avó, seu principal porto seguro diante do preconceito e das dificuldades familiares. Esse vínculo é ameaçado pelo avanço do Alzheimer, que compromete gradualmente a memória da avó e coloca em risco a convivência dos dois.

Uma história sobre acolhimento e perda

Ambientado no interior do Ceará, Feito Pipa acompanha Gugu, um menino de 11 anos que vive com a avó, Dilma, às margens de uma barragem. Interpretado por Yuri Gomes, em sua estreia no cinema, o garoto encontra na avó, vivida por Teca Pereira, um ambiente de carinho e liberdade para expressar sua personalidade.

A relação com o pai, Batista, interpretado por Lázaro Ramos, é marcada por conflitos. Incapaz de aceitar a expressão de gênero e a sexualidade do filho, ele tenta enquadrá-lo em padrões tradicionais de masculinidade. O futebol, esporte pelo qual Gugu demonstra talento e entusiasmo, torna-se também um instrumento dessa tentativa de adequação: o pai enxerga no desempenho do menino uma suposta confirmação de que ele corresponderia ao modelo de homem que deseja.

Na escola e na convivência social, Gugu também enfrenta manifestações de preconceito. É na companhia de Dilma, porém, que encontra espaço para viver sem esconder seus gostos e sentimentos. A avó acolhe o neto sem impor condições, e a cumplicidade entre os dois constitui o centro afetivo da narrativa.

Esse equilíbrio começa a se desfazer quando Dilma passa a apresentar sinais de Alzheimer. À medida que a memória da avó se deteriora, Gugu assume responsabilidades que ultrapassam sua idade e tenta preservar a convivência com a pessoa que representa sua principal referência de proteção. O medo de perdê-la se mistura à possibilidade de voltar a viver sob os cuidados repressivos do pai.

O filme constrói, assim, um contraste doloroso entre duas formas de afastamento: Batista conhece o filho, mas não consegue aceitá-lo como ele é; Dilma sempre o acolheu, mas a doença ameaça apagar as lembranças que sustentam esse vínculo. A partir dessa relação, Allan Deberton desenvolve um drama sobre identidade, preconceito, envelhecimento e os laços que dão sentido à vida.

Com atuações de destaque e uma narrativa que alterna momentos de leveza e passagens de forte carga emocional, a produção aborda questões familiares e sociais sem perder de vista a perspectiva da infância. A trajetória de Gugu evidencia os efeitos da intolerância, mas também a importância do afeto e do reconhecimento na formação de uma criança.

Festival oferece ingressos a R$ 12

Além da campanha internacional, o público brasileiro tem a oportunidade de assistir a Feito Pipa com preço promocional. O longa integra o Festival do Cinema Brasileiro, realizado entre 29 de outubro e 4 de novembro, em salas de diferentes redes exibidoras pelo país. Durante a iniciativa, os ingressos para as produções participantes custam R$ 12.

A campanha é promovida pela Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feneec), com apoio da Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex (Abraplex). A programação reúne filmes nacionais de diferentes gêneros, incluindo comédias, dramas e produções voltadas ao público infantil.

A iniciativa amplia o acesso às produções brasileiras e oferece ao público a possibilidade de conhecer nas salas de cinema o filme que representa o país na disputa por uma vaga no Oscar 2027.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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