Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
Eduardo Ramos
10 de março de 2018 9:51 am…nossa classe média representa a Casa Grande…
…de uma classe média que não se enxerga enquanto Casa Grande perversa…
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Quando é pessoa é bondosa, gentil, educada em seu dia a dia com todos à sua volta, independente de quem seja o ser humano com ela interagindo, e além disso é honesta, digna, pensa no “bem estar do mundo” como um todo, um sonho “poliano”, essa pessoa tende a se ver “no mínimo” como “uma pessoa normal”, não merecedora de críticas severas quando vê o reflexo de seu rosto no espelho…
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Quase todos os brasileiros reacionários e envolvidos na onda social anti-lulista e antipetista que varre nosso país, – dos que eu conheço e convivo no dia a dia – se encaixam na descrição acima.
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São justos e generosos com a vida na grande parte de suas ações…. Muitos eu amo e admiro, por reconhecer neles essas qualidades.
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Olhando assim, pareceria injusto, um gesto de “raiva insensata”, chamá-los de “rebanho tosco” como faço usualmente há uns quatro anos. Chamá-los “enfermos”, obtusos, ignorantes politicamente, num discurso que obviamente repele e afasta, interdita qualquer possibilidade de diálogo.
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Qual o motivo dessa acidez, desse aparente “descontrole”?
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Minha obrigação ÉTICO-EXISTENCIAL com a verdade e com a justiça…..
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Não nos esqueçamos que nazistas alemães ou os racistas americanos do sul do país nas décadas tenebrosas de 50 e 60, eram em sua maioria assim, também….. Honestos, trabalhadores, pagadores de impostos, muitos, tratando com boa dose de afetos e respeito os “pobres à sua volta”, os pobres que os serviam, seus empregados domésticos, seus empregados em suas empresas, etc. etc…… – O MAL NÃO SE RECONHECE, quando a “prática de vida da pessoa” é na maior parte, digna e correta. O MAL é muitas vezes, “BANAL”, subliminar, inconsciente, vindo de MANIPULAÇÕES dos discursos dos poderosos, dos que têm interesses sórdidos, de que TODA A SOCIEDADE aceite seu discurso como “verdadeiro”……
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Por isso o espanto aterrorizado de Hannah Arendt, quando teve o insight que parecia o absurdo dos absurdos, e descreveu em livros ÚNICOS, os significados ligados a essa expressão trágica, humana e verdadeira: “O mal é banal, e nasce e é implementado por e em pessoas igualmente banais” – ou seja, comuns, pessoas de um “cotidiano normal” – que envolve ternuras, atos civilizados, etc. etc……,
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Na essência da essência da essência, o que APROXIMA POR SEMELHANÇA todo movimento social e político PERVERSO em seu tempo e espaço quando havido? É o fato de ser um pré-conceito, logo tornado em FANATISMO CEGANTE, onde PRIVO DE VALOR pessoas e/ou grupos de pessoas bem específicos, NEGANDO-LHES o mesmo grau de respeito, ternura, direitos, à uma dignidade de vida que prezo e luto, para mim mesmo e aos “eleitos por mim como meus semelhantes” – ou seja, é quando TRAGO AO MEU ÍNTIMO O DIREITO DE TRATAR A ALGUNS não mais como esses semelhantes, mas como um GRUPO DE EXCEÇÃO….. – é a legitimação íntima do tratamento de exceção, cruel e injusto, que passo a defender como válido, para aquelas pessoas pertencentes aos grupos sociais que “excluí” de meu respeito e afetos humanos…… – o que pode ser mais MALIGNO do que isso na alma de uma pessoa?
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Amigos mais íntimos e familiares inseridos nesse grupo social imenso – haja desespero, meu Deus… – olham-me com um carinho cheio de “compaixão” quando “arranho” esse tema com eles…. – chega a ser engraçado…. – é como se pensassem: “nem vou levar em conta o que ele pensa/sente por mim, tadinho, ele se iludiu com o discurso de Lula e dos petralhas, é tão ingênuo que coloca a culpa em nós pelo que o Brasil é, além de ser incapaz de ter uma visão “verdadeira” do enganador safado corrupto que o Lula é…..” – e coisas semelhantes……
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Casa Grande não se enxerga Casa Grande, no Brasil…… Esses brasileiros se eximem de toda e qualquer responsabilidade pelo “país de merda” que somos, segundo uma de suas expressões favoritas.
É como se no tempo e no espaço, as nações não tivessem se tornado O QUE DELAS FIZERAM SUAS ELITES SOCIAIS……
Em terras brasilis, os culpados são os pobres, “ignorantes que vendem o voto por bolsas-esmola” (sic….) e, claro, os “petralhas”……
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O país que concede 50 milhões de votos a um ser absolutamente abjeto como Aécio Neves, corrupto até a medula, perverso, cínico, vulgar, covarde, esse é o país que se olha no espelho como “homens e mulheres de bem”, “homens e mulheres que querem seu país de volta”, “homens e mulheres que lutam contra a corrupção que assola o país….” (sic, um milhão de vezes…….) – o que dizer de uma multidão que assim se olha, cada um, no seu espelho……?
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Não percebem a inacreditável PERVERSIDADE imoral e injusta de seu pensar e sentir a respeito de Lula, não enxergam a sordidez que é TIRARMOS DE UM SER HUMANO, a presunção da inocência!
Por “Lula ser culpado”, passa a não importar os “métodos e caminhos adotados por Moro e o Judiciário em geral”, nada importa, “desde que o safado pague por seus crimes!”……
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Se esse não é o fanatismo mais perverso do mundo, por CONDENAR antecipadamente a pessoa, e legitimar contra ela – já que se trata do “MAL EM SI”… – todo e qualquer massacre, desprovendo essa pessoa de toda a dignidade e direitos, não sei o que seria……. É, no fundo, uma manifestação de ódio e desprezo, um NOJO mesmo, de um ser visto no íntimo dessas pessoas, como um “asqueroso” – um “satanás social a ser exorcizado, custe o que custar….” – como querer que “pessoas boas e civilizadas na maior parte de suas falas e ações no mundo”, se reconheçam em retrato tão cruel?
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Vivemos a mais “perfeita” representação SOCIOLÓGICA do que seria um “MUNDO-MATRIX”…..
A realidade é NEGADA, e uma FICÇÃO toma o seu lugar…..
Milhões, pensam, sentem, falam, agem, reagem, SOBRE essa plataforma ficcional re-criada, e não sobre a realidade concreta…..
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Esses brasileiros são inconscientes de algumas características que comprova seu estado atual de “rebanho tosco” e acrescentaria, enfermo e perverso…..
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1 – O fato de terem assumido um comportamento fanático, semelhante aos movimentos religiosos fundamentalistas, como o tempo da inquisição pela igreja, onde “os seres satânicos” – indicados sempre pelo poder eclesiástico-político, hoje o poder “midiático-jurídico” – eram desprezados, odiados, desprovidos de quaisquer direitos, e queimados vivos, numa “orgia” popular-social sádica e perversa…….
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2 – O fato de que sua “bondade” (verdadeira em relação aos seres próximos e semelhantes….) IGNORA a existência de UMA CENTENA DE MILHÕES de brasileiros que vivem precariedades, indignidades de vida, sofrimentos, em gradações diferenciadas que vão até a MISÉRIA ABSOLUTA…..
NUNCA VI um desses brasileiros se questionar, se perguntar, falar sobre isso, postar sobre isso, com a seguinte pergunta: “Teriam sido Lula e o PT um evento social e político que veio para MINORAR o sofrimento dessas pessoas, deveria eu refletir sobre isso, pesquisar, buscar a verdade sobre essa questão, já que o MUNDO TODO aplaude Lula por suas ações nesse sentido?” – Porque, na verdade, seu julgamento a respeito JÁ ESTÁ CONCLUÍDO, é definitivo, não é afeito a mudanças…….
Não há RELEVÂNCIA, se em suas “conclusões”, milhões de brasileiros seguirão em uma vida de sofrimentos a estes brasileiros de classe média, INVISÍVEIS, sofrimentos pelos quais, – e esse´, seu maior CRIME… – vivem na mais absoluta INDIFERENÇA…….. – até pelo modo como somos criados em nosso país – a pobreza, vista como “inevitável”, ou pior, como “culpa do próprio pobre” – que “não lutaria” – cada um…. – por uma vida mais digna – o discurso canalha da meritocracia……
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3 – O fato de tratarem com gritante indiferença os “boatos” sobre a corrupção concreta como as pedras dos tucanos – seus políticos preferidos e os mais votados por esse segmento social…… – Também NUNCA VI, uma fala, um post, consciente, lúcido, honesto, sobre esses políticos e toda a sorte de roubalheira por eles cometidas durante décadas…. – vide o “susto”, o “espanto”, a “surpresa” deles com a “descoberta” de que Aécio Neves é corrupto….. – não bastavam os 450 kg de cocaína no helicóptero do amigo senador Perrela, o aeroporto nas terras do parente, as centenas de acusações de corrupção pesada em Minas, a mesada de Furnas…….
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A lista seria interminável….. Paro por aqui.
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A busca a verdade existencial é ESCOLHA DE CADA UM…..
Nosso país não é o “país de merda” por culpa dos nossos pobres, ou dos “petralhas”, muito menos de Lula……
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O dia em que Casa Grande se reconhecer assim no espelho, o dia em que esses “brasileiros de bem” perceberem as doenças, obscurantismo, preconceitos, ignorância, fanatismos e ódios contidos em suas falas, pensamentos, sentimentos, ações e reações, só nesse dia, o “país de merda” terá a chance de se tornar algo parecido às nações que já alcançaram patamares dignos de civilidade, justiça, e CIDADANIA para todos…….
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Até lá, sofreremos os lúcidos, vivendo no mundo matrix onde Moro é exaltado e Lula, o brasileiro mais aclamado no mundo em todos os tempos, será preso.
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A turba enferma e insana, em seu fanatismo cego, celebrará…….
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AMORAIZA
10 de março de 2018 11:17 pmDe que outro modo
a nossa classe média representante da casa grande compreenderia sua estupidez senão sofrendo as consequências da crise que causou?
Que nós não nos tornemos tão ímpios quantos eles estão sendo quando porfiam sobre os desvalidos.
antonio francisco
10 de março de 2018 10:01 amO fascismo cotidiano, segundo Nelson Werneck Sodré
O Fascismo Cotidiano foi escrito por Nelson Werneck Sodré a partir de leituras de 3 meses de jornais e revistas em 1976. Ele observou que o fascismo se apresentava cotidianamente mesmo nas simples manifestações que podiam ser noticiadas sem a intervenção da censura.
São registros de memória de um curto período, mas que mostram o avanço do fascismo no Brasil daquela época, 9 anos antes do término oficial da ditadura iniciada em 1964.
Mais a respeito de Nelson Werneck Sodré, em
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nelson_Werneck_Sodr%C3%A9
antonio francisco
10 de março de 2018 10:51 amVara de virar tripa
Os meninos magros e de tamanho maior do que a média para a mesma idade no grupo eram apelidados no interior de Minas de vara de virar tripa.
Lá a gente sabia que vara de virar tripa era uma vara grande, normalmente de bambu, utilizada para… virar tripa. Todo mundo também sabia que as deliciosas linguiças consumidas pela população dali e de qualquer outro lugar eram fabricadas com carnes que enchiam um envoltório também comestível que antes eram tripas de bois, carneiros, bodes, etc.
Morto o animal, suas tripas eram retiradas inteiras cuidadosamente, para serem bem aproveitadas. Em seguida, essas tripas eram levadas a local onde podiam ser lavadas e viradas. Ou seja, a superfície do lado de fora seria levada para o lado de dentro, e vice-versa. Para se fazer isto enfiava-se a vara por dentro da tripa até que sua ponta – preparada de modo a não furar – chegasse ao outro lado onde era amarrada na ponta da tripa. Daí era só ir puxando a vara de volta e com as mãos ir ajudando a inverter a tripa de modo que o lado que continha o cocô ficava de fora.
Feito isto, a tripa era lavada cuidadosamente, para depois ser enchida de carne moída do próprio animal, ou de outros.
Veja tripas e outros envoltórios de preparos de alimentos em
https://www.bonitripas.com.br/tripas
Leandro Ferrari
11 de março de 2018 2:18 amNossos mandarins viraram mansos serviçais
Há um período na história da China que poucos brasileiros já ouviram falar: trata-se dos Cem Anos de Humilhação, ou Centenário da Humilhação. É um período de enormes intervenções de várias nações potências da época, que teve início com a Primeira Guerra do Ópio (1839) e se estendeu até pouco depois do final da Segunda Guerra Mundial, com a proclamação da República Popular da China (1949). O resultado foi a adesão compulsória da China ao sistema internacional criado pelas potências do Ocidente, questão que ainda se desenrola e é pouco compreendida.
Ainda hoje as razões que levaram à Guerra do Ópio são discutidas. Tendo sido desencadeadas em 1793 com a intenção do império britânico em montar uma embaixada na China e, assim, abrir comércio com os chineses. O então presidente da Companhia das Índias Orientais, Henry Dundas, deu diretivas claras ao oficial George Macartney de modo que este abrisse contatos de uma grande nação para outra. Porém, não foi bem sucedido, começando pela recusa de Macartney de respeitar os ritos (禮), não realizando o kowtow ao Imperador Qian Long, algo caríssimo para os chineses, especialmente os mandarins, educados no confucionismo já havia praticamente dois mil anos. Porém, de forma alguma a cultura chinesa e o valor dos ritos era algo desconhecido por parte dos europeus, uma vez que começaram a descobrir a China com Gaspar da Cruz, por volta de 1556 e, principalmente com Matthew Ricci, por volta de 1608.
O fato é que a Companhia das Índias Orientais já estava em déficit comercial com a China naquela época e a maior colônia britânica, os EUA, havia há pouco tempo se tornado independente. Por outro lado, já desde os tempos dos relatos de Ricci, a China era consciente das investidas europeias contra Malaca e Índia, ela sabia que haviam sido conquistadas pelos europeus sobre o pretexto do comércio [1].
As potências europeias pouco podiam oferecer para a China, além da prata. O ópio então já estava sendo contrabandeado para a China e não somente pela Companhia das Índias Orientais, mas também pelos Estados Unidos, por meio da Turquia [2]. Um autor aponta a hipocrisia do tão propalado princípio do livre comércio: “se o livre comércio tivesse sido o princípio primordial dos políticos britânicos decisores, então uma das primeiras coisas que eles teriam feito seria abrir a indústria do ópio de Bengal para a livre iniciativa. Mas não o fizeram.” [3] Marx e Engels, nos anos 1850, redigiram centenas de artigos para o periódico New York Daily Tribune. Sobre a Companhia das Índias Orientais, afirmaram que os monopólios obtidos do chá, sal, ópio, bétel e outras mercadorias eram minas inesgotáveis de riqueza e “os próprios funcionários fixavam os preços e espoliavam à vontade o infeliz hindu” [4].
A China até tentava lutar, mas não podia suportar a ânsia conquistadora da Europa. Em 7 de abril de 1840, Sir George Thomas Staunton, no parlamento britânico (House of Commons), declarou: “se nós nos submetermos aos insultos degradantes da China, não ficará distante o tempo em que nossa ascendência política na Índia chegue ao fim”[5]. Veio a Primeira Guerra do Ópio e com a derrota dos chineses tentando evitar o tráfico ilícito, a China sofreu imposição de pagar vultosas indenizações, ceder totalmente Hong Kong, abrir portos em Shanghai, Canton (Guangzhou), Ningpo (Ningbo), Fuchow (Fuzhou), and Amoy (Xiamen), além de conceder direitos extraterritoriais aos britânicos, de modo que um britânico, na China, seria julgado somente por outro britânico, sob leis britânicas, era a perda da soberania em território chinês, iniciando um estágio semi-colonial.
Sobre o maior tráfico de drogas da história mundial incentivado por uma nação, o Economist de 30 de Abril de 1853 reconhecia: “as receitas do nosso governo na Índia dependem da venda do ópio na China, tal como o povo da Inglaterra depende, para os seus almoços e ceias, dos produtos deste Império; ao mesmo tempo a nossa vida familiar e a nossa grandeza política enquanto nação estão agora voltados directamente para a China”.[6]
A partir daí, foi um inferno para a China. Outras potências europeias logo viram a oportunidade da caça e correram para reivindicar seus próprios espólios. Veio a Segunda Guerra do Ópio. Em um gesto deliberado que demonstraria de uma vez por todas a brutalidade europeia, em 1860, os britânicos e os franceses decidem queimar o Palácio de Verão, uma maravilha do mundo, considerada como a mais bonita coleção de arte e arquitetura da China. O chefe da ancestral Academia Hanlin assim lamentou: “nosso palácio imperial foi queimado… nunca houve um insulto desse tipo durante os últimos 200 anos da nossa dinastia. Todos os nossos estudiosos e oficiais ficaram agitados com ardente fúria e mantiveram o ódio. Como podemos esquecer essa inimizade e essa humilhação mesmo por um único dia?”[7] Sobre isso, o romancista francês Victor Hugo escreveu: “nós chamamos a nós mesmos de civilizados e a eles bárbaros. Aqui está o que a civilização fez com a barbaridade”.[8]
Não tardou para que os vizinhos da China também entrasse na disputa, tendo inclusive sofrido mais ainda sob os japoneses, algo tão terrível quanto o que foi praticado pelos nazistas aos judeus – apesar do fato de que no Ocidente ninguém dá a mínima sobre isso, como, por exemplo, a crescente vontade da direita radical japonesa em revogar o art. 9 da constituição japonesa. Mas, enfim, como a historiadora Patricia Ebrey coloca, seria muito tedioso relatar todos os encontros militares entre a China e as potências ocidentais durante o século XIX e as penas as quais a China sofreu em consequência.[9]
Por isso, um cartoon de 1898 é tão simbólico: nele se vê as figuras da Rainha Victoria (Reino Unido), Kaiser Wilhelm II (Alemanha), Tsar Nicholas II (Rússia), Marianne (França) e um samurai (Japão) dividindo uma pizza (China) e o imperador chinês perplexo atrás.
Agora, volto a atenção ao Brasil. Se tentarmos imaginar uma cena análoga atual para nosso país, na verdade o que teríamos seria nossos mandarins* gentilmente servindo os pedaços os gulosos das potencias mundiais atuais, cada qual compartilhando os pedaços com seus empresários patrocinadores. A cada dia vem uma bomba noticiando a entrega deliberada de parte da riqueza e soberania nacional.
* Peço desculpa aos chineses para usar a expressão “nossos mandarins”, porque nem longe sequer nossos atuais representantes saberiam o que foi e o que representou a formação milenar chinesa em conteúdo humanístico dos Cinco Clássicos e dos Quatro Livros, e estão anos-luz distante dos ancestrais conceitos chineses de virtude e mérito.
[1] RICCI, Matteo. China in the sixteenth century: the journals of Matthew Ricci 1583-1610. Tradução de Louis J. Gallagher. New York: Random House, 1953, p. 128.
[2] SINHA, Radha. Sino-American relations: mutual paranoia. New Delhi: Atlantic Publishers & Distribuitors Ltd., 2008, p. 99.
[3] WONG apud ibid., p. 100.
[4] MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Sobre a China. São Paulo: Iskra, 2016, p. 21.
[5] SCOTT, David. China and the international system: 1840-1949. Power, presence and perceptions in a century of humiliation. Albany: State University of New York, 2008, p.15.
[6] MARX; ENGELS, op. cit., p. 115, n. 6.
[7] SCOTT, op. cit., p. 45.
[8] The British and French at their worst? The burning of China’s magnificent Summer Palace. Disponível em: <http://www.historyisnowmagazine.com/blog/2016/3/6/the-british-and-french-at-their-worst-the-burning-of-chinas-magnificent-summer-palace#.WqSD9GrwaUk=>
[9] EBREY, Patricia Buckley. The Cambridge illustrated History of China. 2nd edition. New York: Cambridge University, 2010, p. 236.
Emanuel Cancella
13 de março de 2018 11:59 pmGolpe
Intervenção militar, a volta ao lema: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.
Veja o vídeo desta matéria em: https://www.youtube.com/watch?v=0P5btBmT0-I
Num dos momentos mais duros da ditadura militar foi lançado o lema: “Brasil, Ame-o ou Deixe-o”.
“Era na década de 70, no chamado, “milagre brasileiro”. Entretanto o milagre durou pouco, pois não se baseava nas próprias forças econômicas, mas numa situação favorável. Com o aumento do preço do petróleo no mercado internacional, a economia brasileira sofreu grande impacto. Por um lado, a inflação começou a subir.
Por outro, a dívida externa elevou-se de forma crescente e assustadora. Teve início, então, uma longa e amarga crise econômica. O governo militar foi perdendo um de seus principais argumentos para sustentar-se no poder. A ditadura não garantia o desenvolvimento, e as oposições foram lentamente se reorganizando para exigir a volta da democracia” (1).
Não podemos esquecer que a intervenção militar acontece no Rio de Janeiro, em 2018, depois do desfile da Paraíso do Tuiuti, com MiShel Temer como “Vampiro neoliberal”, com a participação dos patos da Fiesp e os manifantoches, e na telinha da Globo golpista, para o Brasil e o mundo.
Como se não bastasse, no mesmo dia do desfile, uma multidão invade o aeroporto Santos Dumont, no Rio, gritando o Fora Temer (2)! E várias faixas aparecem nas comunidades pobres, dizendo que se prenderam Lula o morro desce. Só restou, ao governo golpista, a intervenção militar (3).
Na verdade, o Brasil precisa de uma intervenção social. O governo golpista, que está gastando rios de dinheiro com a Intervenção e propaganda, é o grande culpado da escalada da violência. Foi Temer que fez a Reforma Trabalhista, que acabou com os direitos trabalhistas, a CLT. E Temer quer ainda fazer a Reforma Previdenciária que acaba com as aposentadorias dos trabalhadores.
Temer não age sozinho. Foi a Lava Jato, do juiz Sergio Moro, um dos grandes responsáveis do golpe e pelo fechamento dos estaleiros e a destruição da indústria nacional. Enquanto o Brasil registra mais de 12 milhões de desempregados, navios e plataformas estão sendo construídos no estrangeiro, gerando emprego e renda para gringos (3,4,5,13).
O golpista MiShel Temer diz que, se não fizermos a Reforma Previdenciária, vai faltar dinheiro para as contas do governo. No entanto, Pedro Lalau Parente, indicado presidente da Petrobrás por Temer, celebra acordo imoral e ilegal com os acionistas americanos pelo qual a Petrobrás pagou R$ 10 BI.
E o próprio MiShell Temer participou do acordo que garante às multinacionais de petróleo hum trilhão de reais em isenção de impostos, a mais beneficiada é a Shell (6,7,8).
Chamo de Pedro Lalau porque este senhor é réu, desde 2001, em ação que versa sobre a venda criminosa de ativos, quando já dava rombo de R$ 5 BI na Petrobrás (9).
Os golpistas querem fazer da intervenção militar seu trunfo político nas eleições de 2018, por causa da escalada da violência, cada vez maior com o desemprego em massa.
O debate golpista, fomentado pela mídia, como na década de setenta, do Brasil, Ame-o ou Deixe-o, agora é a Intervenção.
Ao invés de discutirmos programas sociais, a retomada da economia, a volta dos empregos, os golpistas com apoio da mídia, vão fomentar o debate dos contra e a favor da intervenção militar.
Vale lembrar que grande parte dos manifantoches da Globo, que fomentaram a saída da Dilma, com o aumento da violência, bateram pé para Portugal (10).
Em Portugal, o governo é socialista, onde uma vasta rede de programas sociais garante serviços públicos, como saúde e educação de excelência para toda a população.
“A Saúde em Portugal caracteriza-se pela existência de um sistema de cuidados de saúde de elevada qualidade (classificado como o 9.º melhor da Europa e 12.º melhor do Mundo), permitindo ao país atingir boas posições em diversos índices de saúde” (12).
No Brasil, os manifantoches satanizaram o governo Dilma até a sua derrubada, principalmente por oposição aos programas sociais que favoreciam aos mais pobres. O SUS esta sendo sucateado por conta da PEC 241, da Morte! No Brasil de hoje, esses programas sociais estão sendo destruídos pelos golpistas e os manifantoches da Globo, agora morando em Portugal, parecem gostar do estado social que combateram no Brasil, pois não reclamam!
A mídia nada fala dos manifantoches em Portugal, entretanto dá destaque aos venezuelanos que entram no Brasil, via Roraima, ebem como nada fala dos brasileiros que foram morar na Venezuela e dizem que lá está melhor que o Brasil (10).
O problema da Venezuela é o boicote econômico plantado pelos EUA e seus aliados, incluindo o Brasil do golpista Temer (14,15). Querem, com isso, derrubar o governo de Nícolas Maduro para se apossar de seu petróleo. Diga-se de passagem, a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo (11).
O Brasil de MiShell Temer, que está entregando nosso pré-sal aos gringos, alia-se aos EUA para a tentativa de golpe na Venezuela para assim os americanos saquearem o petróleo venezuelano também.
Temer age como um manifantoche dos EUA.
MiShell Temer aposta que, com a Intervenção Militar, vai conseguir se eleger ou eleger seu sucessor no Brasil.
Vale lembrar que no “Brasil, Ame-o ou Deixe-o”, a versão passada da Intervenção Militar foi o início do fim da ditadura!
Fonte: 1 – http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2002/eleicoes/historia-1969.shtml
2 – https://vivabem.uol.com.br/videos?id=folioes-invadem-aeroporto-santos-dumont-para-protestar-04020C1A3168E4996326
3 – https://jornalggn.com.br/noticia/para-engenheiros-lava-jato-promovo-desmonte-da-industria-nacional
4 – http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2017/02/a-lava-jato-esta-esfacelando-a-industria-nacional-diz-presidente-do-clube-de-engenharia
5 – http://www.causaoperaria.org.br/blog/2017/10/19/temer-inicia-destruicao-da-industria-naval-brasileira-1/#.Wqgs_R3491s
6 – http://emanuelcancella.blogspot.com.br/2018/01/para-os-acionistas-americanos-o-bonus.html
7 – https://www.brasil247.com/pt/247/economia/335235/Parente-decide-indenizar-em-R$-10-bilh%C3%B5es-investidores-americanos.htm
8 – http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2017/12/camara-vota-mp-do-trilhao-que-libera-impostos-de-petroleiras-estrangeiras
9 – http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2016/06/presidentes-da-petrobras-e-do-bndes-sao-reus-em-acao-por-rombo-bilionario-9872.html
10 – http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2017/10/13/internas_economia,726522/portugal-esta-sendo-redescoberto-diz-economista.shtml
11 – https://www.istoedinheiro.com.br/noticias/investidores/20110119/venezuela-tem-maior-reserva-petroleo-mundo/62946
12 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Sa%C3%BAde_em_Portugal
13 – https://www.cartacapital.com.br/blogs/pagina-operaria/lava-jato-o-golpe-e-a-destruicao-do-brasil
14 – http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/11/1934119-eua-anunciam-novas-sancoes-contra-a-venezuela.shtml
15 – http://www.bbc.com/portuguese/internacional-41060655
Rio de Janeiro, 13 de março de 2018.
Autor: Emanuel Cancella, OAB/RJ 75.300, ex-presidente do Sindipetro-RJ, fundador e ex- diretor do Comando Nacional dos Petroleiros, da FUP e fundador e coordenador da FNP , ex-diretor Sindical e Nacional do Dieese, sendo também autor do livro “A Outra Face de Sérgio Moro” que pode ser adquirido em: http://emanuelcancella.blogspot.com.br/2017/07/a-outra-face-de-sergio-moro-pontos-de.html.
OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.
(Esse relato pode ser reproduzido livremente)
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