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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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  1. Gilson AS

    25 de dezembro de 2013 3:38 am

    Entenda a farsa do dia 25 de Dezembro – Natal

    NATAL: FESTA PAGÃ QUE SE TORNOU CRISTÃ.

      http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/124989/Natal-Festa-pag%C3%A3-que-se-tornou-crist%C3%A3.htm.: Enfeitar uma árvore, iluminar as casas e as ruas, trocar presentes, reunir a família e os amigos ao redor de uma farta ceia: são apenas algumas características do Natal herdadas de tradições pagãs muito mais antigas do que o próprio Cristo; leia reportagem especial de Luis Pellegrini, editor da revista Oásis sobre as origens da celebraçãoParece incrível, mas a escolha da data não tem nada a ver com o nascimento de Jesus. Os romanos aproveitaram uma importante festa pagã realizada por volta do dia 25 de dezembro e “cristianizaram” a data, comemorando o nascimento de Jesus pela primeira vez no ano 354. Aquela festa pagã, chamada de Natalis Solis Invicti (“nascimento do sol invencível”), era uma homenagem ao deus persa Mitra, popular em Roma. As comemorações aconteciam durante o solstício de inverno, o dia mais curto do ano. No hemisfério norte, o solstício não tem data fixa – ele costuma ser próximo de 22 de dezembro, mas pode cair até no dia 25.A origem da data é essa, mas será que Jesus realmente nasceu no período de fim de ano? Os especialistas duvidam. “Entre os estudiosos do Novo Testamento e das origens do cristianismo, é consenso que ele não nasceu em 25 de dezembro”, afirma o cientista da religião Carlos Caldas, da Universidade Mackenzie, em São Paulo. Na Bíblia, o evangelista Lucas afirma que Jesus nasceu na época de um grande recenseamento, que obrigava as pessoas a saírem do campo e irem às cidades se alistar. Só que, em dezembro, os invernos na região de Israel são rigorosos, impedindo um grande deslocamento de pessoas. “Também por causa do frio, não dá para imaginar um menino nascendo numa estrebaria. Mesmo lá dentro, o frio seria insuportável em dezembro”, diz Caldas. O mais provável é que o nascimento tenha ocorrido entre março e novembro, quando o clima no Oriente Médio é mais ameno.

  2. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 9:30 am

    Retrospectiva: os melhores livros de 2013

    Antologia da literatura fantástica,
    de Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares, Silvana Ocampo

    Antologia da Literatura Fantástica

    Numa noite de 1937, ao conversar sobre ficções fantásticas, três amigos – Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Silvina Ocampo – resolveram criar uma antologia com seus autores preferidos. Três anos depois, foi lançada a Antologia da literatura fantástica, consolidada em sua edição definitiva 25 anos depois, obtendo enorme sucesso não só de estima como de público. Do filósofo Martin Buber ao explorador Richard Burton, passando pela tradição dos contos orientais, além de Cortázar, Kafka, Cocteau, Joyce, Wells e Rabelais, são 75 histórias – não só contos, como fragmentos de romance e peças de teatro – que nos apresentam uma literatura marcada pelo imaginário e por um modo diferente de representar a realidade. (Do site da Cosac Naify).

    Assim na terra,
    de Luiz Sérgio Metz

    Assim na Terra

    A longa viagem de Luiz Sérgio Metz pelo sul – viagem talvez de toda vida, mas certamente de um romance – foi publicada ainda em 1995, poucos meses antes da morte do escritor. Editado outra vez em 2013, pela Cosac Naify, Assim na terra pode agora ir além dos elogios da crítica especializada, algo que de alguma maneira já havia conseguido na época do lançamento, para então alcançar os leitores que o romance não teve na década em que foi pensado e escrito. Em Assim na terra, desfilam ideias e escritores, aparecem modernos tratores e seres perdidos no caminho, surgem as transformações que impactam no ambiente rural e no homem. Romance distinto de quase todos os outros, Assim na terra reaparece para os leitores quase vinte anos depois – com a impressão de que ali estão palavras novas, frases que ainda não haviam sido lidas. (Por Iuri Müller).

    Barba ensopada de sangue,
    de Daniel Galera

    Barba Ensopada de Sangue

    Neste quarto romance de Daniel Galera, um professor de educação física busca refúgio em Garopaba, um pequeno balneário de Santa Catarina, após a morte do pai. O protagonista (cujo nome não conhecemos) se afasta da relação conturbada com os outros membros da família e mergulha em um isolamento geográfico e psicológico. Ao mesmo tempo, ele empreende a busca pela verdade no caso da morte do avô, o misterioso Gaudério, que teria sido assassinado décadas antes na mesma Garopaba, na época apenas uma vila de pescadores. Sempre acompanhado por Beta, cadela do falecido pai, o professor esquadrinha as lacunas do pouco que lhe é revelado, a contragosto, pelos moradores mais antigos da cidade. Portador de uma condição neurológica congênita que o obriga a interagir com as outras pessoas de modo peculiar, o professor estabelece relações com alguns moradores: uma garçonete e seu filho pequeno, os alunos da natação, um budista histriônico, a secretária de uma agência turística de passeios. Aos poucos, ele vai reunindo as peças que talvez lhe permitam entender melhor a própria história. (Do site da Companhia das Letras).

    Barreira,
    de Amilcar Bettega

    Barreira

    Fátima mostra Istambul através da janela, como que alcançando a cidade com a mão. Aponta o Haliç, os bairros de Fener e Balat, identificáveis apenas através das luzes. Quem observa do outro lado da câmera é Ibrahim, pai de Fátima, que está em Porto Alegre. Ele logo viajará a Turquia, mas Fátima não estará no aeroporto e tampouco na pensão onde costumava se hospedar. Barreira, primeiro romance do escritor gaúcho Amilcar Bettega, começa com o desespero de Ibrahim, mas se esparrama pelas ruas de Istambul, chega a Paris e não para de encontrar situações mal resolvidas. “Eu queria um livro intencionalmente construído a partir de e entre buracos e pontos obscuros, de maneira que ao final fosse impossível ter-se uma versão incontestável daquilo que o romance contava”, disse o autor sobre o livro que integra a coleção “Amores Expressos”, da Companhia das Letras. (Por Iuri Müller).

    Divórcio,
    de Ricardo Lísias

    Divórcio

    O ponto de partida de Divórcio é bastante simples: com cerca de quatro meses de casamento, Ricardo Lísias encontra o diário de sua esposa. Ao abri-lo, lê uma passagem e fica estarrecido. A mulher com quem acabara de se casar, uma jornalista da área de cultura e critica de cinema, se revelava nas páginas de seu diário uma fria arrivista, que via Ricardo com desprezo. Afinal, apesar de ser um escritor promissor, ele passava os seus dias lendo e escrevendo e não possuía grandes ambições materiais. A partir dessa descoberta, acompanhamos pari passu a luta do autor para se recuperar e voltar a escrever e a desconstrução que ele opera do lugar de onde a sua ex-esposa saiu, a redação dos grandes jornais e revistas do país, a partir de um retrato duro de seus atores, os jornalistas. (Por Éder Silveira)

    Essa coisa brilhante que é a chuva,
    de Cíntia Moskovich

    Essa Coisa Brilhante que é a Chuva

    Depois de lançar Por que sou gorda, mamãe?, um dos mais apreciados romances brasileiros em 2006, Cíntia Moscovich apresenta ao público Essa coisa brilhante que é a chuva, volume que reúne contos inéditos escritos ao longo de seis anos e que teve o patrocínio de Petrobras Cultural e do Ministério da Cultura. Com muita originalidade e impressionante sensibilidade, Cíntia Moscovich aborda temas corriqueiros e inevitáveis: o ciúme do filho pela mãe, a adoção de um cachorro abandonado, um jovem casal às voltas com uma reforma na casa. Valendo-se de muito humor — e da tragédia sempre correspondente —, a autora conseguiu uma reunião de contos tão coesos, e tão divertidos, que mais parecem uma só narrativa, tornando a leitura uma experiência única. (Do site da editora Record).

    Poética,
    de Ana Cristina César

    Poética

    Ana Cristina Cesar deixou em sua breve passagem pela literatura brasileira do século XX uma marca indelével. Tornou-se um dos mais importantes representantes da poesia marginal que florescia na década de 1970, justamente pela singularidade que a distanciava das “leis do grupo”. Criou uma dicção muito própria, que conjugava a prosa e a poesia, o pop e a alta literatura, o íntimo e o universal, o masculino e o feminino – pois a mulher moderna e liberta, capaz de falar abertamente de seu corpo e de sua sexualidade, derramava-se numa delicadeza que podia conflitar, na visão dos desavisados, com o feminismo enérgico, característico da época.  Entre fragmentos de diário, cartas fictícias, cadernos de viagem, sumários arrojados, textos em prosa e poemas líricos, Ana Cristina fascinava e seduzia seus interlocutores, num permanente jogo de velar e desvelar. Cenas de abril,Correspondência completa, Luvas de pelica, A teus pés, Inéditos e dispersos, Antigos e soltos: livros fora de catálogo há décadas estão agora novamente disponíveis ao público leitor, enriquecidos por uma seção de poemas inéditos, um posfácio de Viviana Bosi e um farto apêndice. A curadoria editorial e a apresentação couberam ao também poeta, grande amigo e depositário, por muitos anos, dos escritos da carioca, Armando Freitas Filho. Dos volumes independentes do começo da carreira aos livros póstumos, a obra da musa da poesia marginal – reunida pela primeira vez em volume único – ainda se abre, passados trinta anos de sua morte, a leituras sem fim. (Do site da Companhia das Letras).

    Toda poesia,
    de Paulo Leminski

    Toda Poesia

    Paulo Leminski foi corajoso o bastante para se equilibrar entre duas enormes onstruções que rivalizavam na década de 1970, quando publicava seus primeiros versos: a poesia concreta, de feição mais erudita e superinformada, e a lírica que florescia entre os jovens de vinte e poucos anos da chamada “geração mimeógrafo”. Ao conciliar a rigidez da construção formal e o mais genuíno coloquialismo, o autor praticou ao longo de sua vida um jogo de gato e rato com leitores e críticos. Se por um lado tinha pleno conhecimento do que se produzira de melhor na poesia – do Ocidente e do Oriente -, por outro parecia comprazer-se em mostrar um “à vontade” que não raro beirava o improviso, dando um nó na cabeça dos mais conservadores. Pura artimanha de um poeta consciente e dotado das melhores ferramentas para escrever versos. Entre sua estreia na poesia, em 1976, e sua morte, em 1989, a poucos meses de completar 45 anos, Leminski iria ocupar uma zona fronteiriça única na poesia contemporânea brasileira, pela qual transitariam, de forma legítima ou como contrabando, o erudito e o pop, o ultraconcentrado e a matéria mais prosaica. Não à toa, um dos títulos mais felizes de sua bibliografia é Caprichos & relaxos: uma fórmula e um programa poético encapsulados com maestria. (Do site da Companhia das Letras).

    Todos nós adorávamos caibóis,
    de Carol Bensimon

    Por Bernardo Jardim Ribeiro -_-6

    Cora e Julia não se falam há alguns anos. A intensa relação do tempo da faculdade acabou de uma maneira estranha, com a partida repentina de Julia para Montreal. Cora, pouco depois, matricula-se em um curso de moda em Paris. Em uma noite de inverno do hemisfério norte, as duas retomam contato e decidem se reencontrar em sua terra natal, o extremo sul do Brasil, para enfim realizarem uma viagem de carro há muito planejada. Nas colônias italianas da serra, na paisagem desolada do pampa, em uma cidade-fantasma no coração do Rio Grande do Sul, o convívio das duas garotas vai se enredando a seu passado em comum e seus conflitos particulares: enquanto Cora precisa lidar com o fato de que seu pai, casado com uma mulher muito mais jovem, vai ter um segundo filho, Julia anda às voltas com um ex-namorado americano e um trauma de infância. Todos nós adorávamos caubóis é uma road novel de um tipo peculiar; as personagens vagam como forasteiras na própria terra onde nasceram, tentando compreender sua identidade. Narrada pela bela e deslocada Cora, essa viagem ganha contornos de sarcasmo, pós-feminismo e drama. É uma jornada que acontece para frente e para trás, entre lembranças dos anos 1990, fragmentos da vida em Paris e a promessa de liberdade que as vastas paisagens do sul do país trazem. Um western cuja heroína usa botas Doc Martens. (Do site da Companhia das Letras).

    Vida querida,
    de Alice Munro

    Vida Querida

    Os contos de Vida querida são ricos como romances – com personagens, tramas e vozes desenvolvidas em toda sua potencialidade -, mas, precisos como pede a tradição do gênero, prescindem de qualquer elemento que não seja essencial. O leitor, conduzido por narradores capazes de segurar a tensão do começo ao fim, se entrega a percursos surpreendentes, anunciados com sutileza e maestria em pistas esparsas. É o caso do conto que abre o livro, “Que chegue ao Japão”: Greta se despede do marido e parte com a filha numa viagem de trem que acaba se tornando uma aventura conflituosa pelos caminhos do desejo feminino; em “Dolly”, um casal de idosos decidido a acabar com a própria vida num gesto de cumplicidade e harmonia recebe uma visita inesperada do passado que irá abalar profundamente seus planos. Como nas demais coleções de contos da autora, mestre da forma breve, nos vemos diante de personagens que caminham nas beiradas da existência, arrancadas do cotidiano por golpes incisivos do destino e da loucura. Mas este Vida querida tem um diferencial que o coloca num nível novo; coroando uma carreira brilhante, a última parte do livro traz as quatro únicas narrativas autobiográficas já publicadas por Munro, que emprega toda a sua habilidade literária para refletir sobre o ato de narrar, a ficção e os temas que regem sua obra: memória, trauma, morte. Vida: vida. (Do site da Companhia das Letras).

    http://www.sul21.com.br/jornal/retrospectiva-os-melhores-filmes-e-livros-de-2013/

  3. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 9:43 am

    Retrospectiva: os melhores filmes de 2013

    Ah, as listas de fim de ano… Como suportá-las? E como não lê-las, nem que seja para se irritar com a ausência do filme querido ou com a presença daquilo que se detestou visceralmente? Como resultado de ampla discussão no ambiente Sul21, chegamos a dez livros, mas, devido aos muitos e exaltados apartes, não obtivemos chegar ao mesmo número de filmes. Resultado: são dez livros e onze filmes. Os filmes foram comparados e colocados em ordem de preferência. É a cultura pública e comum de nosso tempo. Já os livros não foram lidos por todos, o que tornou a discussão menos drástica.

    Aliás, na lista de livros, tivemos a colaboração de Lu Villela, da Bamboletras, que não apenas fez sua lista como repassou a lista dos livros mais vendidos de sua livraria, talvez a de público “mais literário” de Porto Alegre. E, nos filmes, algo de estranho: contrariamente aos últimos anos e em contrariedade à legenda da foto abaixo, temos onze filmes consistentemente bons.

    Cena de abertura da obra-prima Holy Motors: todos dormem assistindo a chatice do cinema atual...

    Cena de abertura da obra-prima Holy Motors: todos dormem assistindo a pasmaceira do cinema atual…

    Além de Lu Villela, colaboraram os jornalistas Iuri Müller e Débora Fogliatto, além do historiador Éder Silveira e diversos sites de editoras, dos quais utilizamos textos.

    .oOo.

    Os onze melhores filmes de 2013:

    ~ 1 ~
    Tabu

    tabu-2012-004-speeding-motorboke-and-open-top-car

    Tabu é grande cinema. E esta afirmativa vem carregada de significados. Pois são as imagens da segunda parte do filme, “O Paraíso Perdido” — trecho com som, mas sem diálogos –, que dão sentido a esta elogiadíssima obra do português Miguel Gomes. Aliás, a seção “O Paraíso Perdido” é uma arrebatadora reconstrução da memória de tempos idos. Tabu foi filmado em glorioso preto e branco e conta uma história de amor. Dele emana um charme passadista, mas sem ranço, devido a uma estrutura narrativa lotada de artifícios inteligentes e de bom gosto. Tudo em Tabu trabalha para a poesia e para a história. Um filme imperdível.

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=-Zi3k0JpivY%5D

     

    ~ 2 ~
    Holy Motors

    Holy-Motors-photo-13

    Leos Carax filma pouco, infelizmente. Seus Sangue Ruim (1986) e Os Amantes de Pont-Neuf (1991) são filmes de referência para os cinéfilos. Holy Motors (2012) não é uma obra destinada àqueles que desejam uma história linear e convencional. O Sr. Oscar — vivido por Denis Lavant, ator onipresente nos filmes de Carax — tem um estranho trabalho. Anda de limusine por Paris, recebendo ordens para atuar em diversos papéis que lhe são passados por uma estranha organização. E percorre a cidade cumprindo uma série de compromissos sem nexo entre si, onde humor e drama não estão ausentes. Há uma cena de dança, outra em esgotos e cemitérios, há outra em o Sr. Oscar morre de forma tocante (e subitamente acorda para o próximo compromisso), outra é um crime e assim vamos visitando diversos gêneros cinematográficos que deságuam numa intrigante cena final, onde várias limusines comentam que o mundo não quer mais emoção, no que parece uma crítica ao cinema atual. Quem é sua plateia? Onde estão as câmeras? Qual sua verdadeira identidade?

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=BlTIc2F9diU%5D

     

    ~ 3 ~
    A Bela que Dorme

    bella-addormentata

    A Bela que Dorme, o último filme de Marco Bellocchio, tem como eixo narrativo a história real de Eluana Englaro, italiana que passou vinte anos vivendo de maneira artificial e gerou enorme debate sobre a eutanásia no país. Assim, diversos personagens e situações convergem para o drama de Eluana – como o senador que se vê em crise com a política e se posiciona de forma contrária ao seu partido sobre a questão, a filha religiosa do político que se apaixona por um manifestante, e a suicida que busca as janelas de um hospital italiano para pôr fim à vida. Em A Bela que Dorme, estão contidos os temas pendentes da Itália de hoje e o direito à salvação – da ou pela morte – dos seus taciturnos personagens. (Por Iuri Müller.)

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=mdaI_gvAhyY%5D

     

    ~ 4 ~
    O Cavalo de Turim

    o cavalo de turim

    O que Béla Tarr propõe é uma experiência sensorial e semântica inteiramente distinta do que é possível em qualquer outro gênero artístico. O jogo que o diretor estabelece com o tempo apenas é possível no cinema, talvez no teatro. O Cavalo de Turim mostra seis dias de dois personagens — pai e filha — que vivem numa casa de pedra na zona rural da Hungria entre a aridez, o vento e o frio constantes. Falta tudo, tudo é monotonia e tudo é vida, dor e trabalho. (Coincidência, não?) Eles só têm batatas para comer, têm também um poço minguante, um destilado que deve ser parecido com a vodka, creio, e um cavalo velho e doente. Seus dias são iguais, com poucas variações, sempre no aguardo de condições melhores. Talvez a melhor descrição de O Cavalo de Turim seja a de um filme de cenas quase iguais — mas sempre filmadas de forma diferente — sobre a pesada rotina de vidas sacrificadas. Tarr vai curiosamente acumulando tempo sobre tempo e sua insistência acaba por mostrar a força e o cansaço, equilibrando-se entre a tão somente sobrevivência e a provável aniquilação, numa compassiva melancolia da resistência. Duro, mas imperdível.

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=ZNkN_xCXozw%5D

     

    ~ 5 ~
    O Som ao Redor

    kleber mendonca filho

    Filmaço. A narrativa é um mosaico de histórias de moradores de uma rua de classe média do Recife. Nela, re­side o empresário que expandiu seus negócios na base da especulação imobiliária — e que antes era um senhor de engenho — , o filho temeroso da violência urbana, os dois netos — um que trabalha alugando os apartamentos da família e outro um estudante que arrom­ba carros –, outra família gerida por uma mãe estressa­da que não suporta os latidos de um cão de guarda. Ou seja, pessoas rotineiras, comuns. Então, o que faz de O Som ao Redor um filme tão significativo e bom? Ora, os excelentes diálogos, as boas atuações e a ousadia e inventividade do diretor Kleber Mendonça, que fez uma inteligente abordagem de alguns temas como o preconceito de classe, a especulação imobiliária, a violência, o racismo estilo Brasil, o consumismo. O Som ao Redor não é um filme experimental, ao contrário, ele abre portas para o diálogo com o público, ao estabelecer um corpo-a-corpo com seu tempo histórico. Filmaço.

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=rj0eeHW7lXU%5D

     

    ~ 6 ~
    Amor

    Michael Haneke Emmanuelle Riva Jean-Louis Trintignant na rodagem de Amor

    Justamente elogiado e premiadíssimo — a fim de dar chance a outras produções, Michael Haneke pediu para ficar de fora de algumas disputas após vencer Cannes e o Globo de Ouro — , Amor é um retrato realista e digno da velhice. É a história de Anne (Emmanuelle Riva, 85 anos, a mais velha indicada ao Oscar de melhor atriz) e Georges (Jean-Louis Trintignant, 82), dois professores de música aposentados que vivem tranquilamente em Paris. O casal faz compras, vai a concertos, cozinham, tomam café da manhã e convivem após décadas de amizade, cumplicidade e amor. É quando Anne tem um AVC, ficando com um lado do corpo paralisado e precisará de auxílio. O filme é extraordinário. Michael Haneke é um dos raros diretores contemporâneos que têm acumulado filmes relevantes, nada esquecíveis. Código Desconhecido, Caché, Violência Gratuita, A Professora de Piano e A Fita Branca são claras comprovações de que este austríaco veio para marcar deixar sua marca no cinema do início deste século.

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=kM5gjFVswUc%5D

     

    ~ 7 ~
    A Caça

    a caça vinterberg

    Thomas Vinterberg é um grande cineasta. Talvez sua produção seja superior — qualitativamente — a de seu conterrâneo e ex-companheiro de Dogma 95 Lars von Trier. Penso até que Vinterberg seja o que von Trier pretende ser. O diretor tem duas obras-primas em seu currículo: Festa de Família (1998) e Submarino (2010). Neste A Caça, Lucas (Mads Mikkelsen) trabalha em uma creche. Boa praça e amigo de todos, ele tenta reconstruir a vida após um divórcio complicado, no qual perdeu a guarda do filho. Tudo corre bem até que, um dia, a pequena Klara (Annika Wedderkopp), de apenas cinco anos, diz à diretora da creche que Lucas lhe mostrou suas partes íntimas. Klara na verdade não tem noção do que está dizendo, apenas quer se vingar por se sentir rejeitada em uma paixão infantil que nutre por Lucas. A acusação logo faz com que ele seja afastado do trabalho e, mesmo sem que haja algum tipo de comprovação, seja perseguido pelos habitantes da cidade em que vive.

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=gwxYwb7NbDI%5D

     

    ~ 8 ~
    Um Toque de Pecado

    um toque de pecado

    Um filme extraordinário. Quatro histórias que dialogam entre si, todas elas tiradas da crônica policial, retratando a violência e a mudança de valores na China. Há a cena do funcionário que tenta denunciar a corrupção em sua vila — o resultado é que toma uma surra espetacular e acaba decidindo pegar em armas. Há a cena da moça que, confundida com uma prostituta, recusa os avanços de um “cliente” e é por ele esbofeteada com um maço de cédulas de dinheiro. Pois bem, o capitalismo toma conta do país e o simbolismo de confundir e esbofetear alguém com dinheiro é claro. Aqui, Jia Zhang-Ke faz seu filme mais universal, abordando a criminalidade de um país emergente, misturando gêneros — o policial, a ação taiwanesa, o filme de samurai — para construir uma crônica polifônica da China atual, que é, na verdade, um faroeste.

    (Só encontramos o trailer do filme com legendas em inglês. Pedimos desculpas).

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=I3n4PifG22M%5D

     

    ~ 9 ~
    Azul é a Cor mais Quente

    Adele Exarchopoulos Lea Seydoux

    Primeiro filme baseado em quadrinhos a ganhar a Palma de Ouro em Cannes, Azul é a cor mais quente narra a história de amadurecimento, amor e sofrimento da jovem Adèle (chamada Clementine no livro). No início da trama, ela é uma adolescente insegura que encontra uma menina de cabelos azuis e, ao se aproximar dela, entra em conflito com sua própria ideia de sexualidade, com sua família e colegas. O relacionamento de Adèle e Emma, intenso e conturbado, é interpretado de forma realista e sensível pelas atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux, que também foram reconhecidas com o prêmio de Cannes. As cenas de sexo explícito entre as duas garotas causaram polêmica e geraram críticas da autora da história original ao diretor Abdellatif Kechiche, chegando a classificá-las como pornográficas e a dizer que foram claramente pensadas do ponto de vista de um homem heterossexual. Apesar das pesadas críticas, o coração da HQ de Julie Maroh está no filme: o retrato de uma garota apaixonada lidando com a sua sexualidade, suas angústias e a intolerância da sociedade. (Por Débora Fogliatto).

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=3qxWpl-_PQo%5D

     

    ~ 10 ~
    Tatuagem

    tatuagem

    Com Irandhir Santos em dia ainda mais brilhante do que em “A Febre do Rato” e “O Som ao Redor”, Tatuagem tem na desenvoltura dos seus atores o motivo para os maiores elogios. Ambientado em Recife, o filme de Hilton Lacerda narra a história de amor entre o líder do grupo de teatro “Chão de Estrelas” e um jovem soldado do Exército brasileiro – durante a ditadura militar. A nudez onipresente, a forma com que a dramaturgia toma conta do enredo e as cores do insólito relacionamento (entre cálido, inocente e impossível) fazem com que o encantamento permaneça firme durante os 110 minutos. (Por Iuri Müller).

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=UwSX2SlHpEg%5D

     

    ~ 11 ~
    Depois de Maio

    cena-do-filme-frances-depois-de-maio-dirigido-por-olivier-assayas

    Em 1971, nos arredores de Paris, Gilles é um jovem estudante imerso na atmosfera criativa e política da época. Como os seus colegas, ele está dividido entre o investimento radical na luta política e a realização de desejos pessoais. Entre descobertas amorosas e artísticas, sua busca o leva à Itália e ao Reino Unido, onde ele deverá tomar decisões essenciais ao resto de sua vida. Antes de ser o painel de uma geração, Depois de Maio é um filme sobre escolhas. Na primeira cena, um professor diz que entre céu e inferno existe a vida. Na cena seguinte, Gilles já está panfleteando na frente da escola, lembrando que a manifestação foi proibida pela polícia. A manifestação e uma batalha campal acontecem. Os policiais batem a valer. Para onde ir? Belo filme de Olivier Assayas.

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=MoumsQyiJ2o%5D

    http://www.sul21.com.br/jornal/retrospectiva-os-melhores-filmes-e-livros-de-2013/

  4. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 10:13 am

    2013: ano da confrontação da mídia tradicional

    Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, traz lista em que celebridades dizem o que pensam da imprensa; “Não sou a favor da regulação do conteúdo. Sou a favor da regulação do negócio”, disse a presidente Dilma; ‘Em 45 anos de atuação na área jurídica, nunca presenciei um comportamento tão ostensivo buscando pressionar e virtualmente subjugar a consciência de um juiz’, disse o ministro Celso de Mello; “A Globo é a principal emissora do Brasil. As outras vivem”, afirmou Silvio Santos

    O ano de 2013 foi também marcado pelo debate sobre o comportamento da imprensa na cobertura de fatos marcantes, como o julgamento da AP 470 do Supremo Tribunal Federal. As mídias alternativas se tornaram um importante canal contra linhas tendenciosas de mídias tradicionais.

    A prova desse contexto é uma lista publicada por Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que revela o que presidentes, magistrados e até um dono de grupo de comunicação pensam da imprensa.

    Leia alguns destaques:

    “Os canais públicos, em uma revolução como a que estamos vivendo na Venezuela, têm que formar o povo, educar o povo, prepará-lo para essa revolução. Têm que sair defendendo a verdade frente a uma ditadura midiática que promoveu um golpe de Estado”

    NICOLÁS MADURO, presidente da República Bolivariana da Venezuela, ainda candidato, na primeira entrevista exclusiva a um meio de comunicação estrangeiro depois da morte de Hugo Chávez, em 7 de abril

    “O que eu e Lula jamais aceitaremos é que se mexa na liberdade de expressão. Vou te dizer o seguinte: não sou a favor da regulação do conteúdo. Sou a favor da regulação do negócio”

    DILMA ROUSSEFF, Presidente da República, em entrevista exclusiva, em 28 de julho

    “Certa vez me perguntaram por que o STF só cuidava de réus ricos. Não. O tribunal cuida de réus ricos e de pobres. Mas a imprensa só se interessa pelos ricos”

    GILMAR MENDES, ministro do STF, ao falar à coluna sobre o sistema carcerário, em 8 de dezembro

    “Eu honestamente, em 45 anos de atuação na área jurídica, nunca presenciei um comportamento tão ostensivo dos meios de comunicação sociais buscando, na verdade, pressionar e virtualmente subjugar a consciência de um juiz”

    CELSO DE MELLO, ministro e decano do STF, na única entrevista exclusiva que deu sobre o caso do mensalão, em 26 de setembro

    “A Globo é a principal emissora do Brasil. Ganha muito dinheiro. As outras vivem”

    SILVIO SANTOS, apresentador e dono do SBT, em entrevista exclusiva, em 23 de junho

    http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/125017/2013-ano-da-confronta%C3%A7%C3%A3o-da-m%C3%ADdia-tradicional.htm

  5. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 10:20 am

    Papai Noel velho batuta: os

    Papai Noel velho batuta: os anúncios mais canalhas do “bom” velhinho

    O velho capitalista que roubou o Natal de Jesus já vendeu coisas do arco-da-velha… Na verdade, só recentemente ele ficou politicamente correto e passou a anunciar apenas brinquedos e coisas “inofensivas”, como aqueles refrigerantes que estão deixando a criançada obesa. Confira de que produtos o “bom” velhinho já foi garoto propaganda.

    (Ho, Ho, Ho. Olha o que eu trouxe)

    (Fumacinha gostosa…)

    (Todo mundo ama um bom cigarrinho…)

    (Lucky Strike desce suave em minha garganta)

    (Vamos vestir algo mais confortável, Papai Noel?)

    (Noite feliz… hic!)

    (Sim, Papai Noel, quero whisky)

    (Papai Noel e seu saco de bondades)

    (Papai Noel querido, me traga um rifle, prometo ser bonzinho)

    http://socialistamorena.cartacapital.com.br/papai-noel-velho-batuta-os-anuncios-mais-canalhas-do-bom-velhinho/

  6. alexis

    25 de dezembro de 2013 11:02 am

    Parauapebas

    Assis,

    Cadê a materia que você tinha postado mais cedo?

  7. Kamerval Tivita Marinhos

    25 de dezembro de 2013 11:38 am

    O vergonhoso Escrete do Jornalismo Reaça 2013

    Os jornalistas mais reacionários de 2013: minha seleção

    Email inShare

    Postado em 24 Dec 2013por : Merval e Ayres Britto:quem disse que jornalista não tem amigo?

    Merval e Ayres Britto:quem disse que jornalista não tem amigo?

    Bem, final de ano é tempo de retrospectiva.

    O DCM acompanhou a mídia com atenção, e então vai montar sua seleção de jornalistas do ano, o Time dos Sonhos do atraso e do reacionarismo, o TS, o melhor do pior que existiu na manipulação das notícias.

    A cartolagem é parte integrante e essencial do TS: Marinhos, Frias, Civitas, Mesquitas etc.

    À escalação:

    No gol, Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo. Devemos a ele coisas como a magnífica cobertura da meia tonelada de cocaína encontrada no famoso Helicóptero do Pó, pertencente à família Perrella.

    Kamel é também notável pela sagaz tese de que não existe racismo no Brasil.

    Na ala direita, dois jogadores, porque pela esquerda ninguém atua. Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes são os selecionados. Os blogueiros da Veja são entrosados, e pô-los juntos facilita o trabalho de treinamento do TS.

    Azevedo se notabilizou, em 2013, por ser comparado por diferentes mulheres a diferentes animais, de pato a rottweiler.

    Nunes brilhou por lances de genialidade e inteligência – e total ausência de preconceito —  como chamar Evo Morales de “índio de franja” e classificar Lula de “presidente retirante”.

    Uma disputa interessante entre Nunes e Azevedo é ver quem utilizou mais a palavra “mensaleiros”. Gênios.

    Na zaga, uma inovação: duas mulheres. Temos a cota feminina no TS do DCM. Eliane Cantanhede, colunista da Folha, e Raquel Scherazade, a versão feminina de Jabor.

    Ambas defenderam valentemente o país dos males do lulopetismo, e fizeram a merecida apologia de varões de Plutarco da estatura de Joaquim Barbosa, o magistrado do apartamento de Miami.

    No meio de campo, três jogadores de visão: Jabor, Merval e Míriam Leitão. Sim, a cota feminina subiu durante a montagem do TS.

    Jabor se celebrizou em 2013 pela rapidez com que passou da condenação absoluta à louvação incondicional das jornadas de junho quando seus superiores na Globo lhe deram ordem para mudar o tom.

    Merval entrará para a história pelo abraço fraternal em Ayres de Britto, registrado pelas câmaras. Merval conseguiu desmontar a tese centenária e mundialmente reverenciada de Pulitzer de que jornalista não tem amigo.

    E Míriam Leitão antecipou todas as calamidades econômicas que têm assaltado o país, a começar pela redução da desigualdade e pelo nível de emprego recorde.

    Numa frase espetacular em 2013, Míriam disse que só escreve o que pensa. Aprendemos então que ela é tão igual aos patrões que poderia ser o quarto Marinho, a irmãzinha de Roberto Irineu, João Roberto e Zé Roberto.

    No ataque, dois Ricardos, também para facilitar o entrosamento. Ricardo Setti e Ricardo Noblat. Setti foi uma revelação, em 2013, no combate ao dilmismo, ao lulismo, ao bolivarianismo, ao comunismo ateu e à varíola. Noblat já é um jogador provado, e dispensa apresentações. Foi o primeiro blogueiro a abraçar a honrosa causa do 1% no Brasil.

    Para completar o trio ofensivo, Eurípides Alcântara, diretor da Veja. Aos que temiam que a Veja pudesse se modernizar mentalmente depois da morte de Roberto Civita, Eurípides provou que sempre se pode ir mais adiante.

    Suas últimas contratações são discípulos de Olavo de Carvalho, o astrólogo que enxerga em Obama um perigoso socialista. Graças a Eurípides, em todas as plataformas da Veja, o leitor está lendo na verdade a cabeça privilegiada de Olavo.

    Na reserva do TS, e abrindo espaço para colunistas que não sejam necessariamente jornalistas, dois selecionados.

    O primeiro é Lobão, novo colunista da Veja e novo olavete também. No Roda Viva, Lobão defendeu sua reputação de rebelde ao fugir magistralmente de uma pergunta sobre o aborto.

    O outro é o professor Marco Antônio Villa, que conseguiu passar o ano sem acertar nenhuma previsão e mesmo assim tem cadeira cativa em todas as mídias nacionais.

    O patrono do TS é ele, e só poderia ser ele: José Serra.

    Mas Joaquim Barbosa pode obrigar Serra a cedê-la a ele, JB, nosso Batman, nosso menino pobre que mudou o Brasil e, nas horas vagas, arrumou um emprego para o júnior na Globo.

     

    Paulo Nogueira

    Sobre o Autor

    O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

     

  8. alexis

    25 de dezembro de 2013 12:43 pm

    Parauapebas e o Brasil

    Parauapebas (região de Carajás, PA) nasce como acampamento de empreiteiras, junto com o desenvolvimento da mineração em Carajás. Estive lá, pela primeira vez, em 1987. Um aglomerado de casas e algum comércio de rua, sem nenhum asfalto. Recentemente – estive em 2013 – vejo crescimento e atividade urbana desordenada, com uma sensação de vida provisória em ambiente provisório, que não entra em qualquer sonho de futuro de ninguém que mora por lá, pelo menos não alguém com mais estudos, expectativas e poder aquisitivo. Quando o local onde você mora não faz parte do seu sonho de futuro ele se torna provisório, sem amor por ele, onde importa apenas o presente e a expectativa de sair logo de aí. Isso gera violência.

    As pessoas moram na cidade de Parauapebas como se elas estivessem de passo, por curto período, assim como morando em apartamento alugado, sem interesse em reformar, arrumar defeitos, pintar, trocar os cabos da eletricidade ou qualquer coisa assim. O local vai apenas se deteriorando. Quando a cidade não é sua nem de ninguém o ambiente vira violento e inóspito, literalmente uma “terra de ninguém”. Se existisse um Alfaville perto, as pessoas abastadas morariam por lá (deixando mais triste Parauapebas), embora também provisoriamente, como acontece parcialmente com o bonito acampamento da VALE, onde poucos executivos ainda moram. O resto fica mesmo naquela “Sin City” (como no filme).

    A VALE contribui, em muito, com a atividade mineral que sustenta aos seus habitantes e, por tanto, torna suportável o “hoje”. Em compensação, a própria VALE contribui em forma decisiva sobre a inexistência de futuro, para a população e para o ambiente urbano dessa cidade.

    VALE, como muitas outras mineradoras, privilegia (por razões de custo) a implantação das atividades industriais para locais próximos onde o depósito mineral se encontra, ou seja, transporta gente de um lado para outro ao invés do minério. Operários e até engenheiros da VALE moram em Parauapebas e demoram quase 2,5 horas em ir até o local de trabalho e o mesmo tempo para voltar. O homem sai antes das galinhas acordarem e volta em casa já de noite. Isso não é vida e, ainda, ninguém deve pensar que essa cidade seja um lugar de futuro para sua própria família. Do tipo: durma e trabalhe, durante alguns anos, junte dinheiro e volte à civilização. A rotatividade do pessoal da mineração é enorme.

    É como as elites brasileiras, que ganham dinheiro e dormem provisoriamente no Brasil, mas os seus investimentos e sonhos estão em Miami. Brasil é uma grande Parauapebas e, cada vez que sai dinheiro ou gente para fora, fica uma sensação de pobreza e abandono, que gera violência. Em Belo Horizonte, por exemplo, a violência aumenta e a qualidade da vida cai cada vez que um indivíduo mais abastado sai da cidade para morar no Alfaville ou em qualquer um dos numerosos condomínios da região sul. Essas cidades, assim como Brasil todo, correm o risco de virar uma “Detroit”.

    Para Parauapebas (e para o Brasil) a melhor solução é de lutar, mediante a legislação sócio-ambiental, para que as atividades industriais e mineradoras possam ser concentradas em locais próximos de centros urbanos adequados, que gerem pólos de desenvolvimento e de atividades complementares, onde seja reduzido o tempo de viagem para qualquer pessoa que invista a sua vida laboral (e até o seu futuro) nesse local. A gente deve ser privilegiada e não o minério. Ainda, que seja gerado um clima de vida que assegure ao povo naquele espaço, criando janelas de futuro que, algum dia, façam desse lugar algo digno de sonhar e de criar filhos.

    Brasil é assim mesmo. Somente a industrialização e/ou verticalização da produção permitiria ao Brasil sair de uma condição de país meramente exportador de matérias primas e asseguraria – pelo menos com alguma força maior que hoje – às nossas elites e cidadãos mais abastados dentro do Brasil. Apenas um elevado PIB local não faz de nenhum lugar um espaço legal para viver e sonhar, muito menos uma nação. O que importa mesmo é conseguir que as pessoas gostem, fiquem, sonhem e construam o futuro aqui e não em terra estrangeira.

     

  9. Cláudio José

    25 de dezembro de 2013 1:06 pm

    RÉVEILLON DO BEM (DA) SOLIDARIEDADE
    RÉVEILLON DO BEM (DA) SOLIDARIEDADE Caros amigos (as) infelizmente esse natal para muitos dos nossos irmãos, não foi muito bom por causa das enchentes, muitos perderam tudo. Pensando nisso, gostaria de sugerir um projeto; O RÉVEILON DO BEM (DA) SOLIDARIEDADE onde o povo brasileiro numa grande corrente de solidariedade faria a sua parte, para amenizar essas perdas. Na praia de Copacabana e na Paulista por exemplo, seria montado postos, para receber donativos para as vítimas da chuva. Tenho certeza, que muita gente, gostaria de começar o ano fazendo o bem, e ajudando os nossos irmãos, que estão sofrendo nesse final de ano. Se cada colaborar e fizer a sua parte, esse Brasil, será muito melhor para todos, mais unido, fraterno e solidário.  Atenciosamente:
    Cláudio José, um amigo do povo e da paz. 

  10. Marco Santo

    25 de dezembro de 2013 1:11 pm

    Veja ilustre passageiro que

    Veja ilustre passageiro que belo tipo faceiro tem ao seu lado………… Assim, a manipulação funciona: Uma imagem registrada talvez no tempo em que o então advogado e procurador do MPF fazia suas andanças por Brasilia na busca do apoio politico para o seu pleito no STF. Nota-se um ilustre faceiro magro, sem ternos de “griffe”, sem óculos, sorridente acomodado na classe econômica de um avião da TAM no trecho BSB-CGH.  Observa-se ao seu lado uma ilustre passageira que lia comodamente o seu jornal. Usaram essa imagem manipulada para promover o mencionado hoje Presidente do STF, afirmando:

     

    Certamente hoje ele iria requisitar uma aeronave da Força Aérea tal qual fez quando foi ao Maracanã assistir um “joguinho” amigo. Certamente hoje ele é sempre acompanhado de “seguranças” para preserver a representação que ocupa no Poder Judiciário. E certamente jamais viajaria na classe economica como um ” simples “, afinal ele é o Joaquim Barbosa……….. Haja imaginação, mas desta vez “viajaram na Maionesse”…………

     

     

     

     

    1. Marco Santo

      25 de dezembro de 2013 1:18 pm

      Para mim é um SÓSIA…..

      Para mim é um SÓSIA…..

      1. Rita Candeu

        25 de dezembro de 2013 1:51 pm

        não há dúvida que é um sósiaa

        não há dúvida que é um sósia
        a posição dele de Juiz do Supremo  nem permitiria que ele viajasse assim, Ministros e demais tem um protocolo a seguir, incluindo a indumentária – e é claro o óculos

        e em fotos de 2003 – quando ele entrou no STF tinha muito mais cabelo

        portanto tbm não é foto antiga

  11. jns

    25 de dezembro de 2013 2:01 pm

    A Erva na Escola

    A Maconha Financia o Ensino no Colorado

    O Estado do Colorado fez história na segunda-feira, dia 23 de dezembro de 2013, ao tornar-se o primeiro dos EUA a emitir centenas de licenças para o uso recreativo da maconha.

    (FILES) Young men smoke a marijuana cigarette during a "smoke out" with thousands of others at the University of Colorado in Boulder, Colorado. (AFP Photo / Chris Hondros)

    Jovens fumam maconha durante uma “smoke out” com milhares de outros na Universidade do Colorado, em Boulder, no Colorado.

    A Colorado’s Marijuana Enforcement Division já aprovou 348 licenças, sendo:

    – 178 para o cultivo

    – 136 para a comercialização da maconha,

    –   31 empresas de produtos com infusão de maconha,

    –     3 para laboratórios de teste de maconha. 

    Todos os liciamentos tiveram de ser aplicados até o final de outubro, a fim de serem liberados na Véspera de Ano Novo e começar a operar em 1º de janeiro. 

    O Estado do Colorado e de Washington se tornaram os primeiros a legalizar o uso recreativo da maconha depois que os eleitores aprovaram as medidas em referendos.

    “O Colorado será o primeiro estado a ter um mercado da maconha legal para adultos”, disse Mason Tvert, o porta-voz do Marijuana Policy Project e um dos líderes da campanha para a legalização do Colorado. Ao Denver Post, ele afirmou: “Esperamos dar o exemplo para os outros estados. “

    Será aplicada uma taxação de 15 por cento de imposto especial sobre o consumo e outro de 10 por cento de imposto sobre vendas de maconha no Colorado. 

    As autoridades esperam que estes impostos possam injetar cerca de US $ 70 milhões no orçamento anual do Estado. 

    O primeiro 4 milhões de dólares já foram reservados para projetos escolares.

    “Estamos agradecidos aos eleitores que aprovaram o financiamento que permitirá um ambiente regulatório forte, assim como ocorre com as bebidas alcoólicas”,  disse à Reuters, o governador John Hickenlooper, depois que os eleitores aprovaram as normas sugeridas pelas autoridades estaduais. 

    Um homem chamado Henry Hemp inala maconha usando uma caneta vaporizador em HempCon maconha medicinal show no Centro de Convenções de Los Angeles.  (Foto: AFP / Robyn Beck)

    Henry Hemp inala maconha usando uma caneta vaporizadora no HempCon Medical Marijuana Show no Los Angeles Convention Center.  (Foto: AFP / Robyn Beck)AFP Photo / Chris Hondros)

    O governador, originalmente, fazia oposição a legalização da maconha, mas saiu em apoio após a regulamentação da proposta de aplicação de impostos.

    “Faremos tudo ao nosso alcance para garantir que as crianças não fumem maconha e que não tenhamos pessoas transportando quantidades elevadas. Esta medida eleitoral dá, ao Colorado, a capacidade de regular a maconha corretamente”, acrescentou Hickenloope em um comunicado.

    Apesar da emissão de 348 licenças, nem todas vão começar a operar em 1 º de janeiro. 

    Além de receber a aprovação do Estado, as instalações relacionadas à maconha também devem obter permissão de jurisdições locais. 

    De acordo com o Denver Post, apenas oito lojas na capital do Colorado estão qualificadas para abrir as portas aos clientes no primeiro dia de 2014. 

    Noventa e quatro outros licenciamentos aprovados pelo Estado ainda estão buscando superar os obstáculos do processo de licenciamento local.

    Em Denver, por exemplo, os empreendimentos relacionados com a maconha devem passar por uma audiência pública e cinco inspeções da prefeitura, a fim de obter uma licença no município.

    Mais:  http://rt.com/usa/marijuana-legalization-laws-challenge-holder-180/

  12. Cláudio José

    25 de dezembro de 2013 2:25 pm

    RÉVEILLON DO BEM (DA) SOLIDARIEDADE (corrigido)
    RÉVEILLON DO BEM (DA) SOLIDARIEDADE Caros amigos (as) infelizmente esse natal para muitos dos nossos irmãos, não foi muito bom, por causa das enchentes, muitos perderam tudo. Pensando nisso, gostaria de sugerir um projeto; O RÉVEILLON DO BEM (DA) SOLIDARIEDADE onde o povo brasileiro numa grande corrente de solidariedade faria a sua parte, para amenizar essas perdas. Na praia de Copacabana e na Paulista por exemplo, seria montado postos, para receber donativos para as vítimas da chuva. Tenho certeza, que muita gente, gostaria de começar o ano fazendo o bem, e ajudando os nossos irmãos, que estão sofrendo nesse final de ano. Se cada um colaborar e fizer a sua parte, esse Brasil, será muito melhor para todos, mais unido, fraterno e solidário.  

  13. Assis Ribeiro

    25 de dezembro de 2013 3:00 pm

    Reflexão para o Natal. Hélder Câmara.

    “Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e mãe dos homens!
    Mariama, mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra.
    Pede a teu filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver.
    Mas é importante, Mariama, que a igreja de teu filho não fique em palavras, não fique em aplausos.
    O importante é que a CNBB, a Conferência dos Bispos, embarque de cheio na causa dos negros.
    Como entrou de cheio na pastoral da terra e na pastoral dos índios.
    Não basta pedir perdão pelos erros de ontem.
    É preciso acertar o passo de hoje sem ligar ao que disserem.
    Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo.
    É Evangelho de Cristo, Mariama!
    Mariama, mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grandes problemas humanos.
    Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões.
    Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas.
    O mundo precisa fabricar é paz.
    Basta de injustiças!
    Basta de uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar.
    Basta de uns tendo que vomitar para comer mais e 50 milhões morrendo de fome num só ano.
    Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia.
    Mariama, Nossa Senhora, mãe querida, nem precisa ir tão longe, como no teu hino.
    Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e os pobres de mãos cheias.
    Nem pobre, nem rico!
    Nada de escravo de hoje ser senhor de escravos amanhã.
    Basta de escravos!
    Um mundo sem senhores e sem escravos.
    Um mundo de irmãos.
    De irmãos não só de nome e de mentira.
    De irmãos de verdade, Mariama!”
    (Dom Hélder Câmara)

  14. Marco St.

    25 de dezembro de 2013 3:13 pm

    O rolezinho e um Natal na

    O rolezinho e um Natal na periferia

     Renato Rovai

     

     

    A mãe que trabalha de manicure e faxineira comprou um lindo relógio de presente de Natal para o marido, que é empreiteiro.

    O filho, de 16 anos, que trabalha com o pai, pediu pra dar uma volta com o presente novo. Queria mostrar pros amigos. Saiu de casa e em menos de 30 minutos estava de volta.

    Tinha sido assaltado.

    Um carro da PM parou os garotos, deu uma blitz e um dos policiais ficou indignado com o que viu.

    – Como você tem um relógio desses, garoto? Ladrãozinho, né?

    O garoto tentou explicar que era do pai.

    Não adiantou.

    Tomou um chacoalhão e ainda viu o policial levar os 30 reais que tinha na carteira.

    Voltou para casa desolado, com raiva e chorando.

    A mãe me contou essa história hoje pela manhã, remediada.

    É comum, me disse.

    Garotos de periferia que saem bem vestidos e são parados em blitz costumam ser assaltados e apanhar da polícia.

    São tratados como malandros.

    Ladrãzinhos.

    Os rolezinhos que assustam os frequentadores de shopping centers são café pequeno. Sobremesas do que essa garotada passa diariamente.

    E são apenas um alerta.

    Um grito de existência.

    Por enquanto eles só estão pedindo para que se respeite o direito deles à diversão. A poder fazer seus bailes funks sem serem atormentados e agredidos.

    Atendê-los o quanto antes, entender por que eles tem um ódio imenso da polícia e tentar criar uma nova situação é fundamental.

    É bizarro que a gente considere esse apartheid social algo normal.

    Feliz Natal para todos.

  15. Antonio Carlos Silva - RJ

    25 de dezembro de 2013 3:30 pm

    Velha mídia quer a

    Velha mídia quer a Presidência de presente de Natal

    Enquete feita entre colunistas do mais tradicional veículo da velha mídia mostra o que eles pretendem em 2014: mandar na política e ditar a opinião pública

       0  A A+

    Antonio Lassance Arquivo

     

    O jornalista Ancelmo Góis fez uma enquete junto a outros colunistas do jornal O Globo para saber o que eles esperam de 2014. Merval Pereira espera que as coisas continuem ruins no ano que vem, mas acha que vão piorar. Carlos Alberto Sardenberg, Míriam Leitão e Zuenir Ventura torcem por mais protestos – “protestos vigorosos”, quer Sardenberg. Ricardo Noblat pediu a Papai Noel que dê discernimento aos brasileiros para escolher o próximo presidente da República. Se é para dar, supõe-se que é porque ainda não temos.

    A enquete deixa claro o que o mais tradicional veículo da velha mídia está preparado para fazer em 2014. É o mesmo que fez em 2013: pegar carona na insatisfação popular para tentar influir decisivamente no mundo da política. Desgastar aqueles de quem não gosta para dar uma força àqueles que são seus prediletos.

    A mídia que foi escorraçada das ruas e teve que mascarar as logomarcas de seus microfones quer repetir o que sempre fez em eleições presidenciais: entrar em campo e desempenhar o papel de partido de oposição.

    As corporações midiáticas se organizam para, mais uma vez, interferir no resultado das eleições porque disso depende o seu negócio. De novo, entram em campo para medir forças. Já estão acostumadas a partir para o tudo ou nada. Vão testar, pela enésima vez, a quantas anda seu poder sobre a política. Disso fazem notícia e assim agem para deixar os políticos e os partidos de joelhos, estigmatizados, envergonhados e obsequiosos.

    Como nos ensinou Venício Lima, uma Presidência, um Congresso e partidos achincalhados são incapazes de propor uma regulação decente da mídia, nem mesmo para garantir a liberdade de expressão, a diversidade de fontes de informação, a pluralidade de opiniões e um mercado da comunicação não cartelizado.

    Em 2013, as corporações midiáticas, mais uma vez, anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar. E não é que o tal do mundo não se acabou? Quando os protestos de junho tomaram as ruas, o preço do tomate tinha ido às alturas. O PIB de 2012 se tornou conhecido e seu crescimento havia sido próximo de zero. Os reservatórios estavam bem abaixo do normal e “especialistas” recomendavam rezar para que não houvesse apagão. O caso Amarildo fez derreter a quase unanimidade que havia em defesa do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (as UPPs).

    Parecia que o país ia mal das pernas e que um modelo de governança estava esgotado e ruindo. Tudo levava a crer que a presidência Dilma havia entrado em um beco sem saída. Mas saiu. Ela recuperou sua popularidade, enquanto seus adversários potenciais caíram em preferência de voto e aumentaram sua rejeição.

    O ano terminou melhor do que começou, para o governo e para o País. A inflação vai fechar dentro da meta. Assim deve permanecer no ano que vem, por mais que alguns analistas queiram, usando razões que a própria razão desconhece, nos fazer crer que o limite da meta é algo fora da meta (quem sabe os dicionários, no ano que vem, tragam um novo sentido para a palavra “limite”). Não houve apagão e as térmicas foram desligadas mais cedo do que se imaginava.

    O crescimento do PIB, em 2014, deve ser maior do que o deste ano. Educação e saúde terão mais recursos e têm saído melhor na percepção aferida em pesquisas. O Brasil, no ano que vem, continuará com um dos maiores superávits primários do mundo, ainda mais com a entrada de novos recursos vindos da exploração do pré-sal e das concessões de infraestrutura.

    Mas os pepinos continuam sendo muitos. Alguns serão particularmente difíceis de se descascar no ano que vem. Um é a ameaça de as agências de avaliação de risco rebaixarem a nota do Brasil. Outro é o descrédito das políticas de segurança pública, em todos os estados, mas respingando no Governo Federal.

    O terceiro e, possivelmente, o mais explosivo, seria o mesmo de 2013: uma nova onda de aumento das tarifas de ônibus, o que tradicionalmente acontece no primeiro semestre de cada ano. A derrota do aumento do IPTU em São Paulo, na Justiça, tirou do mapa a única situação que se imaginava sob controle. O eixo Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte é o que mais preocupa o Planalto. Se algo der errado, no ano que vem, terá como epicentro provável essas três capitais, podendo alastrar-se para as demais.

    Os protestos de 2013 foram uma tempestade perfeita. Várias questões mal resolvidas e acumuladas no estresse diário dos cidadãos se transformaram em revolta nas ruas, juntando alhos e bugalhos. Imprevisíveis, tempestades perfeitas, como foram as jornadas de junho, são também difíceis de se repetirem. Difíceis, mas não impossíveis.

    Basta um pequeno risco para se ter uma grande preocupação. Os três problemas mais sensíveis do momento (a percepção internacional sobre a economia do país, a segurança pública e as tarifas de ônibus) conformam a agenda prioritária do primeiro trimestre de 2014 a ser toureada diretamente pelo Palácio do Planalto. Os meses de janeiro a março de 2014 serão mais agitados do que o normal, pelo menos, na Esplanada dos Ministérios.

    O trimestre seguinte, de abril a junho, será o período mais crítico. Ali se concentram as datas-base da negociação trabalhista de várias categorias; a briga de foice de muitos interesses para entrarem na pauta do esforço concentrado do Congresso; o período final do acerto das candidaturas presidenciais e estaduais; finalmente, claro, a Copa do Mundo de Futebol.

    Que venha 2014. Que venha mais ousadia de todos os governos e partidos. Que venham mobilizações em favor dos mais pobres e com os mais pobres nas ruas, com suas organizações sociais, populares e seus partidos –  até para que os partidos possam abrir menos a boca e mais os ouvidos. Que os brasileiros mostrem que a voz das ruas não é aquela fabricada pelas manchetes das corporações midiáticas. Que a opinião pública mostre, ao vivo e em cores, que a sua verdadeira opinião é normalmente o avesso da opinião publicada. Que venham surpresas, pois são delas que surgem as mudanças.

    (*) Antonio Lassance é cientista político.

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