Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
Marcos Chiapas
28 de dezembro de 2013 2:03 amTransferências de renda e a realidade do capital
Transferências de renda e a realidade do capital
A política de transferência de renda aos estratos socialmente sucumbidos do proletariado é o máximo a que se propõe a burguesia para atenuar os efeitos sociais mais deletérios do capitalismo, a fim de não admitir a responsabilidade do capital pela pobreza, nem muito menos pôr em causa as necessidades da acumulação. Por Luiz Henrique Cunha
Desde antes da vigente crise do emprego da força de trabalho pelo capital, já instalada em todo o mundo há três décadas e com perspectivas crescentemente sombrias, que o capitalismo, ao longo de sua história, deixara patente sua incapacidade de utilizá-la de um modo socialmente útil, ainda que lucrasse com tal. E com o desmoronamento do padrão de emprego “fordista” que o capitalismo conseguira alcançar após a segunda guerra mundial, atualizou-se a anomalia que se acha instalada no DNA desse modo de produção: a de só gerar riqueza pela via da criação de pobreza em larga escala, desdobrando-a até níveis subumanos. Todo esse desenvolvimento social desigual está fundamentado no processo da acumulação do capital, cuja “lei absoluta” foi pela primeira vez descrita solidamente por Karl Marx.
A dimensão de um crescimento acelerado das multidões de pobres e famintos nos diferentes países da periferia capitalista e até do centro assustou na passada década de 90 o comando geral da burguesia internacional. Anos antes, no início de mais um espasmo na acumulação do capital, ela havia prescrito “planos de ajuste” aos seus governos nacionais (envolvendo redução drástica dos gastos sociais, privatização e vedação à ação econômica estatal), que culminaram na explosão do desemprego e da pobreza e miséria. Assim, rapidamente formataram-se recomendações de políticas públicas de transferência de renda, que foram assumidas pela ONU como os “Objetivos do Milênio”: diminuir pela metade até 2015 o número de miseráveis em cada país, consideradas aquelas famílias que disponham de menos de US$1,25 diários per capita (na avara contabilidade da tecnocracia capitalista, pobres não miseráveis formam uma faixa superior… com menos de US$2,00 diários per capita!).
Limites tão rebaixados (que é como a burguesia internacional “precifica” os índices vitais mínimos dos trabalhadores) certamente servirão para que vários governos capitalistas comemorem a superação da meta. Comparativamente, como veremos, o governo brasileiro considera como “linha da pobreza” o valor-limite de R$140,00 per capita mensais, ou cerca de US$2,60 diários.
A política de transferência de renda aos estratos socialmente sucumbidos do proletariado é o máximo a que se propõe a burguesia para atenuar os efeitos sociais mais deletérios do capitalismo, a fim de não admitir a responsabilidade do capital pela pobreza, nem muito menos pôr em causa as necessidades da acumulação. A ideologia que ela destila a toda a sociedade é que, pelo contrário, e a despeito do que expressa em contrário o processo real de valorização do capital verificado há décadas, só a livre acumulação do capital trará o subproduto da elevação econômica dos trabalhadores. Nem por uma fração de segundo a burguesia e seus governos vão admitir que a pobreza seja filha primeira da expropriação dos meios de vida dos produtores sociais, a começar pela terra. Tampouco esses proprietários privados dos meios sociais de produção vão reconhecer que a concorrência pela valorização dos seus capitais torne supérfluas massas de trabalhadores, que se veem bloqueadas do acesso à retribuição do trabalho no processo de acumulação. E seja dito que o salário, quando pago nessas circunstâncias, e ainda que expropriado de mais-valia, é o liame que atrela a renda do trabalhador ao carro da valorização do capital.
Os beneficiários do programa são os extremamente pobres, famílias vivenciando ou ameaçadas por déficit alimentar e fragilização dos seus laços, para as quais se definiu como linha de acesso a disponibilidade de um máximo de R$140,00 de renda per capita mensal. Ainda que esse seja um piso aviltado para um padrão mínimo de vida, os descartados do capital beneficiários do programa somam quase 12,5 milhões de famílias, que representam cerca de um quarto das famílias brasileiras. Esse contingente dos que não dispõem de renda sequer para aplacar a fome diária envolve principalmente as populações rurais e semiurbanas do Nordeste e Norte, embora seja eloquente nas aglomerações urbanas populares das regiões metropolitanas do Sudeste. Tal número já de si avassalador, e que denuncia a que quadro de aflição foi reduzido o proletariado brasileiro pelo sacrossanto capitalismo, esconde outra realidade cruel: as famílias também pobres mantidas rigidamente de fora do programa pelos vigilantes do orçamento público. Pode-se imaginar quanta privação (inclusive alimentação insuficiente) se aloja na ampla faixa de famílias com membros adultos recebendo de 1 a 2 salários mínimos (faxineiras, autônomos, biscateiros, informais e precários de todo o tipo), mas cuja renda per capita supere o teto de entrada no programa.
A política de transferência – temporária – de renda às famílias desses bolsões de pobreza calcula que ao término da mesma elas terão adquirido condições de se “emancipar” da bolsa, seja pela absorção em um emprego formal (para o qual deverão ser qualificadas) ou pela montagem de um negócio próprio (urbano ou rural), com crédito a juros especiais.
O sucesso dessa “emancipação econômica” fica entretanto na dependência da recriação de um padrão de acumulação intensivo de trabalho na economia capitalista brasileira. Esse desejo vai, no entanto, na contramão do processo atual do capitalismo mundial, pois o modus operandi clássico do capital para absorver força de trabalho excedente (seu exército industrial de reserva), via uma dinâmica de acumulação trabalho-intensiva, cede cada vez mais lugar à acumulação capital-intensiva. O resultado é o descarte crescente de segmentos da classe trabalhadora, lançados à precariedade social.
As necessidades que o capital tem atualmente para explorar trabalho no Brasil são satisfeitas grosso modo em dois níveis: por um estrato de ponta, composto pelo trabalhador dotado de qualificação específica para as atividades econômicas dinamizadas pelos impulsos do mercado mundial, as quais se desenrolam sob pressão de feroz concorrência internacional, com continuidade sempre incerta; e pelo estrato de massa, composto do trabalhador com qualificação mínima, absorvido pelas atividades intensivas de trabalho, como a da construção civil urbana e pesada, da agricultura e alimentação de exportação (atividades entretanto muitas vezes sazonais e em agudo processo de automação), da extração mineral, dos serviços auxiliares da atividade industrial (telecomunicações, transporte, comércio, limpeza etc.). Para as vagas sempre insuficientes nesse setor do emprego massivo é que vão se dirigir aqueles beneficiários profissionalmente qualificados do Bolsa Família, entrando em concorrência com os milhões de outros trabalhadores, pobres, mas não contemplados pelo programa, e que já dispõem de alguma experiência de assalariamento no “mercado de trabalho”.
Não, o governo de Lula da Silva não sonha sonhos impossíveis, como o fim da exploração do trabalho; tem os pés na “realidade concreta”: batalha pela “emancipação econômica” dos pobres, ensina-os a ter zelo pelo dinheiro, a “adquirir uma consciência bancária”, como apregoa emocionado o ministro responsável pelo programa. Nesses tempos de esquerda absorvida, as palavras do ideário anticapitalista são apoderadas e redefinidas. Não nos assustemos, pois, se do meio da circunspecta intelectualidade socialista que apoia o governo ouvirmos um brado em estilo pedagógico contra os críticos radicais: “não se pode esperar que as gerações futuras adquiram consciência da necessidade e possibilidade de um novo regime social: trata-se de resgatar da pobreza extrema a geração atual!”.
Marco St.
28 de dezembro de 2013 2:10 amUma idéia simples, barata e com inúmeros benefícios.
Achei a idéia muito boa e caíria como uma luva em qualquer grande cidade brasileira.
França pretende pagar para quem for trabalhar de bicicleta
El País
Em troca de subsídios dados às empresas, trabalhadores receberiam 21 centavos de euro por quilômetro percorrido
O Governo gastará 20 milhões de euros com a medida e espera poupar 5,6 bilhões de euros na área da saúde
O objetivo: incentivar o uso da bicicleta. Com esta ideia em mente, alguns países realizaram diversas propostas, desde baixar os impostos que taxam as bikes até elaborar um Plano Nacional da Bicicleta. A França propõe algo a mais: subsidiar os trabalhadores que pedalarem até seu local de trabalho. Com uma cifra de 21 centavos de euro por quilômetro percorrido, Thierry Mariani, atual ministro do Transporte, retoma uma ideia proposta por seu antecessor. As empresas realizariam o abono, em troca de isenções fiscais. O Governo gastará 20 milhões de euros com a medida e espera poupar 5,6 bilhões de euros na área da saúde.
A aposta da França nas bicicletas é séria. Depois de aprovar um ambicioso Plano Nacional da Bicicleta, que permite que os ciclistas circulem na contramão em algumas vias ou interpretem alguns semáforos vermelhos como amarelo, Paris segue seu esforço para promover as duas rodas. Agora, além de poupar em combustível, melhorar seu estado de saúde e favorecer um ambiente urbano mais limpo, os franceses que pedalam para o trabalho receberão um plus econômico.
Esta ideia não é nova. Mas agora, com as pinceladas que o ministro do transporte deu sobre a medida, parece avançar um passo mais. Embora os ciclistas estejam encantados com a proposta, ela recebeu críticas dos ativistas porque não será uma subvenção obrigatória para todas as empresas. O Governo oferecerá bonificações fiscais para assegurar a adesão da maioria das companhias, mas conta com um orçamento limitado de 20 milhões de euros. A subvenção estará dentro de um programa integral que busca melhorar a circulação dos ciclistas nas cidades, financiando a construção de estacionamentos de bicicletas em zonas estratégicas ou aumentando a segurança para evitar roubos.
Em outros países da Europa, como Espanha, ainda há poucas medidas para fomentar o uso da bicicleta. Um plano espanhol aprovado em outubro oferecia ajuda de 200 euros para a compra de bicicletas elétricas. O deputado Odón Elorza (PSOE) apresentou uma proposta para impulsionar o uso da bicicleta. Entre as medidas, pedia uma liquidação do IVA (imposto sobre o valor da mercadoria) que taxa as bicicletas, que o abaixaria de 21% a 10%. Outra das propostas era a elaboração de um Plano Nacional da Bicicleta semelhante aos lançados na França, Grã-Bretanha ou Alemanha. Além disso, propunha a constituição do Conselho Estatal da Bicicleta, uma entidade que reuniria os diferentes ministérios implicados em mobilidade, entidades, associações e empresas do setor para permitir o dialogo sobre o ciclismo. “Em mobilidade ainda há muito o que se fazer”, comentava Elorza, depois de apresentar sua proposta.
Tamára Baranov
28 de dezembro de 2013 8:10 amO pedófilo que Carlitos escondeu
Por Euler de França Belém
Da Revista Bula
Depois da leitura deste texto, você certamente continuará admirando Chaplin, mas terá também uma visão mais ampla sobre o homem que Carlitos eventualmente escondia
Carlitos é tão imenso, tão universal, que engolfou Chaplin. Quem é Carlitos? Quem é Chaplin? Carlitos e Charles (Charlie) Spencer Chaplin (1889-1977) se tornaram, com o tempo, uma só pessoa. O personagem se tornou indivíduo e o indivíduo se tornou personagem. Um mito do século 20 que certamente migrará para os próximos séculos. Um ator e diretor admirável, praticamente incomparável. Mas o homem que dizia “amo as mulheres, mas não as admiro” é conhecido apenas dos que apreciam biografias, algumas não raro tediosas e exageradas. Para conhecer a vida e a obra, em sua diversidade, é fundamental ler “Chaplin — Uma Biografia Definitiva” (Editora Novo Século, 792 páginas), de David Robinson. Há uma apresentação nuançada das contradições do artista-indivíduo. “Charlie Chaplin” (Zahar, 120 páginas), de André Bazin, é um clássico. Como vou me ater exclusivamente sobre um aspecto às vezes negligenciado da vida do rei do entretenimento de qualidade, o sexual, cito apenas “A Vida Íntima Sexual de Gente Famosa” (Record, 521 páginas, tradução de Vera Mary Whately), de Irving Wallace, Amy Wallace, David Wallechinsky e Sylvia Wallace. Sensacionalista? Sim, mas com histórias confirmadas pelos livros ditos sérios. A obra não diminui o artista, mas torna o homem mais “mortal”, quer dizer, menos “angelical”. Porque Carlitos aproxima Chaplin de um querubim.
Depois da leitura deste texto, você certamente continuará admirando Chaplin, o genial diretor-ator de “O Garoto” (1920), “Em Busca do Ouro” (1925), “Luzes da Cidade” (1931) e “Tempos Modernos” (1936), mas terá também uma visão mais ampla sobre o homem que Carlitos eventualmente escondia. O pai de Chaplin, Charles, era alcoólatra e sua mãe tinha problemas mentais. Como o pai abandonou a família e sua mãe vivia internada em sanatórios, o menino passou a infância nas ruas, orfanatos e casas de correção. O adolescente trabalhou como barbeiro, faxineiro de teatro e figurante em peças de vaudeville.
Nascido na Inglaterra, Chaplin foi para os Estados Unidos em 1913, aos 24 anos. Integrante da Companhia Fred Karno, “um grupo inglês de teatro vaudeville”, chamou a atenção do produtor Mack Sennet, que o convocou para o cinema. Agradou o público americano e, depois de oito filmes, amealhou 1 milhão de dólares — na época, uma fortuna considerável. Em sete anos, de 1913 a 1920, fez 69 filmes mudos. “Perfeccionista temperamental, frequentemente rodava 50 vezes a quantidade de metragem necessária.”
Um dos primeiros workaholics do cinema, Chaplin não parava. Era uma “máquina” de produzir filmes, quase sempre de alta qualidade. Ao mesmo tempo que trabalhava muito, o ator-diretor tinha uma vida sexual intensa e pouco ortodoxa. Ele dizia que gostava de fazer sexo quando “estava chateado”. “Sua preferência era por garotinhas; o resultado disso foram quatro casamentos (três com mulheres de 18 anos ou mais moças), 11 filhos, e um harém de amantes.”
Homem de energia invulgar, tanto artística quanto física, Chaplin batizou seu pênis de “oitava maravilha do mundo” — devido ao tamanho “avantajado”. “Chaplin gostava mais do que qualquer outra coisa de deflorar uma meninota virgem”, nota Irving Wallace. “A forma mais bonita da natureza humana é a menina bem mocinha começando a desabrochar”, disse, nada politicamente correto para os tempos atuais.
Chaplin tinha o hábito de acolher meninas em seu estúdio. A primeira da lista, Mildred Harris, tinha 14 anos, em 1916, quando entrou para o círculo íntimo do diretor. Chaplin prometeu que a garota seria estrela de um filme, mas, quando ela disse que estava grávida, o diretor não gostou. Sob pressão da mãe de Mildred, teve de se casar, em 1918. “A gravidez de Mildred era alarme falso.” Mais tarde, tiveram um filho, com deficiência física, que viveu apenas três dias. O ator e a alpinista social se divorciaram em 1920.
Irving Wallace conta que, para atrair garotas, Chaplin contratava “artistazinhas” para dublar a atriz principal, “tanto em cena como na cama”. Lita Gray chamou a atenção do diretor quando tinha somente 6 anos. Aos 12 anos, andava pelo estúdio de Chaplin “sob os olhares amorosos do seu diretor dominador. (…) Em 1923, durante a filmagem de ‘Em Busca do Ouro’, tentou violentá-la no quarto de hotel que ela ocupava. ‘Ele beijou minha boca e meu pescoço e seus dedos voaram para o meu corpo apavorado’, escreveu Lita”. Mas Chaplin não era um Casanova que desistia. Depois de muito insistir, “tirou a virgindade de Lita”, na sauna de sua casa. “Chaplin era muito consciente de seu charme sexual. Uma vez, quando Lita comentou que ele podia provavelmente ter qualquer uma de cem meninas em dois minutos, Chaplin corrigiu-a rapidamente. ‘Cem, não’, disse ele, ‘mil’.” Como o diretor não usava preservativos, pois achava-os “repelentes”, Lita, de 16 anos, ficou grávida. Chaplin tinha 35 anos.
Ao ser informado por Lita da gravidez, Chaplin sugeriu que abortasse. Lita rejeitou a proposta e não quis 20 mil dólares para se casar com outro homem. “Ameaçado por um processo de paternidade e acusação de estupro, Chaplin concordou em se casar. Na viagem do México a Los Angeles, depois do casamento, em 24 de dezembro de 1924, ele sugeriu à sua mulher grávida que se suicidasse, atirando-se pela janela do trem. Ainda assim, apesar de sua hostilidade, Chaplin conseguia separar o sexo da afeição, declarando que podia fazer amor com Lita embora a detestasse”, revela Irving Wallace. Em 1926 — bem antes, portanto, das investigações implacáveis do FBI de Edgar J. Hoover e do macarthismo —, Lita, então com dois filhos de Chaplin, pediu divórcio. Na ação — cópias eram vendidas nas ruas —, Lita dizia (é sua versão, mas crível) que “Chaplin teve nada menos do que cinco amantes durante os dois anos de casado; ameaçou-a com um revólver carregado mais de uma vez; quis tentar um ‘ménage à trois’, e demonstrou grande desejo em fazer amor em frente a uma plateia”. Lita também se recusava a fazer sexo oral em Chaplin, o que o deixava irritado.
A terceira mulher de Chaplin, a atriz Paulette Goddard, não era menor quando se casaram. Tinha 20 anos. O casamento, realizado no seu iate, o “Panacea”, naufragou cedo. Em 1941, Joan Barry, de 22 anos, começou a persegui-lo, dizendo-se apaixonada. O artista gostou, mas apenas no início. Porque Joan era maluca e quebrava janelas de sua casa e ameaçava se matar. Tinha o hábito de invadir sua casa e, por isso, Chaplin chamou a polícia para prendê-la. Estava grávida de três meses, mas o diretor não se importou com isso e Joan ficou um mês detida.
Em seguida, quando seus filhos assediavam Oona O’Neill (1925-1991), filha do dramaturgo Eugene O’Neill, Chaplin, sempre atento às meninas novas, cantou-a e prometeu-lhe casamento. Levou a melhor. Oona tinha 17 anos. Eles se casaram em 1943. Foram felizes, dizem as biografias. Aos 54 anos, Chaplin parecia sossegado, ainda que existam suspeitas de que tenha mantido algumas amantes. Mas sua vida, pouco a pouco, foi deixando de ser escandalosa e os tabloides perderam o precioso maná.
Mesmo se relacionando com a equilibrada Oona, Chapin continuava “perseguido” por Joan Barry, que, além de um processo de paternidade, exigia uma polpuda pensão. Chaplin deu-lhe dinheiro e, por isso, acabou indiciado pelo governo. No julgamento, um verdadeiro circo, o advogado de Joan disse que Chaplin era “um nanico de Svengali” e “um homem desprezível e libidinoso”. Talvez seja uma síntese do Chaplin que se esconde na pele do “romântico” Carlitos, mas, claro, há também um evidente exagero, porque o ator-diretor, como criador, era muito mais do que disse o advogado. Como um exame mostrou, a criança não era filha do famoso diretor. Na verdade, Joan e o advogado queriam arrancar dinheiro do milionário Chaplin, o Pelé do cinema. Para chocar a plateia, e para forçar Chaplin a negociar, o advogado chegou a dizer que, sexualmente, o artista era impotente. Aos 55 anos, sem qualquer receio, Chaplin disse que “ainda era bastante potente sexualmente”. Irving Wallace declara que, embora absolvido e não fosse o pai da criança, “foi obrigado a pagar pensão”.
Como a imprensa e políticos americanos, como o senador Joseph McCarthy, anticomunista ferrenho, começaram a “perseguir” Chaplin, assim como fizeram com outros atores e diretores de cinema, o artista e Oona mudaram para a Suíça. Segundo Irving Wallace, Chaplin e Oona eram “felizes” e mantinham um relacionamento “sereno”. “Se tivesse conhecido Oona ou uma moça como ela há muitos anos, jamais teria tido problemas com mulheres. Toda minha vida esperei por ela sem nunca saber”, disse Chaplin — culpando, claro, as mulheres e perdoando-se pela libido exacerbada. As biografias admitem que procede que muitas mulheres se aproximavam do diretor para arrancar dinheiro ou conseguir bons papeis em seus filmes. Eram alpinistas sociais ou profissionais. “Chaplin teve mais oito filhos — o último quando estava com mais de 70 anos.”
O que se disse acima diminui Chaplin? Como artista, não. Porque os filmes de Chaplin aproximam-se de arte, porque são finamente perspicazes, artesanais e suas digitais aparecem com firmeza. Alfred Hitchcock e John Ford aproximavam-se de Chaplin. Ao mesmo tempo, como queria o próprio Chaplin, que jamais se considerou ideólogo, são entretenimento de primeira. Como escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade, “ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode/caminham numa estrada de pó e de esperança”. Chaplin e Drummond, “cansados” de serem modernos, se tornaram eternos, possivelmente. Com a recuperação de uma parte de sua vida que é intencionalmente esquecida, soterrada pelo mito, o da perfeição, e pelo crítico corrosivo da sociedade moderna, a que transforma o homem em máquina, tão descartável quanto uma máquina velha, o homem Chaplin talvez saia menor. Mas é provável, se visto de outro prisma, que o homem fica mais humano, com suas contradições e idiossincrasias. A vida sexual desregrada — às vezes com mulheres oportunistas, mesmo menores — integra a vida íntima do cidadão Chaplin.
Um campeão do sexo numa era pré-Viagra
As mulheres menos famosas aproximavam-se de Charlie Chaplin por dinheiro ou para conquistar um papel de proa em seus filmes. O diretor dava algum dinheiro e aproveitava-se — se é que só ele se aproveitava — de quase todas que o beiravam. Mas Chaplin, segundo Irving Wallace e parceiros, também “orgulhava-se de ir para a cama com mulheres influentes. Algumas das que conquistou foram Clare Sheridan, prima do primeiro-ministro inglês Winston Churchill; as atrizes Mabel Normand, Edna Purviance, Pola Negri, Louise Brooks e Marion Davies, a estrela que teve um longo caso com William Randolph Hearst [o inimigo de Orson Welles], e Peggy Hopkins Joyce, uma ‘Ziegfield Girl, que se tornou uma das mulheres mais ricas do mundo casando-se com cinco milionários. Ela e Chaplin eram muitas vezes vistos nadando nus perto da Ilha de Catalina”.
Chaplin tinha o hábito de recitar passagens eróticas de “Fanny Hill” e “O Amante de Lady Chaterley”, o belo (e proibido) romance de D. H. Lawrence, para as mulheres com as quais fazia sexo. Era um fenômeno na cama, segundo Irving Wallace. Ele tinha seis relações sexuais seguidas — antes do Viagra e do Cialis —, “com intervalos de cinco minutos, entre cada uma”. Gostava de voyeurismo. “Montou um telescópio de longo alcance em sua casa, que permitia ver o quarto de dormir de John Barrymore.”
Um de seus pensamentos preferidos: “Nenhuma arte pode ser aprendida de repente. E fazer amor é uma arte sublime, que exige prática para ser verdadeira e significativa”.
Tenente Aldo Raine
28 de dezembro de 2013 12:23 pmLuis,por sugestão gostaria
Luis,por sugestão gostaria que lesse o atigo de Hildergard Angel publicado ontem em seu blog e,se possível postasse aqui.Um dos textos mais tocantes que li nesses tempos onde bezerro não reconhece a mãe.
Rodolfo Machado
28 de dezembro de 2013 12:31 pmSobre ratos, transgênicos e queimas de arquivo
Nassif, considero muito importante estas informações publicadas na revista da SBPC, parece que não a limites para o poder das corporações como bem dito no post de ontem do Leonardo Boff.
Sobre ratos, transgênicos e queimas de arquivo
Do site da revista da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência):
http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/terra-em-transe/sobre-ratos-transgenicos-e-queimas-de-arquivo
Em sua coluna de dezembro, Jean Remy Guimarães comenta a decisão de uma revista científica de retirar estudo já publicado que apontou riscos da exposição a milho geneticamente modificado e pesticida para a saúde em testes com ratos.
Por: Jean Remy Guimarães
Estudo mostrando que ratos expostos a um tipo de milho transgênico e seu herbicida associado desenvolviam problemas de saúde foi retirado um ano após a publicação por “não ser conclusivo”. (foto: Agência de Notícias do Acre/ Flickr – CC BY 2.0)
Em coluna de setembro de 2012, comentei o artigo do professor Gilles-Eric Séralini, publicado na Food and Chemical Toxicology. Esse estudo, realizado ao longo de dois anos, mostrava que ratos expostos ao milho transgênico NK603 e ao Roundup, seu herbicida associado, desenvolviam diversos tumores, além de problemas renais e hepáticos.
Pois, acredite se quiser, o estudo foi retirado pela própria revista, pouco mais de um ano após sua publicação.
Segundo as normas dessa revista (e da esmagadora maioria delas), os únicos critérios que podem levar à decisão de retirar um trabalho publicado na mesma são: falha ética, plágio, publicação anterior em outro veículo ou ainda conclusões não confiáveis, seja por fraude ou erro de boa-fé (erro de cálculo, erro experimental).
No entanto, o editor-chefe da revista, Wallace Hayes, em carta de 19/11/2013 ao primeiro autor, informa a intenção de retirar o estudo da revista, esclarecendo que o fato não se deve a fraude ou sinais de deformação intencional dos dados.
O motivo alegado seriam as “legítimas preocupações relativas ao reduzido número de animais em cada grupo (dez ratos), assim como à escolha da linhagem de ratos utilizada nos testes”. O estudo teria sido ainda retirado devido a seu caráter “não conclusivo”.
A acusação de não conclusividade é parte do cinto de utilidades de todos os lobbies
corporativos incomodados por estudos que ousem duvidar da inocuidade de seus produtos
Note que nenhum dos motivos apresentados se enquadra nos critérios de exclusão explicitados nas normas da revista, o que motivou ríspidos protestos do professor Séralini e equipe, além de promessas de medidas legais. Lembre também que os testes toxicológicos realizados pelas próprias indústrias para licenciar seus produtos, transgênicos ou não, duram apenas três meses (contra os 24 do estudo do professor Séralini), e seus grupos experimentais contêm tipicamente… dez ratos.
A acusação de não conclusividade é parte do cinto de utilidades de todos os lobbies corporativos incomodados por estudos científicos que ousem duvidar da inocuidade de seus produtos. Se dependêssemos de estudos que provem com 100% de certeza que a exposição a chumbo, benzeno, amianto ou produtos de combustão é prejudicial à saúde, estaríamos todos respirando um ar pior que o de Londres no pico da revolução industrial e fumando em elevadores, ônibus, cinemas, escritórios e consultórios. Mas as corporações são assim: quando lhes convém, aceitam 95% de certeza, quando não, nem 100% são o bastante.
As más línguas juram que a decisão da revista se deve à recente inclusão, em seu comitê editorial, do biólogo Richard Goodman, professor da Universidade de Nebraska (EUA) e ex-funcionário da Monsanto. Pode até ser, mas nem precisava disso, pois breves buscas sobre o currículo dos demais membros do comitê revelam que vários deles têm ou tiveram estreitos laços com empresas de tabaco ou agroquímicas (sementes e pesticidas).
Inimigo infiltrado
Diante disso, a maior surpresa talvez não seja a retirada do artigo do professor Séralini dessa revista, mas sim a sua publicação inicial. Afinal, esses setores de atividade não se caracterizam por um histórico de relações harmoniosas com a ciência em geral e a toxicologia em particular.
Mas sabe como é: se você não pode vencer o inimigo, junte-se a ele. Ou infiltre-se. E é precisamente o que as corporações vêm se esmerando em fazer: nuclear todas as instâncias decisórias relevantes para seus interesses, sejam elas nacionais ou multilaterais, incluindo as próprias instituições científicas, como as revistas. Blogues, colunas ou matérias publicadas em qualquer meio de difusão que mencionem as palavras-chave sensíveis ao setor são também imediatamente detectadas, deflagrando uma blitzkrieg impiedosa visando à desmoralização e, portanto, eliminação da ameaça.
Se você acha que isso é teoria da conspiração, experimente estudar efeitos sanitários ou ambientais de qualquer coisa que seja produzida por uma entidade com CNPJ e concluir, mesmo que com apenas 95% de certeza, que eles não são inócuos. Você poderá, como o professor Séralini, ser acusado na web de pertencer a um movimento sectário cristão, e entrevistarão suas ex-colegas de jardim de infância, que revelarão que, sim, você grudava suas melecas embaixo da mesa e não trocava de cueca todo dia.
Esta coluna é testemunha privilegiada desse estado de coisas. Embora pouco otimistas e frequentemente ácidos, os textos aqui publicados raramente suscitam comentários de leitores, a menos que tenham como foco temas sensíveis para setores corporativos, como efeitos de pesticidas, transgênicos, emissões de carbono. Colunas sobre esses temas geram invariavelmente reações iradas, repetitivas, mas sempre instrutivas. Mas quem sabe resolvem ficar quietos desta vez, só para me contradizer?
Cientificamente, a suspensão da rotulagem só faria sentido se tivéssemos 95% de certeza que os transgênicos são inócuos à saúde
E enquanto não vêm a público os dados de novos estudos de longa duração sobre os efeitos de transgênicos, recomendados pela Agência Europeia de Segurança Sanitária da Alimentação, do Ambiente e do Trabalho (ANSES), o congresso dos ‘Estados Unidos do Brasil’ se prepara para votar uma resolução suspendendo a obrigatoriedade de rotulagem de produtos contendo transgênicos.
Cientificamente, a suspensão da rotulagem só faria sentido se tivéssemos 95% de certeza que os transgênicos são inócuos à saúde.
Temos mesmo, ou seria só queima de arquivo?
P.S.: Feliz ano novo, de preferência com uma ceia orgânica. Você nunca vai conseguir, se não tentar.
Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Gilson AS
28 de dezembro de 2013 2:21 pmNO PIOR IDH DO PAÍS, A LIÇÃO DOS MÉDICOS CUBANO
http://www.brasil247.com/pt/247/saudeebemestar/125193/No-pior-IDH-do-Pa%C3%ADs-a-li%C3%A7%C3%A3o-dos-m%C3%A9dicos-cubanos.htm
Gilson AS
28 de dezembro de 2013 2:30 pmDCM: VITÓRIA DE SAM ALVES É RETROCESSO MUSICAL
A sensação musical é subjetiva, pode agradar a uns e desagradar a outros, portanto, a opinial do DCM não é uma verdade absoluta.
http://www.brasil247.com/pt/247/cultura/125252/DCM-Vit%C3%B3ria-de-Sam-Alves-%C3%A9-retrocesso-musical.htm Editor do Diário do Centro do Mundo, o jornalista Kiko Nogueira afirma que a vitória de Sam Alves no “karaokê da Globo”, o The Voice Brasil, representa um atraso; “Não é agradável. Não é cantar. É gritar mais ou menos no tom”, diz ele
O programa “The Voice” deixa como legado uma praga sinistra na música brasileira: o oversinging, a exibição de musculatura vocal e virtuosismo estéril que destrói qualquer canção.
Não era uma tradição brasileira. É uma herança bastarda do gospel. É o que já fazem há algum tempo, lá fora, Christina Aguilera, Mary J. Blige, Jessica Simpson, Josh Groban, Beyoncée, a insuportável Céline Dion, entre outros. Torturam as notas até não sobrar nada delas, ignoram as letras em prol de um exibicionismo obtuso, matam a pauladas a gentileza.
O ganhador do karaokê da Globo, Sam Alves, começou sua epopeia esfaqueando a delicada “Hallellujah”, de Leonard Cohen, e terminou gritando alguma outra música. É um retrocesso para o Brasil. João Gilberto e Tom Jobim — e depois seus seguidores Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Roberto Carlos e outros –, haviam atirado no século 18 o vozeirão de canastrões como Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves e Ângela Maria. Perto desse pessoal do The Voice, Cauby, Ângela e Agnaldo Timóteo são silenciosos como a brisa.
Gilson AS
28 de dezembro de 2013 2:33 pmCOLLOR AO 247: “SEGUNDO TURNO, SÓ COM BARBOSA”
http://www.brasil247.com/pt/247/alagoas247/125220/Collor-ao-247-Segundo-turno-s%C3%B3-com-Barbosa.htm
Walker
28 de dezembro de 2013 2:55 pmEUGÊNIO BUCCI – O Estado de
EUGÊNIO BUCCI – O Estado de S.Paulo
Primeiro, eles acusavam a imprensa de ser um “partido de oposição” e pouca gente se incomodou. A acusação era tão absurda que não poderia colar. Numa sociedade democrática, relativamente estável e minimamente livre, os jornais vão bem quando são capazes de fiscalizar, vigiar e criticar o poder. O protocolo é esse.
A normalidade é essa. Logo, o bom jornalismo pende mais para a oposição do que para a situação; a imprensa que se recusa a ser vista como situacionista nunca deveria ser atacada. Enfrentar e tentar desmontar a retórica do poder, irritando as autoridades, é um mérito jornalístico. Sendo assim, quando eles, que se julgavam aguerridos defensores do governo Lula, brandiam a tese de que a imprensa era um “partido de oposição”, parecia simplesmente que os jornalistas estavam cumprindo o seu dever – e que os apoiadores do poder estavam simplesmente passando recibo. Não havia com o que se preocupar.
Depois, as autoridades subiram o tom. Falavam com agressividade, com rancor. A expressão “partido de oposição” virou um xingamento. Outra vez, quase ninguém de fora da base de apoio ao governo levou a sério. Afinal, os jornais, as revistas e as emissoras de rádio e televisão não se articulavam nos moldes de um partido: não seguiam um comando centralizado, não se submetiam a uma disciplina tipicamente partidária, não tinham renunciado à função de informar para abraçar o proselitismo panfletário. Portanto, acreditava-se, o xingamento podia ser renitente, mas continuava sendo absurdo.
Se os meios de comunicação tivessem passado a operar como partido unificado, com o intento de sabotar a administração pública, o que nós teríamos no Brasil seria um abalo semelhante ao que se viu na Venezuela em 2002. Ali, houve um conluio escandalosamente golpista dos meios de comunicação que, por meio de informações falsificadas, tentou derrubar o presidente Hugo Chávez, eleito democraticamente havia pouco tempo. Por fortuna, a quartelada mediática malogrou ridiculamente. Por escassez de virtú, Chávez passaria todo(s) o(s) seu(s) governo(s) se vingando das emissoras que atentaram contra ele.
No Brasil, não tivemos nada parecido. Nossa imprensa, convenhamos, é preponderantemente de direita e, muitas vezes, apresenta falhas de caráter, algumas inomináveis, mas nunca se perfilou com a organicidade de um partido político. Por todos os motivos, a acusação continuava sem pé nem cabeça.
Mas o fato é que começou a colar e o cenário começou a ficar esquisito. Agora, as inspirações até então submersas daquela campanha anti-imprensa afloram com mais nitidez. Era um recurso para dar tônus à disposição dos cabos eleitorais (de muitos níveis), para inflar o ânimo dos militantes de baixo e para inflar o ego dos militantes de cima. Agora, chegamos ao ponto de dizerem que os repórteres deram de ombros para a cocaína encontrada no helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG) porque ele, embora esteja filiado a um partido da base governista, teria lá suas inclinações consideradas pouco fiéis. Difícil saber. As mesmas vozes acusam os mesmos repórteres de terem exagerado na cobertura do julgamento do mensalão. Na falta de uma oposição de verdade que pudesse servir de vilã cruel, na falta de um satanás mais ameaçador para odiar (a “herança maldita” de FHC não funciona mais como antagonista imaginária), querem fazer valer essa ficção ufanista de que o País vai às mil maravilhas, só o que atrapalha a felicidade geral é esse maldito partidarismo da imprensa. A tese pode ser doidona, mas está funcionando. Alguns quase festejam: “Viva! Achamos um inimigo para combater! Vamos derrotar os editores de política deste país!”.
Deu-se, então, um fenômeno estranhíssimo: as forças instaladas no governo, como que enfadadas do ofício de governar, começaram a fazer oposição à imprensa. Dilma Rousseff jamais embarcou na cantilena, o que deve ser reconhecido e elogiado, mas está cercada de profetas que veem em cada redator, em cada fotojornalista, uma ameaça ao equilíbrio institucional.
A oratória petista depende de ter um antagonista imaginário. Sem isso, parece que não para mais de pé. Sim, temos aí um traço de discurso autoritário. Em todo regime autoritário ou totalitário, a figura mais essencial é a do inimigo. Para os nazistas, esse inimigo estruturante foram os judeus. Para o chavismo, foi o imperialismo, encarnado por Bush, que teria cheiro de enxofre. E mesmo Bush só conseguiu salvar seu mandato do fiasco porque lhe caiu no colo o inimigo chamado terrorismo. É claro que não se pode dizer que o PT atualmente se reduza a um discurso tropegamente autoritário, mas as feições autoritárias e fanatizantes desse discurso vão ganhando densidade a cada dia. Não obstante, está assentado em bases fictícias, completamente fictícias.
Vale frisar este ponto: sem um inimigo para chamar de seu, esse tipo de ossatura ideológica se liquefaz. O que seria dos punhos cerrados dando soquinhos no ar sem o auxílio luxuoso do inimigo imaginário? O que seria dos sonhos de martírio em nome da causa? O que seria das fantasias heroicas e do projeto ambicioso de virar estátua de bronze em praça pública?
Foi aí que a imprensa entrou no credo. Na falta de outra instituição disposta a não se dobrar ao poder, disposta a desconstruir os cenários grandiloquentes armados pelas autoridades, eles encontraram na imprensa a sua razão de viver e de guerrear. Só assim, só com seu inimigo imaginário bem definido, esse discurso encontra seu ponto de equilíbrio: ficar no poder e ao mesmo tempo acreditar – e fazer acreditar – que está na oposição, que combate um mal maior. Seus adeptos, que imaginam odiar a imprensa sem se dar conta de que a temem, agarram-se à luta com sofreguidão. Estão em ponto de bala para o ano eleitoral de 2014.
Mesmo assim, feliz ano-novo.
JORNALISTA, PROFESSOR DA USP E DA ESPM (completo, tambem ex-Radobras e ex-alto escalao do Gov. Lula)
Walker
28 de dezembro de 2013 3:10 pmhttp://www.youtube.com/watch
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ddUfrvsTMvw
[video: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ddUfrvsTMvw%5D
http://www.aluizioamorim.blogspot.com.br/
Há pouco uma pessoa que me segue no Facebook me enviou o link deste vídeo. Trata-se de uma postagem de um antigo desenho animado de Walt Disney, uma metáfora sobre totalitarismo que ameaçava a Europa nos anos 40 do século passado. Assina a postagem João Henrique Pereira, que acrescenta um texto onde chama a atenção para o fato de que o enredo da historieta retrata com todas as letras e cores a realidade atual e, por isso mesmo, se transforma num grande alerta.Concordo com os argumentos de João Henrique Pereira e transcrevo o seu texto na íntegra, como segue abaixo. Recomendo que vejam o vídeo, leiam o texto e visitem o Canal do autor no próprio Youtube. Leiam:A animação é uma verdadeira metáfora sobre os governos totalitários que ameaçavam a Europa na década de 40. Porém, possui uma semelhança tão grande com a realidade atual que, mais que um desenho histórico, se torna um grande alerta.
Como alguns insistiram em argumentar que o vídeo se refere aos eventos relacionados à II Guerra Mundial e à luta contra a ascensão do Nazismo, damos aqui uma explicação sobre como, em nossa visão, o vídeo serve perfeitamente para descrever os métodos socialistas para desestabilizar uma nação:
1) Diferente de uma democracia, onde se procura sempre o consenso, o socialismo se legitima e reina sobre o dissenso. Por isso procura falsear a realidade exagerando ou criando conflitos sociais; negro contra o branco, mulher contra o homem, jovens contra adultos, homossexuais contra cristãos, empregado contra patrão. Qualquer cidadão pode escolher uma classe de oprimido na qual se encaixar e está incluso obrigatoriamente em uma ou duas classes de opressores. A medida que esses conflitos se potencializam e os vínculos sociais se afrouxam surge a necessidade de um salvador, de uma revolução, de uma fuga para as cavernas;
2) para enfraquecer a sociedade é preciso desmoralizar as instituições tradicionais cuja função é manter a sociedade estável e solucionar os conflitos sociais, em regra, a família, a religião e o Estado. Aqui representados pela figura do Dr. Galo, Inspetor Chefe do Galinheiro. Os métodos socialistas tendem a fazer essas instituições se apresentarem como os verdadeiras causadoras de todos os problemas existentes no mundo, ou como extremamente incapaz de oferecer soluções para esses problemas; no fundo um revolucionário socialista bem informado sabe que sua revolução não terá sucesso sem enfraquecer esses três pilares sociais: o núcleo base, os valores morais e o garantidor da ordem;
3) o socialismo precisa de militantes, geralmente, sociopatas megalomaníacos com uma grande necessidade de autoafirmação e um sentido fraco de autoestima; vítimas da visão distorcida da realidade na qual foram levados a acreditar. Alguns sentem-se salvadores do mundo e acham que estão prestando um grande favor à humanidade, outros são apenas sociopatas oportunista em busca do prestígio que o poder político confere. Uma massa de manobra que será descartada logo após cumprirem sua função, o galinho vira janta como todos os outros;
4) e por último, uma questão de fundamental importância para garantir a sobrevivência do galinheiro: descobrir e desmascarar as raposas antes que suas estratégias se realizem. O que invariavelmente eles conseguem apenas depois de dar um banho de sangue no País.
A História está aí para confirmar essas quatro estratégias socialistas, e desafio qualquer esquerdista a provar o contrário.
“Como você conhece um comunista? Bem, é alguém que lê Marx e Lênin. E como você conhece um ex-comunista? É alguém que entende Marx e Lênin.”- Ronald Reagan
Walker
28 de dezembro de 2013 3:15 pmCuba pelo olhar da jornalista
Cuba pelo olhar da jornalista do SBT Ana Paula Padrao…
Parte I http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Ci34Gc71hpA
Parte II http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=43d4Cel-eA8
Gilson AS
28 de dezembro de 2013 3:20 pmVamos brincar de pular corda ?
Marco St.
28 de dezembro de 2013 3:28 pmClasse média em apuros! Rolezinho gringo pode?
Lá como cá. Mesma ação, mesma reação.
Centenas de adolescentes depredam shopping em flash mob nos EUA
Extra
Cerca de 400 adolescentes invadiram e depredaram o shopping Kings Plaza, no Brooklyn (EUA), um dia após o Natal, durante uma flash mob selvagem. Na ação, que começou por volta das 17h e terminou duas horas depois, os jovens saquearam lojas de doces, furtaram itens baratos como balões de gás hélio e chegaram a agredir alguns seguranças do local. Alguns dos adolescentes “estavam armados”. O evento havia sido organizado através de redes sociais. As informações são do The New York Post.
Durante a invasão, alguns lojistas tiveram que fechar as portas das lojas e aguardar o fim do tumulto. “Eu trabalho aqui há sete anos e nunca vi nada como isso antes. Estou com muito medo. Eu sei que eles vão voltar”, disse Abu Tabel, de 31 anos, funcionário de uma loja ao NY Post. “Eu os empurrava até as saídas, mas eles voltavam”, acrescentou ao jornal um segurança do shopping, que não foi identificado.
Lutas violentas também ocasionaram a destruição de um McDonald e uma Best Buy. Um vídeo, divulgado no YouTube, mostra um bando de adolescentes socando e gritando, enquanto seguranças se esforçam para conter a confusão.
A polícia local está investigando o que levou os jovens a organizarem a mobilização. Imagens do circuito interno de segurança do shopping já foram solicitada para ajudar na identificação dos vândalos. Acredita-se que a apresentação de um rapper no local teria levado os adolescentes até o shopping.
Ninguém foi preso.
http://oglobo.globo.com/mundo/centenas-de-adolescentes-depredam-shopping-em-flash-mob-nos-eua-11166308
[video:https://www.youtube.com/watch?v=JlXWWPneKpw#t=10%5D
jns
28 de dezembro de 2013 4:19 pmBoladas & Boleiros
Gilson Raslan
28 de dezembro de 2013 8:31 pmROBERTO JEFFERSON a AUGUSTO NUNES
Carta do ex-deputado Roberto Jefferson ao “jornalista” Augusto Nunes da revista Veja.
Augusto Nunes,
Não o contemplo com indulgência, até porque você não merece. Indulgência se dá aos corajosos, lutadores ou perseguidos, não é o seu caso.
Do que conheço de sua história, ela tem enredo do “Pistoleiro da Mídia”, aquele que vive para alugar a pena de acordo com seus interesses pecuniários. Sou admirador dos homossexuais assumidos, quanto àqueles que bebem e se tornam veados por algumas horas e no dia seguinte esqueceu do que praticou não me merece respeito.
Você não conhece minha história nem a do PTB. Como um veado debochado e alcoólito de aluguel, não tem um pingo de seriedade no que escreve.
Seus leitores ignoram o verdadeiro escroto, pusilânime, covarde e proxeneta que você é.
(ass) Roberto Jefferson
Walker
28 de dezembro de 2013 8:59 pmA divina tragedia de
A divina tragedia de Belchior. De Epoca.
http://epoca.globo.com/vida/noticia/2013/12/divina-tragedia-de-bbelchiorb.html