Fracassamos como Nação? Para Pedro Serrano, Brasil não superou “paradigma colonialista”

Momento de autoritarismo líquido, a tradição colonialista e o "paradigma social extremamente atrasado" constituem um "fenômeno que contraria a ideia de Nação", diz

Jornal GGN – Nesta quarta (29) foi a vez do jurista Pedro Serrano responder à pergunta que batiza uma série de entrevistas especiais conduzidas por Luis Nassif todos os dias, às 15 horas, no canal do GGN no Youtube: “Fracassamos como Nação?”. Para Serrano, a questão é complexa. E o raciocínio o levar a crer que o Brasil desenvolveu uma condição interna que contraria a ideia de Nação.

“Os estudos que fiz sobre Direito Constitucional a vida inteira – e acho que as constituições são sintomas das deformações sociais – o que se observa no Brasil é que ainda não saímos de um certo paradigma colonialista e escravista. É impressionante como isso se sintoma nos textos jurídicos sem que ninguém fale nada.”

“Por exemplo, a Constituição de 1934 é considerada como a primeira constituição democrática brasileira. É chamada de Constituição de Weimar, fez parte de uma onda na América Latina de produções de constituições sociais. Ao criar o primeiro direito social brasileiro, que é o direito à educação pública, ela expressamente, em seu artigo 148, estabeleceu a eugenia como princípio da Educação, excluindo o negro. Veja, na distribuição da riqueza simbólica do País, o negro e o indígena são colocados para fora desse processo. E esse direito social vai beneficiar as ondas brancas de migração europeia.”

Mais tarde, isso se reflete na construção das instituições. Quando as indicações políticas são substituídas por concurso público no sistema de Justiça, por exemplo, parece algo “isonômico”, um avanço, mas reflete a exclusão assinalada pela própria Constituição. “Quando você vê a situação, em que a maioria do nosso povo foi excluído da educação pública, isso leva nosso sistema de Justiça a ser o que é hoje: branco, masculino e extremamente conservador.”

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Mais recentemente, esse sentimento colonialista foi aproveitado pelas instituições do Estados Unidos para construir uma relação com autoridades brasileiras em operações como a Lava Jato, levando à destruição de empresas nacionais.

Para Serrano, esse fenômeno que junta o “autoritarismo líquido, com nossa tradição colonialista e esse paradigma social extremamente atrasado”, tudo isso “contraria a ideia de Nação.”

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3 comentários

  1. Quase concordo com Serrano, ou vice-versa.

    Eu digo que o Brasil não é uma nação porque nunca deixou de ser uma colônia, a maior e mais antiga do mundo. Há outras, mas não tão grandes e antigas.

    Ele diz que nunca abandonamos o paradigma colonialista. É parecido mais não é igual. Nenhum país do mundo teve um imperador colonial que declarou a independência voluntariamente, entregou o país para quitar a dívida e garantir o trono da metrópole.

    Igualmente a proclamação da República foi decidida a quatro paredes, sem revolução popular, ao contrário, foi feita para evitar a concessão de qualquer direito à imensa população liberada da escravidão, mas não do desemprego, totalmente destituída de posses.

    Se Luis XIV fosse como D. Pedro I, entregaria a França aos ingleses, proclamaria a República, salvaria a cabeça e seria eleito primeiro presidente!

  2. Excelente análise da estrutura social brasileira, apesar de desalentadora, é infelizmente claramente verificável na nossa realidade de “não-nação”, triste e real!

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