Fux diz que Brasil não tem cultura ética e Lava Jato não pode acabar

"As pessoas não têm, na sua própria cultura, a ideia introjetada de ética e moralidade porque houve uma rotinização de escândalos no país", afirma ministro

Foto: Agência Brasil

Do Conjur

O Brasil não pode permitir a desconstrução da operação “lava jato”, como aconteceu na Itália, berço da “mãos limpas”, investigação de casos de corrupção no país europeu durante a década de 1990. A opinião é do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux.

Em palestra nesta sexta-feira (11/12) na Academia da Polícia Federal, em Brasília, o presidente do STF apresentou o histórico do combate à corrupção tomando como exemplo as duas operações. “Nós, evidentemente, não vamos permitir a desconstrução da operação exitosa que foi a ‘lava jato'”, afirmou, destacando estratégias “de primeiro mundo”” usadas na operação, como delações premiadas, agentes infiltrados e interceptações telefônicas.

Fux já havia assegurado antes sua intenção de garantir que a operação tenha continuidade. “Quero garantir que a ‘lava jato’ vai continuar. E essa palavra não é de um brasileiro, é de alguém que assume a presidência do Supremo Tribunal Federal no ano que vem, podem me cobrar”, disse, em julho de 2019.

Nesta sexta, o ministro ponderou que a corrupção está presente na postura de indiferença da sociedade: “as pessoas não têm, na sua própria cultura, a ideia introjetada de ética e moralidade porque houve uma rotinização de escândalos no país.”

Ele disse que a corrupção se aprimora à frente das leis e provoca prejuízos para a sociedade, na medida em que, por exemplo, retira “recursos da merenda, das escolas, leitos dos hospitais e reduz as chances de uma vida digna ao cidadão”. Destacou os desvios de dinheiro que seria destinado à compra de respiradores: “Isso não tem perdão”.

Também participou da cerimônia para mais de 280 futuros delegados e peritos, o diretor-geral da PF, Rolando Alexandre Souza.

 

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