O presidente Lula (PT) lidera todas as simulações de segundo turno para a eleição presidencial e amplia sua vantagem contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15). No principal cenário de embate direto, o atual mandatário soma 45% das intenções de voto, contra 37% do parlamentar.
A diferença de oito pontos percentuais consolida uma trajetória de crescimento de Lula desde o empate técnico registrado em maio, quando o petista tinha 42% e Flávio, 41%. Em junho, o placar marcava 44% a 38%. De acordo com o novo levantamento, votos brancos, nulos ou de eleitores que declaram que não irão votar somam 14%, enquanto os indecisos representam 4%.
Crises familiares e políticas moldam o cenário
Este é o primeiro levantamento do instituto após episódios de forte repercussão na política nacional: a operação da Polícia Federal que mirou o senador Jaques Wagner (PT), no âmbito do caso Master, e a divulgação de vídeos em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relata desavenças com Flávio Bolsonaro.
A crise familiar na direita parece ter cobrado um preço do candidato do PL. “Essa fragilidade da campanha de Flávio pode ser justificada por alguns fatores. O mais expressivo deles foi o conflito com Michelle Bolsonaro, que ficou conhecido por apenas metade dos brasileiros. Os vídeos divulgados parecem ter provocado algum dano dentro da base potencial do Flávio, já que 35% da direita e 20% do bolsonarismo acham que Michelle acertou ao divulgar o vídeo“, analisa Felipe Nunes, diretor da Quaest.
O desgaste interno reduziu o espaço de Flávio entre eleitores moderados. “Toda essa confusão dentro da família acabou provocando uma reação que parece afastar o potencial eleitor independente do Flávio: diminuiu de 33% para 29% a percepção de que Flávio é mais moderado que sua família“, afirma Nunes.
Mas, ainda assim, o senador continua sendo o nome mais forte do campo conservador. “Mesmo com esse desgaste [causado pela briga entre Flávio e Michelle Bolsonaro] nenhum outro nome aparece mais competitivo que Flávio contra Lula“, acrescenta o diretor do instituto.
Do lado governista, a operação contra Jaques Wagner é vista como um complicador por parcela expressiva do eleitorado: 37% avaliam que a investigação afeta muito negativamente a campanha de Lula, enquanto 25% apontam que o caso impacta um pouco.
Vantagem se repete contra outros adversários
Nas demais simulações de segundo turno testadas pela Quaest, Lula mantém o mesmo patamar de 45% de preferência, variando apenas o desempenho dos concorrentes.
Contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o petista vence por 45% a 36%. Diante do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o placar aponta 45% a 35%. A maior distância ocorre no confronto com Renan Santos, coordenador do MBL e filiado ao partido Missão, em que Lula registra 45% contra 33% do adversário.
No cenário de primeiro turno, Lula lidera com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 28%. Ronaldo Caiado aparece com 4%, Renan Santos soma 3% e Romeu Zema pontua 2%. Brancos, nulos ou abstenções representam 11%, e 8% continuam indecisos.
Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados, 54% dos entrevistados dizem não saber em quem votar. Lula é lembrado por 26%, enquanto Flávio Bolsonaro é citado por 14%.
Aprovação do governo oscila positivamente
O levantamento também aponta uma melhora na percepção pública da gestão federal. Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação ao governo Lula superou numericamente a desaprovação: 48% aprovam o trabalho do presidente, contra 47% que o desaprovam.
A avaliação geral do governo mostra estabilidade polarizada, com 36% considerando a administração positiva, 36% avaliando-a como negativa e 26% classificando o desempenho como regular. Questionados sobre o futuro, 51% dos eleitores consideram que o presidente não deveria disputar um novo mandato, enquanto 45% defendem que ele merece permanecer no cargo.
A pesquisa da Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, realizou 2.004 entrevistas presenciais com eleitores de todo o país entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, sob um nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07181/2026.
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