5 de junho de 2026

Imprensa tucana: do neoliberalismo descarado à neohipocrisia contumaz

“A queda de 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 é um símbolo do fracasso da política econômica do governo Dilma.”

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Foi com estas palavras que o jornalista Kennedy Alencar começou seu libelo de incriminação do governo por causa do desastre econômico de 2015.

http://www.blogdokennedy.com.br/tombo-do-pib-simboliza-fracasso-economico-de-dilma/

O desastre, contudo, não pode ser atribuído a Dilma Rousseff. De fato, foi a própria imprensa pressionou a presidente a nomear um Ministro da Fazenda neoliberal. Quando Joaquim Levy foi nomeado os jornalistas em coro aplaudiram a escolha. Nos meses seguintes os jornalões, revistinhas e telejornais aplaudiram as novas medidas adotadas pelo Ministro acolhido pelo mercado.

Kennedy Alencar esteve entre os que incensaram Joaquim Levy. Ele até fez uma entrevista laudatória com o mesmo https://www.youtube.com/watch?v=f7tf4puc47k

Dilma Rousseff fez o que os jornalistas desejavam: nomeou Joaquim Levy e acatou o programa neoliberal imposto ao país por ele. Este foi o seu maior erro. Se há culpados pela redução do PIB em 2015 é preciso apontar para a direção certa. O ex-ministro Joaquim Levy e os veículos de comunicação que exigiram sua nomeação e os jornalistas que aplaudiram como se fosse correta a demolição da nossa economia que ele realizou.

Culpar a presidente inadvertidamente neste caso não é só erro. É um ato de má fé e de evidente comprometimento com a irracionalidade da oposição. De fato, é irrelevante o que a presidente fez ou fará, pouco importa se ela se curva ou não às demandas da imprensa e do mercado, Dilma Rousseff sempre estará errada porque ganhou a eleição. Desde quando ganhar a eleição é crime?

A economia brasileira é consideravelmente internacionalizada. Em razão disto sofre a pressão de crises sobre as quais a presidência da república não tem qualquer controle (retração econômica nos EUA, crise duradoura na Europa, bolha financeira chinesa, etc…). Tudo isto colaborou para o tombo da economia brasileira em 2015. Nada disto foi considerado pelo jornalista que culpou exclusivamente Dilma Rousseff pelo que ocorreu. 

Fiquei profundamente irritado ao ler as bobagens escritas por Kennedy Alencar. Ao aderir ao irracionalismo da oposição e se mostrar extremamente parcial ao culpar nossa presidente porque ela fez aquilo que a imprensa e o mercado desejavam, ele mesmo entrou para o rol dos golpistas hipócritas que compõe o PIG. 

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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1 Comentário
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  1. Pedro Mundim

    3 de março de 2016 6:32 pm

    Não é culpa só de Dilma, mas…

    Com certeza a culpa não é só de Dilma, há também o contexto internacional desfavorável, mas como bem ressaltou o Kennedy, da forma como Dilma age, sem fazer nada e sem comandar ninguém, a culpa pela crise tende a “colar” nela segundo a percepção geral.

    Mas argumentar que Dilma não seria culpada porque a culpa toda seria de seu subordinado Joaquim Levy é ignorar que Dilma é responsável pela equipe que escolhe. E nem acho que o Joaquim Levy tenha alguma culpa, porque rigorosamente falando, ele não fez rigorosamente nada como ministro da fazenda, ficou o tempo todo esperando para começar, e sua gestão terminou antes de começar.

    A culpa é de todos aqueles que favoreceram a volta do nacional-estatismo, modelo já esgotado desde os anos 80. Isso de fazer os bancos estatais jorrarem dinheiro aos empresários amigos com o propósito de fomentar o desenvolvimento só funciona se o cenário econômico for sempre de céu de brigadeiro, o que não acontece no mundo real. Tanto que foi assim que acabou o “milagre” dos militares no início dos anos 70, houve a crise do petróleo e tudo foi por água abaixo. Com o “milagre” do PT aconteceu a mesma coisa. O nacional-estatismo se transformou em uma obsessão, é como aquele filme onde o protagonista sempre que acorda de manhã volta a um dia do passado. Do mesmo modo, nossos economistas (e não só os petistas) sempre que acordam de manhã, voltam aos anos 60. O Brasil só vai sair desse círculo vicioso quando fizer o mesmo que os países emergentes da Ásia já fizeram muito tempo atrás.

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