Quem tenta fazer o salário render até o dia 30 sabe bem: a inflação até pode ter caído nos jornais, mas o custo de vida continua pesado. Esse contraste entre os números oficiais e o bolso do trabalhador deu o tom do encontro entre a especialista em finanças populares Nath Finanças e a economista Juliane Furno, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF).
No vídeo, gravado no período pré-eleitoral para comparar o plano de cortes profundos da oposição com a proposta de foco social do governo, a dupla explicou sem complicação por que a inflação desacelerou, mas as coisas continuam caras, e como as escolhas de governo afetam o prato de comida e o emprego de cada um.
Para Furno, quando o governo diz que a inflação caiu, não significa que os preços baixaram, mas sim que eles estão subindo mais devagar depois de terem disparado no passado.
“Dizer que a economia e a vida do trabalhador tá melhorando é diferente de dizer que isso é suficiente porque, veja, no passado os preços se acumularam tanto que hoje eu dizer que a inflação tá baixa significa dizer que os preços das coisas estão crescendo numa velocidade menor. O que a gente quer é um avanço, né?”, explicou a economista.
Por que o salário parece que não rende?
Nath Finanças trouxe a dúvida de milhões de brasileiros: por que o salário não dá para nada? Furno esclareceu que, embora mais gente esteja trabalhando, a maioria das vagas criadas paga até dois salários mínimos. Para piorar, crises internacionais jogaram o preço dos alimentos e combustíveis para cima nos últimos anos, e esse aumento passado não voltou atrás.
A professora também desmistificou a ideia de que o trabalhador é só um “custo” para o pequeno comerciante. Na prática, é o salário do trabalhador que garante as vendas da padaria, do mercado e do salão de beleza. Se a turma ganha pouco, o pequeno negócio também não vende.
“Nenhum empreendedor produz bens e serviços para ficar parado; ele precisa que as pessoas consumam as coisinhas que ele está produzindo. Embora o salário mínimo seja um custo para o empregador, ele é a fonte de realização da produção”, ressaltou.
“Tesouraço” ou dinheiro circulando?
Mesmo com foco no custo de vida, a conversa passou pela escolha de rumos para o país. No encontro gravado antes do pleito, Juliane Furno comparou dois caminhos econômicos bem diferentes: um focado em aumentar o salário mínimo e os benefícios sociais para fazer a economia girar, de Lula (PT), e outro baseado num corte pesado de gastos públicos, de Flávio Bolsonaro (PL).
“A gente tem dois projetos de governo: um que aposta em mobilizar o mercado interno, diz claramente que vai manter a política de valorização do salário mínimo; e a gente tem um outro projeto que propõe um tesouraço, em que, em boa medida, esse tesouraço vai vir de salário, né, de benefício social”, alertou Furno, reforçando que cortar dinheiro dos aposentados e da saúde enfraquece o comércio de bairro.
Juros abusivos, escala 6×1 e o mito do Bolsa Família
Outro tema quente foi o endividamento. Furno explicou que fazer carnê para comprar um carro ou imóvel quando se tem emprego é normal. O perigo real é a inadimplência, quando a pessoa não consegue pagar as contas por causa dos juros altíssimos do cartão de crédito, empréstimos e das perdas com apostas online (bets).
A economista também desmontou dois grandes boatos da internet:
- Fim da escala 6×1 vai gerar desemprego? Mentira. Estudos mostram que reduzir a jornada de trabalho não fecha vagas e pode até criar cerca de 600 mil novos empregos no comércio e nos serviços.
- Bolsa Família faz as pessoas abandonarem o trabalho? Outra ilusão. Mais de 60% das pessoas que deixam o programa saem justamente porque conseguiram um emprego de carteira assinada.
O vídeo completo com a aula de economia segue disponível no canal de Nath Finanças. Assista abaixo:
Deixe um comentário