5 de junho de 2026

Influenciador fitness Renato Cariani é indiciado por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

Empresa fornecia insumos para a produção de cocaína e crack para o PCC; bolsonarista, Cariani fez live com Bolsonaro 37 dias antes da eleição
Crédito: Reprodução/ Instagram @renato_cariani

A Polícia Federal de São Paulo vai indiciar o influenciador fitness Renato Cariani pelos crimes de tráfico equiparado, associação para tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em dezembro, o influenciador foi alvo de mandado de busca e apreensão.

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De acordo com a investigação, Cariani, Fabio Spinola Mota e Roseli Dorth usaram a empresa Anidrol Produtos para Laboratórios Ltda., produtora de produtos químicos, para falsificar notas fiscais de vendas de produtos para multinacionais farmacêuticas. Os insumos, porém, não eram destinados às multinacionais, mas sim desviados para a fabricação de crack e cocaína para o Primeiro Comando da Capital (PCC). 

A PF informou que os três sócios tinham conhecimento da ilicitude da operação e participavam diretamente do esquema criminoso a partir de provas captadas em interceptações telefônicas com autorização judicial. 

O influenciador e outros dois sócios responderão pelos crimes, inicialmente, em liberdade. Com a finalização do relatório da PF, o caso segue para o Ministério Público Federal e, se denunciado, o grupo será julgado pela Justiça Federal.

Esquema

Investigado anteriormente por tráfico de drogas em Minas Gerais e no Paraná, Fabio Mota criou um e-mail falso, usando o nome de um suposto funcionário de uma multinacional, para a emissão de notas fiscais falsas. 

Entre 2014 e 2021, a Anidrol emitiu 60 notas fiscais falsas em nome de grandes indústrias farmacêuticas, como AstraZeneca e LBS Laborasa. O trio também realizou depósitos em nome de laranjas. 

Em seis anos, o esquema promoveu o desvio de aproximadamente 12 toneladas de acetona, ácido clorídrico, cloridrato de lidocaína, éter etílico, fenacetina e manitol, substâncias usadas na transformação de pasta base de cocaína em pó e em pedras de crack.

A PF deu início às investigações depois que a Receita Federal identificou transações suspeitas entre a AstraZeneca, que teria feito depósitos de mais de R$ 200 mil, e a Anidrol. Mas a farmacêutica negou a compra de produtos da empresa sediada em Diadema.

Em nota, a defesa de Renato Cariani informou que “o indiciamento ocorreu de forma precipitada, há mais de 40 dias, antes mesmo de Renato ter tido a oportunidade de prestar esclarecimentos” e que foram apresentados dezenas de documentos que comprovam que o influenciador nunca participou de atividades ilícitas. 

Quem é Renato Cariani

Com mais de 7,7 milhões de seguidores no Instagram e 6 milhões no YouTube, Renato Cariani, de 47 anos, se descreve como professor de química e educação física, atleta profissional, empresário e youtuber. 

Nas redes sociais, ele ganhou notoriedade por produzir conteúdo sobre emagrecimento e hipertrofia, além de promover programas no formato de reality show com exercícios físicos. Cariani também vende cursos de nutrição, musculação, investimento, inglês e marketing digital.

Em agosto de 2022, o influenciador recebeu o então candidato a reeleição Jair Bolsonaro (PL) no programa Ironcast. Durante a sua participação, o ex-presidente falou sobre a formação em educação física pela Escola do Exército, o passado como atleta de pentatlo militar e sobre o decreto para a reabertura de academias durante a pandemia, para que as pessoas pudessem ter melhor preparo para enfrentar a Covid-19. 

Durante o programa, Cariani afirmou que perdeu mais de 30 mil seguidores por anunciar a entrevista com Bolsonaro e negou que a entrevista, realizada 37 dias antes do primeiro turno, não serviria de palanque eleitoral.

Renato Cariani é dono ainda da academia Iron Berg, em São Caetano do Sul (SP) e afirmou em um podcast ser sócio da Supley, dona das marcas Max Titanium, Probiótica e Doctor Peanut. Em dezembro, a Supley negou a participação do influenciador no quadro societário. 

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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