10 de junho de 2026

Investigação revela aprofundamento do Comando Vermelho na cúpula do poder no Rio

A novidade é que a investigação não parou nos escalões baixos, mas apontou juiz de segunda instância e do chefe do Poder Legislativo
Crédito: Divulgação

Presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, deputado TH Joias e desembargador Macário Ramos foram presos por ligação com o Comando Vermelho.
PF aponta envolvimento de Bacellar em vazamento de operação e articulação política para nomeação na Polícia Civil do RJ.
Vereadores Marcos Aquino e Ernane Aleixo foram presos por apoio logístico a facções criminosas no Rio de Janeiro.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A estrutura de poder no Rio de Janeiro enfrenta um novo e inédito abalo sísmico. Nos últimos quatro meses, as prisões do presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), do deputado estadual TH Joias (MDB) e do desembargador Macário Ramos Júdice Neto expuseram o que investigadores descrevem como uma rede de influência direta do Comando Vermelho (CV) nos mais altos escalões do Estado.

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Embora o Rio tenha um histórico de políticos ligados a milícias e grupos paramilitares, como evidenciado na CPI de 2009 e no caso da família Brazão, o atual avanço das investigações sobre conexões com o tráfico de drogas marca uma mudança de patamar.

Para o sociólogo Daniel Hirata, a novidade é que a investigação não parou nos escalões baixos, como o policial que vaza informações, mas apontou juiz de segunda instância e do chefe do Poder Legislativo.

A crise institucional teve início em setembro, com a Operação Zargun, que prendeu Tiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias. Popular por vender joias a celebridades, TH assumiu o mandato na Alerj em maio de 2024 como suplente.

Segundo a Polícia Federal (PF), o deputado não era apenas um aliado político, mas um membro ativo da facção, atuando em lavagem de dinheiro, logística bélica e articulação política.

Blindagem

No dia da prisão de TH Joias, o governador Cláudio Castro (PL) exonerou o secretário de Esportes, Rafael Picciani, para que este reassumisse sua cadeira na Alerj, retirando automaticamente o foro e o mandato de TH. Para o ministro Alexandre de Moraes (STF), a manobra buscou “desvincular a imagem da Alerj” do investigado.

As provas colhidas no celular de TH Joias comprometeram Rodrigo Bacellar. Mensagens indicam que o então presidente da Alerj alertou o colega sobre a operação policial iminente, orientando-o a “limpar a casa”.

O vazamento, segundo a PF, teria vindo do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, relator do processo no TRF2. A relação entre Bacellar e o magistrado era descrita como de “irmãos”, envolvendo inclusive a nomeação da esposa do desembargador para cargos na Alerj.

Medidas Cautelares

Após cinco dias preso em dezembro, Bacellar foi libertado sob condições rigorosas:

  • Afastamento imediato da presidência da Alerj.
  • Uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar.
  • Suspensão do porte de armas e entrega de passaporte.
  • O Peso Político: Influência no Executivo e Sucessão

A investigação ressalta que Bacellar não era apenas um parlamentar, mas o principal aliado de Cláudio Castro. Sua influência estendia-se à segurança pública:

  • Troca de Comando na Polícia Civil: Bacellar teria articulado a nomeação de Marcus Amim como chefe de polícia, exigindo a mudança de uma lei orgânica para viabilizar a posse do delegado, que não possuía o tempo de serviço exigido anteriormente.
  • Caminho ao Palácio Guanabara: O plano político previa que Bacellar assumisse o governo interinamente em 2026, caso Castro se afastasse para concorrer ao Senado.

Tentáculos

A influência do crime organizado também se manifesta no nível municipal. Em novembro de 2025, Marcos Aquino (Republicanos), vereador mais votado de sua cidade, foi preso em flagrante com arma irregular na casa do irmão, acusado de movimentar R$ 30 milhões para o CV.

Já Ernane Aleixo, vereador, também foi preso sob acusação de fornecer suporte logístico (máquinas para erguer barricadas) para o Terceiro Comando Puro (TCP).

Outro lado

Rodrigo Bacellar e Macário Júdice alegam inocência e negam ter atuado para obstruir a justiça ou vazado informações. A defesa de TH Joias afirma que ainda não teve acesso integral aos autos da decisão. Por fim, o governador Cláudio Castro tem negado interferências ilícitas e afirma colaborar com as autoridades.

*Com informações da BBC Brasil.

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4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    22 de dezembro de 2025 11:02 am

    A megaoperação no Alemão/Penha teve um pequeno dano colateral conforme afirmou Victor $antos: Apenas 4 assassinos foram assassinados e um foi baleado, tendo a perna amputada em decorrência da bala. A megaoperação foi um sucesso.

    Resta saber quem tá mentindo: o Cláudio Ca$tro, que afirmou que os favelados foram encurralados na mata para que a população sentisse o mínimo possível, ou o Marcelo Corbage, que disse que foram os favelados que atraíram a polícia para a mata, para emboscá-los.

  2. Rui Ribeiro

    22 de dezembro de 2025 1:05 pm

    O Delegado Bernardo Leal, que participou da carnificina na megaoperação e foi baleado, disse que “um dos alvos da operação era o Doca, que é um dos líderes soltos do Comando Vermelho”. Entretanto, após o massacre perpetrado pela elite sanguessuga do Rio de Janeiro contra os favelados da Penha e do Alemão, o Victor $antos afirmou:

    “Hoje o foco é o negócio. […] Então o foco nunca foi o criminoso. Eu quero os dados.”

  3. JOSE DE ALMEIDA BISPO

    22 de dezembro de 2025 10:06 pm

    É o CV no Rio e o PCC em São Paulo. Colombizou geral.

  4. Carlos

    22 de dezembro de 2025 11:53 pm

    Trepando em centenas de corpos o crime chega no topo do poder no RJ.
    E o (des)governador do estado, surfando em sangue, desfila em meio a fascistas.
    Porcos

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