Por alexis
UM SONHO: AS UNIVERSIDADES E O ESPORTE
Diego Hipólito chorando e pedindo desculpas aos seus patrocinadores; crise do pânico de uma nadadora brasileira; a saltadora de vara que não quis saltar e, recentemente, o bastão que cai da mão, no revezamento do 4×100. São imagens do Brasil olímpico, do Brasil atlético. Brasil cria status de “desportista-artista” apenas a uns poucos, que ganham muito, deixando a enorme maioria da população apenas na arquibancada e na telinha da TV. E em 2016?
Dinheiro de patrocínio – às vezes público – jogado no imediatismo e em pessoas específicas não melhora o nível esportivo e, por tanto, a imagem do Brasil. Se o atleta perde, é dinheiro fora. Se ganha, também é jogado o dinheiro fora, pois o sucesso é passado à comunidade nacional como um assunto individual, de quem quer surgir sozinho na vida correndo ou lutando e, espera-se, no máximo, que surja mais um talento individual, a cada geração.
O sucesso esportivo de determinadas nações se explica principalmente pelo planejamento e a visão nacional e coletiva do assunto e não na aposta em determinados “cavalinhos” ou pela luta imediatista de poucas medalhas para hoje e nenhuma para amanhã. O esporte-show, alavancado pela mídia, é baseado em ídolos individuais e milhões de fãs anônimos, estáticos, sentados frente à TV bebendo cerveja. O esporte amador e coletivo não apenas é executado por muita gente, mas também praticado massivamente em colégios e escolas.
Se o mesmo dinheiro hoje gasto pelo poder público em patrocínios individuais da Caixa, Petrobrás e do BB, entre outros, fosse canalizado para as universidades federais, poderiam ser construídos centros esportivos, com estádios, piscinas, quadras, etc., campeonatos universitários – em nível nacional – amadores, em dezenas de atividades “olímpicas”, caça de talentos pelas próprias universidades nos colégios e escolas da região, incentivos e becas de estudo aos bons esportistas da comunidade, associando esporte, nação e educação numa única equação.
As universidades federais teriam que contar com Departamento de Esportes, além da carreira de Educação Física, para administrar e desenvolver atividades esportivas (campeonatos mirins regionais, com finais nacionais) nos colégios e escolas da região, assim como a formação de monitores esportivos.
Acredito que um campeonato feminino de futebol universitário, e de outros esportes, geraria a base e o interesse das gerações em determinados modalidades, para aí sim, passarem ao “profissional” se o ambiente profissional o permitir ou desejar. Vejam, no caso atual, como a geração da Marta desaparece gradativamente sem ter conseguido levar esta modalidade para sua prática ao longo do país.
Esportes amadores sem FIFA nem CBF, sem cartolas, sem salários milionários, mas com juventude sadia. Com as universidades chegando até a raiz do inicio da formação cívica e física de cada pequeno brasileiro que nasce a cada dia. Deste modo o Estado atua como indutor e trabalha no aspecto amador do esporte, que tantas satisfações têm dado a muitos países, inclusive nos EUA, onde o ambiente universitário dá cobertura a todos estes esportes.
Roberto São Paulo-SP 2014
1 de janeiro de 2014 1:03 pmNo ensino médio e segundário, se inicia a formação dos atletas
Creio que seja muito tarde, o melhor seria canalizar o investimento para ensino médio e secundário, que é o período em que se inicia a formação da maioria dos atletas, no caso da ginástica olímpica é ainda mais, ou seja no primário.
Em muitos casos quando o atleta revela o nível elevado de competição, já ocorre a profissionalização, e nem chegam as universidades.
Além do material esportivos e de locais apropriados para a prática do esporte, competições ginasiais e colegiais a nivel estadual e nacional,poderiam revelar atletas com nível de competição elevado, que com o devido patrocínio de empresas privadass, estatais e de órgãos públicos, poderiam representar bem o Brasil nas competições internacionais.
alexis
1 de janeiro de 2014 1:18 pmA idéia é essa mesma Roberto
“para administrar e desenvolver atividades esportivas (campeonatos mirins regionais, com finais nacionais) nos colégios e escolas da região, assim como a formação de monitores esportivos.”
Seriam as Universidades (através delas) que chegaria a Administração esportiva aos colégios e escolas, com tutela da Universidade locada em cada região. A Universidade coordenaria, na sua região, as atividades esportivas nos colégios e nas escolas. Chegar com apoio direto, escola por escola, além de atomizado, perderia se a visão de conjunto nacional da empreitada e, ainda, ficaria em mãos de níveis políticos estaduais ou até municipais. A Universidade tiraria a política do esporte e traria uma visão nacional para a sociedade, de enorme sinergia em outras atividades do país.
Idiro
1 de janeiro de 2014 1:19 pmO Alexis está certo. Mas não
O Alexis está certo. Mas não vejo falta de estrutura nas universidades e escolas. Talvez falte outros incentivos, mas estrutura acho que não.
Olhando no google maps vemos nossas universidades com enormes áreas para prática de esportes, com campos de futebol gigantescos e quadras de basquete, tenis, etc. Pelo visto na hora que o satélite fotografou a maioria foi numa hora, que, coindicentemente, estavam vazias.
Além disso, voltei agora de uma pedalada e encontrei várias pessoas caminhando, uns poucos pedalando ou correndo em nível de manutenção da saúde, e só. Mas as muitas quadras de tenis e basquete, assim como campos de futebol, estavam todas vazias. E não é porque é um feriado não, é super difícil ver esses equipamentos ocupados durante a semana aqui na minha cidade.
A carência que vejo de equipamentos é de piscinas. Talvez porque seja muito caro manter. Acho incrível que no Brasil tenhamos tido grandes nadadores, porque na minha opinião faltam piscinas “funcionando” nas universidades e colégios.
alexis
1 de janeiro de 2014 1:35 pmTrata-se de Administração Desportiva
Idiro,
Meninos de poucos anos já poderiam participar de campeonatos estudantis, em diversas modalidades, contra outros diversos colégios da região. Quem coordena os campeonatos, fornece local de treinamento, monitores, treinadores, estatísticas, bolas, etc. seria o Departamento de Esportes da Universidade próxima ao colégio. As Universidades recebem verba e uma missão por parte do Ministério dos Esportes. Elas criam os Departamentos de Esportes e Recreação, escola de Educação Física e infra-estrutura desportiva, com estes recursos físicos e humanos, irradiariam o esporte até as escolas básicas, na região onde a Universidade atua. As Universidades escolhidas seriam apenas as Federais.
Jaime Balbino
1 de janeiro de 2014 1:39 pmUma falha da análise é que
Uma falha da análise é que não considera que o dinheiro público no Brasil é fundamental para o patrocínio individual porque simplesmente faltam outras fontes de recursos,especialmente particulares. Sem isso não teríamos nem mesmo destaque mínimo individual.
Parte de todo dinheiro das Loterias da Caixa vai direto para o COI. Acho que uma fortuna. O Bolsa Atleta é pago com esses recursos.
O Esporte de Alto Desempenho serve como negócio e propaganda, não como modelo de saúde. Pelo contrário, suas práticas e pressões não condizem com uma vida saudável. Os exemplos de fracasso do post dão prova disso.
Concordo, no entanto, que falta organização para ampliar o papel estratégico das universidades. Isso é um problema de gestão e planejamento hoje, não de falta de recursos.
alexis
1 de janeiro de 2014 1:49 pmpapel estratégico das universidades
Essa última frase sua Jaime foi muito bem colocada. Obrigado por lembrar
Acredito que, em geral, as Universidades poderiam ser melhor aproveitadas, inclusive noutros aspectos que não o meramente desportivo colocado aqui. Por exemplo, poderia melhorar em muito o relacionamento entre Universidades / Indústria, Universidades / SUS, etc. Hoje o conhecimento acadêmico parece estar um pouco distante da prática, em diversas matérias.
evandro condé de lima
1 de janeiro de 2014 9:21 pmSó para lembrar, empresas
Só para lembrar, empresas particulares colcam as burras em patrocínio de times, como um exemplo, fica a UNIMED Rio que, coitada, tinha de escolher justo o Fluminense. Eu me pergunto, quantas bolsas de iniciação científica, mestrado e/ou doutorado não teríamos – e olha que podiam ser dirigidas para área médica.
Paulo Henrique Tavares
1 de janeiro de 2014 4:19 pmAlexis,
Você foi na veia,
Alexis,
Você foi na veia, nunca pensei assim.
Na verdade, o Brasil faz vergonha a cada grande competição internacional. Um país de 200 milhões de habitantes e entre os 10 maiores PIB´s, ficar lá pelos 60 da tabela, mostra que está tudo errado e pior, que vai continuar errado.
Acho que o caminho é esse mesmo: enfiar o dinheiro de todas as estatais+dinheiro das loterias+dinheiro do Estado e encher de centros esportivos de excelência por todo o país. Em 10 anos os resultados aparecem naturalmente.
agincourt
1 de janeiro de 2014 4:33 pm???!!!
Aldo Rebelo: “Do que que esse cara tá falando?!… Será que é a tal da política esportiva? Que diabo é isso?”
alexis
1 de janeiro de 2014 5:25 pmChile é o meu “Poços de Caldas”
Vou falar de algo que conheci bem, embora num país diminuto como Chile. Mas, tenho certeza que o Nassif irá aceitar os meus argumentos, principalmente se considerarmos que ele sempre nos ilustra aspectos de cultura e política nacional (e até mundial), com o olhar romântico e saudosista da sua: Poços de Caldas. Vale aqui o “scale-up” para o caso Brasileiro.
O esporte nacional chileno, durante muitos anos foi comandado pelas Forças Armadas (particularmente o Exército). Existia uma Direção Geral de Esportes e Recreação – DIGEDER, dentro do Ministério da Defesa. Até os anos 60, ainda Chile tinha alguma presença esportiva e destaque no continente, ficando apenas atrás da Argentina e Brasil (era o famoso: ABC). Chile foi terceiro na copa do mundo de 62, além de outros sucessos no atletismo, quando ainda era incentivado o esporte coletivo e o orgulho de vestir a camisa da sua escola, região ou país.
Nos anos 60 começa uma incipiente iniciativa desportiva dentro das Universidades. O meu pai, que já tinha trabalhado na DIGEDER, assumiu o cargo de Diretor de Esportes e Recreação em duas universidades chilenas, em tempos diferentes. Além, do esporte, eram organizadas as festas universitárias, festivais musicais com talentos estudantis, olimpíadas internas, etc. (hoje existem apenas duas atividades sociais nas universidades: o bulling para os novatos e a festa de formatura, no restante, cada um por si).
Participei de campeonatos de todo tipo, desde os 9 anos, inclusive em nível nacional, sempre com apoio das universidades da região. Estudei em duas universidades chilenas e de ambas lembro até do hino, e vesti a camiseta com orgulho. Com a mudança de regime, nos anos 70, e a “monetarização ou economização” de tudo na vida nacional (até o esporte), o meu pai perde espaço e foi convidado à Colômbia (COLDEPORTES), onde morou 30 anos. Durante algum tempo foi assistente técnico da seleção colombiana de futebol, num período de muitas glórias para esse time (década de 80). Hoje vive no Chile e, às vezes, me conta destas coisas.
O esporte hoje, no Chile e acho também no Brasil, é direcionado apenas para produzir super star. Os meninos não praticam nem “queimada” nas escolas e, as iniciativas bem sucedidas da época perderam para o mundo neoliberal. Os clubes são estabelecimentos falidos e endividados, mas, com cartolas ricos que administram a vida de empresários de chuteiras ou de tênis. O esporte é gerido pelas grifes desportivas e as expressões culturais pelas marcas de cerveja. O Estado perdeu o controle de uma formidável aparelhagem de criação e fomento de cidadãos sadios, inteligentes e patriotas. A formação integral dos nossos jovens foi terceirizada. Os meninos hoje jogam futebol com vídeo games, assistem aos estádios para brigar, ou para observar 22 empresários de chuteiras, sentados no meio do campo, falando – da boca para fora – sobre “bom senso”.
Ed Döer
1 de janeiro de 2014 5:57 pmA ideia é boa e louvável. De
A ideia é boa e louvável. De certa forma lembra o que ocorre nos EUA…
Mas talvez tenha outro fator lá que aqui seria inexistente, dificultando essa aproximação de esporte e universidade. Lá não é incomum jovens atletas obterem bolsas para a universidade, então a aproximação do aluno com o esporte é natural e frequente, pois o aluno só chegou na faculdade graças ao esporte. E as próprias competições amadoras de nível universitário podem servir de trampolim para uma carreira esportiva profissional.
Já aqui, com ou sem cota, a porta de entrada é a mesma, vestibular ou algo similar, como o ENEM. E o objetivo final é o “canudo” para o mercado de trabalho. E mesmo onde haveria alguma estrutura para a prática de atividades esportivas, não me parece existir um interesse geral do universitário, seja pela falta de tempo, divulgação ou mesmo sedentarismo.
claudio mesquita
1 de janeiro de 2014 11:59 pmMuito bom o texto, Também sou
Muito bom o texto, Também sou adepto da idéia do esporte como inclusão social.
Quando eu vi as imagens do arrastão nas praias do Rio eu pensei. Mas que rapaziada sarada, como correm esses moleques, deram um baile nos PMs. Literalmente invadiram a praia. Não estou aqui defendendo arrastão, mas muita gente passou a mão na cabeça do blackbostas, que por sinal causaram muito mais prejuízo, e agora acha um absurdo, clamando por investimentos em segurança,
Nenhuma reportagem falando de onde vem essa rapaziada. Onde esses meninos moram os serviços públicos são criminosamente precários. Equipamentos como praças, centros de convivência, quadra de esportes, um campinho de futebol que seja, inexistem. Tem municípios da baixada fluminense que parecem uma Biafra.
Continuando o assunto do post, se você construir uma quadra de esportes, uma pracinha com equipamentos, um asfaltozinho às vezes vai bem, vai causar um impacto positivo enorme na comunidade. Isso custa muito pouco. Uma fração do que se gasta em segurança. Deveria ser um programa nacional.
Então se consegue patrocínio no comercio para bancar um ou dois professores de educação física e a coisa fica muito melhor. Através de algum programa federal se consegue camisetas, calções, meias e tenis, de preferência de alguma qualidade e não aquelas porcarias distribuídads por algumas ONGs. Porque o que se precisa é resgatar a autoestima dessa rapaziada. Se vc dá um tenis porcaria, ele vai pensar eu sou um bosta mesmo, é isso que eu mereço.
Fiquei sabendo que a ATP (Ass. dos tenistas profissionais) tem programas em que eles doam uniformes, raquetes e bolinhas.
Além dos governos e prefeituras a sociedade também precisa se organizar. Cadê os partidos ditos socialistas? Parece que só vão na perifa para organizar manifestações. Botar o “povo” na rua.
Enfim, o esporte pode ser uma ferramenta muito importante na redução da iniquidade social. Pena que os políticos não percebem.
Bom 2014 para todos
alexis
2 de janeiro de 2014 9:59 amMaior aproveitamento das Universidades Federais
Obrigado Cláudio,
Acho que as Universidades Federais poderiam ser mais bem aproveitadas, disponibilizando maior capilaridade às ações do Estado Brasileiro (não do Governo), em termos de educação, esporte e recreação, além de outras iniciativas originadas no Ministério de Ciência e Tecnologia, da Saúde, etc.
Universidades poderiam irradiar ações do Estado até a população, sem necessidade de politizar ditas ações.
eduardo rast
3 de janeiro de 2014 2:07 amGosto da ideia proposta no
Gosto da ideia proposta no texto. Muito provavelmente as universidades poderiam aproveitar melhor o dinheiro investido nas confederações, que utilizam boa parte dele para bancar viagens de grandes comitivas para competições e muito menos do que devem na formação dos atletas.