A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2023, foi condenada a sete anos de prisão pelo regime do Irã, segundo informou seu advogado de defesa. A sentença teria sido proferida neste sábado (7) por um Tribunal Revolucionário na cidade de Mashhad.
Em publicação na rede social X, o advogado Mostafa Nili afirmou que Mohammadi foi condenada a seis anos de prisão pelos crimes de “conspiração e conluio” e a mais um ano e meio por “propaganda contra o regime”. Além da pena de prisão, ela também foi proibida de deixar o país por dois anos. Procurado pela agência Associated Press, o governo iraniano não confirmou oficialmente a decisão.
Narges Mohammadi está presa desde dezembro, quando foi detida pelo regime do aiatolá Ali Khamenei. Em 2023, ela recebeu o Nobel da Paz por sua atuação como uma das principais líderes da luta contra a opressão das mulheres no Irã e pela defesa dos direitos humanos no país.
Greve de fome e condições de prisão
Na última quarta-feira (4), a fundação que leva o nome da ativista, com sede em Paris, informou ter recebido relatos confiáveis de que Mohammadi iniciou uma greve de fome na segunda-feira (2). A medida seria um protesto contra o que a entidade classificou como detenção ilegal e contra as condições consideradas graves enfrentadas por presos políticos no sistema prisional iraniano.
Aos 54 anos, Mohammadi acumula um histórico de prisões e perseguições pelo regime. Em dezembro de 2024, ela havia sido libertada temporariamente por motivos de saúde, mas voltou a ser presa no mês seguinte, quando participava de uma cerimônia em homenagem a Khosrow Alikordi, advogado e defensor dos direitos humanos que vivia em Mashhad.
Símbolo da resistência feminina
Reconhecida internacionalmente, Narges Mohammadi se tornou uma das principais vozes da resistência feminina no Irã, liderando protestos contra leis consideradas opressivas às mulheres. Sua atuação ganhou projeção global após a morte de uma jovem detida pela polícia da moralidade sob a acusação de uso inadequado do véu islâmico, episódio que desencadeou uma onda de manifestações no país.
Desde o fim de dezembro, o Irã enfrenta uma série de protestos contra o governo, motivados inicialmente pela insatisfação com a situação econômica. As manifestações começaram em 28 de dezembro, com greves e fechamento de lojas por comerciantes, e rapidamente se espalharam por Teerã e outras cidades, impulsionadas sobretudo por jovens e estudantes.
Com o avanço dos atos, as reivindicações passaram a incluir pedidos diretos pela queda do governo do aiatolá Ali Khamenei. A repressão das forças de segurança foi intensa. Segundo levantamento divulgado por ativistas em 27 de janeiro, ao menos 6.159 pessoas teriam sido mortas durante a repressão aos protestos, além da prisão de milhares de civis.
*Com informações do g1.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário