19 de junho de 2026

Israel declara Cidade de Gaza “zona de combate perigosa” e prepara ofensiva total contra Hamas

ONU alerta para “consequências catastróficas”, enquanto Israel intensifica ataques e ordena evacuação gradual da população
Foto: RS/Fotos Públicas

O Exército israelense declarou nesta sexta-feira (29) que a Cidade de Gaza, a mais populosa da Faixa de Gaza, é agora considerada uma “zona de combate perigosa”. O anúncio marca a escalada de operações militares que visam a tomada completa do território, em meio ao que o governo de Benjamin Netanyahu chama de “vitória total” sobre o Hamas.

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A partir de hoje (sexta-feira), às 10h00 (4h no horário de Brasília), a pausa tática local nas atividades militares não se aplicará à área da Cidade de Gaza, que passa a constituir uma zona de combate perigosa”, afirmou um comunicado militar.

A chamada “pausa tática” havia sido anunciada em julho para permitir a passagem de comboios da ONU e de ONGs humanitárias. Agora, com a suspensão, Israel indica que a cidade será alvo central de sua ofensiva.

Reféns e pressão por avanço rápido

Israel anunciou também a recuperação do corpo do refém Ilan Weiss e de “evidências relacionadas a outro refém morto”, não identificado. O governo estima que cerca de 50 israelenses ainda estejam em cativeiro em Gaza, sendo cerca de 20 com vida.

Paralelamente, Netanyahu ordenou ao Exército a “redução dos prazos” para assumir o controle dos redutos do Hamas. A operação, segundo oficiais, será “progressiva, precisa e seletiva”, mas deve durar até 2026. Para isso, mais 60 mil reservistas foram convocados nesta semana.

Evacuação inevitável e crise humanitária

Cerca de 1 milhão de palestinos vivem hoje na Cidade de Gaza, muitos deles já deslocados por combates anteriores. A Organização das Nações Unidas (ONU) e entidades humanitárias alertam que a ofensiva pode provocar “consequências catastróficas” em meio a um quadro de fome generalizada — o primeiro já registrado no Oriente Médio.

Um porta-voz do Exército israelense afirmou que a evacuação da cidade é “inevitável” e prometeu assistência no sul do território: “cada família que evacuar a cidade e se mudar para o sul receberá a maior assistência humanitária possível”. Estruturas de acolhimento com tendas e pontos de distribuição de ajuda estariam em preparação.

Ainda assim, líderes palestinos classificaram a saída como “nada menos que uma sentença de morte”, diante da escalada de ataques. A ONU advertiu que o deslocamento forçado em massa pode configurar crime de guerra.

“Um catálogo de horrores sem fim”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, denunciou nesta quinta-feira (28) “um catálogo de horrores sem fim” em Gaza. “Gaza está cheia de escombros, cheia de corpos e cheia de exemplos do que poderia constituir graves violações do direito internacional”, disse, pedindo responsabilização internacional.

A Defesa Civil local reportou ao menos 40 mortos nos ataques de quinta-feira e outros 33 nesta sexta. No total, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, reconhecidos pela ONU, mais de 62,9 mil pessoas já morreram desde o início da guerra, em sua maioria civis.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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