A missão humanitária da Flotilha Global Sumud, que transporta ajuda para a Faixa de Gaza, começou a ser interceptada pela Marinha de Israel em águas internacionais nesta quarta-feira (1º/10). A ação, classificada pelos organizadores como “interceptação ilegal”, se desenrola de forma gradual, a menos de 100 milhas da costa de Gaza, dentro da zona de alto risco definida por Israel.
“As câmeras estão fora do ar e as embarcações foram abordadas por militares. Apesar da interceptação de algumas embarcações, a Global Sumud Flotilla encontra-se a 70 milhas náuticas da costa de Gaza e seguirá adiante sem se deixar deter”, diz a coordenação internacional da Global Sumud Flotilla, em nota enviada à imprensa.
A ação em curso
De acordo com comunicado divulgado pela organização às 21h34 (horário local), os navios israelenses estão abordando as embarcações aos poucos. Relatos da expedição indicam a aproximação em alta velocidade de mais de 20 embarcações militares. Pelo menos um barco já teria sido detido.
A situação de tensão é amplificada pela interrupção da transmissão. As câmeras das embarcações foram desligadas, e não há registro visual das operações em andamento. A organização afirmou estar em alerta máximo, buscando confirmar a segurança de todos os participantes.
Nos dias que antecederam a abordagem, a flotilha já havia relatado uma série de manobras de intimidação, como ataques de drones e outras manobras arriscadas de navios de guerra e interferências nos sistemas de comunicação. Na madrugada desta quarta, barcos não identificados chegaram a se aproximar do comboio antes de recuarem.
Brasileiros a bordo
A Global Sumud conta com a participação de ativistas de mais de 40 países, incluindo diversos brasileiros. No barco Sirius, estavam:
- Mariana Conti, vereadora de Campinas (PSOL);
- Nicolas Calabrese, professor e coordenador da Rede Emancipa no Rio de Janeiro;
- Bruno Gilga, trabalhador da USP e ativista da CSP-Conlutas;
- Lisiane Proença, comunicadora popular;
- Magno Costa, diretor do SINTUSP.
No barco Alma, estavam os ativistas Thiago Ávila e Greta Thunberg, junto a outros participantes internacionais.
O bloqueio de Gaza
A Global Sumud, com cerca de 50 embarcações e 500 ativistas, é considerada a maior missão civil organizada para desafiar o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza desde 2007.
Os organizadores reiteram o caráter pacífico e humanitário da missão, denunciando o cerco como uma forma de “punição coletiva” contra a população palestina.
“Este é um ataque ilegal contra ativistas humanitários desarmados em águas internacionais. Conclamamos governos, líderes mundiais e instituições internacionais a exigirem a segurança e a libertação de todos a bordo, e a seguirem monitorando a situação de perto”, diz a coordenação da Flotilha.
Israel, por sua vez, considera a flotilha uma provocação política e já havia sinalizado que não permitiria sua chegada a Gaza. Em operações anteriores, o modus operandi incluiu a interceptação em alto-mar, o reboque das embarcações para o porto de Ashdod e a transferência dos ativistas para centros de detenção temporária.
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