4 de junho de 2026

Juíza é flagrada orientando promotora em processo criminal

No áudio gravado involuntariamente pela advogada, a juíza e a acusação combinam detalhes do processo. Também criticam a advogada e fazem pré-julgamento sobre testemunhas

Por Rafa Santos

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Do Conjur

Advogada grava de forma involuntária juíza orientando promotora em SP

A advogada Telma Rosa Agostinho apresentou no último dia 26 um pedido de suspeição contra a juíza Sonia Nazaré Fernandes Fraga, da 24ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O pedido foi motivado por um diálogo gravado de forma involuntária entre a magistrada e a promotora de Justiça Cristiane Melilo Dilascio Mohmari dos Santos. No áudio, juíza e acusação combinam detalhes do processo. Também criticam a advogada, afirmam que os policiais que prestaram depoimentos são “bandidos” e desabonam uma testemunha que compareceu com uma sacola de uma grife de roupas — que, segundo elas, deveria estar cheia de “muamba”.

O caso ganhou repercussão após a publicação dos áudios pelo perfil Papo de Criminalista no Instagram, mantido pelo advogado Mário de Oliveira Filho, presidente Nacional de Prerrogativas da Abracrim. A entidade fará uma representação formal contra a magistrada no Conselho Nacional de Justiça. O post com a gravação conta até as 21h desta quinta-feira com mais de 9 mil audições.

A gravação ocorreu no último dia 19 de outubro no juízo da 24ª Vara Criminal do Foro da Capital, quando se deu audiência de instrução e julgamento do processo envolvendo clientes da advogada.

Segundo o pedido de suspeição a que a ConJur teve acesso, a advogada narra que tem costume de gravar as suas audiências. Na ocasião, depois que as testemunhas foram ouvidas, foi concedido prazo aos defensores para a orientação do interrogatório dos acusados.

Conforme o texto, por falta de local apropriado, os acusados foram conduzidos para o corredor do fórum para serem atendidos pelos advogados. A defensora explica que esqueceu o gravador ligado na sala e foi surpreendida posteriormente ao ouvir o teor das gravações.

Na gravação, a juíza e a promotora também discutem o mérito do processo. A magistrada diz para a representante do Ministério Público acusar um dos ouvidos de falso testemunho. “Falso testemunho nesse aqui. Pode vir, viu doutora?”, afirma a juíza em trecho do áudio.

“Doutora, mas é, a senhora pode, pede uma perícia. Vai, explora isso. Falar que veio aqui, que tá nitidamente envolvida. Ela é muito ruim, doutora”, disse a magistrada à representante do MP.

Na peça, a advogada alega que tanto a juíza como a promotora de Justiça buscam juntas meios para condenar os acusados. “A juíza Sônia orienta a promotora de justiça a atuar contra testemunha requerendo o falso testemunho, acusa as testemunhas policiais de serem bandidos, imputa crime de calúnia contra a advogada, iria ‘puxar’ e ‘tentar’ ‘condená-los'”, diz trecho do documento.

“Agora. O que vai ser difícil. doutora. é pegar o elo, o elemento subjetivo. (…)”, afirma a juíza para a promotora.

No diálogo, a juíza afirma o seguinte sobre o testemunho dos policiais envolvidos no caso:

“Ahhh… Difícil. (…) Aí jogaram em quem? No outro, que tá preso. (…) Ah! Informação privilegiada, mas pera aí, não vai ficar claro. (…) Não vai ficar claro que é informação privilegiada. Não é bem assim, né? (…) Aí um policial. Até você, a senhora, até vou colocar. Colocar assim, que na polícia tudo foi dito, né?”

Em outro trecho da gravação, a atuação da advogada Telma Rosa Agostinho é tema da conversa. “E ela é muito sem educação. Quem é ela para dizer o que a juíza pode falar ou não pode falar? (trecho inaudível)’, diz a promotora. O escrivão que também participava da conversa concorda e a juíza afirma que a defensora quer apenas “criar animosidade”.

A juíza ainda critica o sotaque carioca da advogada e diz que a defensora só quer ganhar dinheiro defendendo o crime organizado. “Sei lá. Tá defendendo essa gentaiada (sic) aí do (trecho inaudível). Tá correndo atrás, doutora de ganhar dinheiro atrás desse crime organizado. Sabe, doutora?”, questiona.

 

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4 Comentários
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  1. Vladimir

    30 de outubro de 2020 10:59 am

    Um lugar sem inocentes.De ambos os lados.

  2. Edivaldo Dias de Oliveira

    30 de outubro de 2020 1:49 pm

    Universidade Lavajato de Magistratura, metodologia morense.
    Moro fazendo escola, ou seria escória?

  3. Lucinei

    30 de outubro de 2020 2:50 pm

    …Gravação “involuntária”? Como?

  4. Victor Soares Fernandes

    30 de outubro de 2020 5:59 pm

    Juíz instruir promotoria virou modo operante dos poderosos que procuram o justiçamento… Depois do marreco tá valendo tudo….

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