Kamala antes de ser candidata Harris
por Débora Binatti
[Informe OPEU]
Donald Harris era apenas um estudante jamaicano que imigrou para os Estados Unidos a fim de concluir seu doutorado na Universidade da Califórnia, Berkeley, quando conheceu Shyamala Gopalan Harris, que tinha acabado de sair do seu país natal, a Índia, em busca do sonho americano e de um diploma em bioquímica. Pode-se dizer que a história da vice-presidente de Joe Biden e agora candidata à presidência pelos democratas começou assim, com um casal de universitários imigrantes se conhecendo na Califórnia, tentando ganhar a vida no estrangeiro. O que mudou até se tornar a candidata que está partindo para a ofensiva em direção a Donald Trump no que se refere à temática de imigração?
Em sua autobiografia, The Truths We Hold (Penguin Books, 2019), descreve a rede CNN, Harris menciona que seus pais “se conheceram e se apaixonaram em Berkeley enquanto ambos participavam do movimento pelos direitos civis”, mas depois o casal se divorciou, sendo a mãe de Harris a responsável por “transformar-nos [Harris e a irmã, Maya] nas mulheres que nos tornaríamos”. A criação de Shyamala Gopalan Harris ensinou as filhas a terem orgulho de sua herança cultural, tanto da Índia como da Jamaica.
Site da Penguin disponibiliza trecho da obra
Tal criação levou a pequena Kamala a trilhar um caminho acadêmico, começando pela Universidade de Howard, em Washington, D.C., onde a candidata se graduou como bacharel em Ciência Política e Economia. Depois, na Universidade Hastings, na Califórnia, foi em busca de seu diploma em Direito, o que a levou à sua carreira como promotora. Foram três décadas como promotora até ser eleita procuradora do distrito de São Francisco, em 2004 e, em 2011, subir para a Procuradoria Geral do estado da Califórnia. Apenas em 2015 conheceríamos a Kamala Harris, política e candidata, que hoje concorre à presidência dos EUA.
Harris, promotora e procuradora
A carreira de Harris como promotora é cercada de críticas por ativistas, devido ao seu caráter punitivista e pelos encarceramentos em massa. Quando procuradora-geral da Califórnia, ela passou seu mandato ignorando e subvertendo uma decisão da Suprema Corte de 2011 que exigia que o estado reduzisse sua população carcerária. A posição quase levou à condenação do estado por desacato ao tribunal. Embora em diversos momentos a candidata tente descrever sua atuação penal como “inteligente no crime” e progressista, suas ações reportam o contrário: Harris como promotora e procuradora não era reformista.
Harris, política
Em 2015, Kamala Harris foi candidata dos democratas para o Senado estadunidense, buscando a vaga anteriormente ocupada pela também democrata Barbara Boxer. Durante a campanha para o Senado, Harris foi apoiada pelo, à época, presidente Barack Obama e pelo então vice Joe Biden. Ela foi a primeira mulher negra do estado da Califórnia e a segunda, nacionalmente, a ocupar uma cadeira na Câmara alta. Durante o tempo como senadora, Kamala Harris atuou no Comitê Judiciário do Senado, assim como no Comitê Seleto de Inteligência. Em 2019, lançou sua candidatura à Casa Branca.
Em 2020, Kamala começou com uma candidatura própria à presidência. Foi apenas depois do primeiro debate com Joe Biden, que seu nome foi cotado para compor a chapa do candidato, como sua vice. Assim, em 7 de novembro de 2020, Kamala é eleita vice-presidente dos EUA, sendo a primeira mulher e a primeira mulher negra a ocupar esse cargo.
(Arquivo) Kamala Harris presta juramento na posse como vice-presidente dos EUA, em 20 jan. 2021, em Washington, D.C. (Crédito: DoD/U.S. Air Force Senior Airman Kevin Tanenbaum/Flickr)
Já no cargo de vice-presidente, a imagem de Harris se tornou apagada, o que pode ser justificado pela natureza do cargo, que é, antes de tudo, um papel de suporte ao presidente do mandato. Durante o período de Joe Biden como presidente, Harris foi a face do governo de defesa dos direitos reprodutivos. Nessa área, destaca-se sua atuação em 2022, apelando aos eleitores com promessas de priorizar e proteger os direitos reprodutivos. Nos primeiros meses do mandato, Harris ainda esteve à frente da crise na fronteira entre os EUA e o México. Sua atuação foi alvo de críticas pelo atraso de sua primeira e única visita à área. Por fim, ao longo do governo Biden, Harris também liderou a missão do governo de codificar as proteções aos direitos de voto.
Harris, candidata
Na quinta-feira, dia 22 de agosto de 2024, o Partido Democrata dos Estados Unidos oficializou a vice-presidente Kamala Harris como candidata à presidência. Ela fará uma campanha curta, sem margem para erro. Kamala, decerto, não é Biden, e as próximas semanas determinarão se a menina filha de imigrantes, promotora, depois procuradora e agora candidata ao maior cargo político dos EUA será, ou não, a primeira mulher negra a ocupar a presidência da Casa Branca.
* Débora Magalhães Binatti é graduanda em Relações Internacionais pelo Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IRID/UFRJ), bolsista de Iniciação Científica do INCT-INEU/OPEU (PIBIC/CNPq) e escritora. Contato: [email protected] Twitter: @debs_binatti. Instagram: @debs_binatti.
** Revisão e edição finais: Tatiana Teixeira. Recebido em 29 ago. de 2024. Este Informe não reflete, necessariamente, a opinião do OPEU, ou do INCT-INEU.
Paulo Dantas
1 de setembro de 2024 8:49 pm“prenderam 101 membros de gangues nos condados de Madera e Merced, em Los Banos, 8 jun” este foi o “pobrema” ?!
Então tá.