Aos EUA, Lava Jato escancara polêmicas e antecipa Lula como responsável


Moro no Wilson Center em Washington, EUA, em julho de 2016 – Foto: Reprodução
 
Jornal GGN – “A Operação Lava Jato é maior do que WaterGate?”, perguntou o âncora norte-americano do programa “60 minutes”, Anderson Cooper. “Muito, muito maior”, respondeu o procurador da força-tarefa de Curitiba, Deltan Dallagnol. Assim começa a reportagem no canal de notícias CBS News, que foi ao ar neste domingo (21).
 
Na polêmica entrevista dos procuradores e do juiz Sergio Moro ao noticiário estadonidense, o magistrado do Paraná admitiu que usou a “style-plea bargaining” dos EUA (negociação de apelo pela barganha) para conseguir que alguns réus cooperem”. “O juiz Moro e os promotores também estão dispostos a usar táticas controversas para combater o crime financeiro”, completou o jornal.
 
Para que os norte-americanos compreendessem a Operação realizada no Brasil, o noticiário comparou ao famoso caso WaterGate, escândalo político dos anos 70 nos Estados Unidos que provocou a renúncia do presidente Richard Nixon.
 
“Imagine se a investigação do Watergate levasse não só à queda do presidente Nixon, mas também a alegações contra seu sucessor, mais o presidente da Câmara, o líder do Senado, um terço do gabinete e mais de 90 membros do Congresso. Isso dá uma dimensão do que está acontecendo no Brasil agora. O mercado de ações do país mergulhou abaixo na semana passada, depois de um inquérito contra o presidente Michel Temer, pego em um grampo, aprovando compensações ilegais, uma acusação que tem potencial para impeachment”, disse o jornal.
 
Em seguida, completou com o que até hoje não foi admitido pelos grandes veículos de notícia brasileiros: Devido às consequências da Operação Lava Jato, “a última presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi alvo de impeachment”.
 
A transmissão levou aos Estados Unidos que se mais de 200 pessoas foram denunciadas por centenas de crimes e que a suposta quantidade de propina pagas atinge cerca de dois bilhões de dólares, dando grande espaço de voz aos investigadores de Curitiba, informou sobre o cenário da Lava Jato, com suas respectivas polêmicas.
 
Em tom quase heróico, o caso, noticiou a CBS, está sendo “conduzido por um pequeno grupo de jovens promotores idealistas e um juiz de cruzada”, em Curitiba, “uma cidade distante das elites dominantes de Brasília e São Paulo”. Como um dos destaques dos entrevistados foi o principal rival do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no campo do Judiciário, Deltan Dallagnol, o espaço foi aproveitado para publicizar acusações contra Lula.
 
“Os promotores dizem que o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o mentor do plano e acusaram-no de corrupção e lavagem de dinheiro”, publicou o “60 minutes”. 
 
E completou o periódico: “A Operação Lava Jato também teve um papel na queda de uma presidente em exercício, a primeira líder feminina do Brasil, Dilma Rousseff. Ela foi acusada em agosto por algumas violações técnicas das regras orçamentárias. Rouseff não foi acusada de corrupção, mas durante sete anos ela foi a presidente da empresa controlada pelo Estado no centro da investigação, e isso contribuiu para a raiva pública que levou à sua expulsão.”
 
O norte-americano Cooper também conversou com Dilma. “Você já recebeu algum suborno?”, perguntou. “Não. E esse é o problema deles [ex-oposição] quando se trata de mim: eu nunca recebi nenhum suborno, eu não sou acusada de recebimento de propinas, e eu não tenho nenhuma conta bancária no exterior”. 
 
“Mas acho que para algumas pessoas, entretanto, é difícil acreditar que, como presidente, você não saberia que algo estava acontecendo”, insistiu o jornalista. “Deixa eu te falar: eu não sabia”, completou Dilma.
 
Um dos trechos de entrevista com o próprio juiz de primeira instância da Lava Jato deixou nítido o tom de heroísmo acreditado pelos investigadores. “Como foi quando Paulo Roberto Costa [o primeiro delator] prestou depoimento em sua Corte?”. “Ah, esse foi talvez o ponto de “não retorno”. “O ponto de não retorno?”, perguntou. “Sim, era como aquele filme ‘Os Intocáveis'”, disse Sergio Moro.
 
Sentindo-se como Elliott Ness, do filme, a reportagem diz que o magistrado do Paraná “se tornou algo como um herói popular”. E acreditando neste papel fictício, a CBS publicou: “Os brasileiros tiveram de lidar com a corrupção por décadas, e quando o juiz Moro e os procuradores começaram a revelar a extensão da corrupção, as pessoas saíram às ruas para mostrar seu apoio, muitas usando camisas e máscaras do juiz Moro”.
 
Um dos procuradores, Paulo Galvão, admitiu a lógica que o juiz Sergio Moro iniciou. “Eu entendi que estávamos vivendo em circunstâncias excepcionais porque a corrupção era muito difundida, e é preciso fazer algo grande para pará-la”, introduziu Moro. “Isso nunca aconteceu no Brasil”, disse Galvão. “O procurador Paulo Galvão disse-nos que as prisões foram um ponto de viragem”, esclareceu a reportagem.
 
“Em breve, os procuradores estavam recebendo ofertas de executivos assustados e políticos dispostos a cooperar e devolver dinheiro para evitar perder tempo”, continuou a CBS News.
 
Pouco tempo depois, após questionar se a corrupção nas empresas brasileiras era “sistemática” e obter de Dallagnol a resposta que “foi a regra do jogo”, Anderson Cooper perguntou aos investigadores: “Você acredita que este foi um esquema de políticos que basicamente enxergou nesta empresa [Petrobras] um caminho para se manter no poder?”.
 
“É exatamente a maneira como nós vemos. E, de fato, podemos ver que o mesmo esquema aconteceu em outras grandes empresas estatais no Brasil”, disse Paulo Galvão, no intuito claro de antecipar o tal responsável, Lula.
 
Assista à íntegra da reportagem no programa “60 minutes” da CBS:
 
 
 
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Leia também:  "Ele se convidou", diz americano sobre a viagem de Bolsonaro a Dallas

17 comentários

  1. Quando os senhores da Lava

    Quando os senhores da Lava Jato recuam para dar explicações e buscar reconhecimento diretamente na matriz, é sinal de que a operação em terras brasileiras está no fim. Abusou de suas costas largas e encheu todas as medidas.

  2. Atenção nas expressões do

    Atenção nas expressões do senhor sentado, o primeiro à esquerda e o próximo senhor sentado ao seu lado, sugere escárnio!

  3. Os advogados do Lula deveriam

    Os advogados do Lula deveriam solicitar ao programa, a  possibilidade do contraditória no mesmo espaço.

    Tem que desmascarar esse lesa pátria.

    • Esqueceram de procurar o lula
      Esqueceram de procurar o lula pra falar por ele próprio. Dizer que alguém é algo e não conseguir provar tal, é muito grave!

    • Nao vai acontecer.
      A

      Nao vai acontecer.

      A “reportagem” de “60 Minutes” parece ser especificamente encomendada pelo Departamento de Estado:  mentirosa do comeco ao fim.

  4. Porque Marlus Arns saiu do processo do Eduardo Cunha?

    Porque a Mídia nem quer saber disso?

    Com quantas dezenas de milhoes o Próximo de Moro saiu?

    O dinheiro pago ao próximo de Moro foi fruto de propina?

    Porque Marlus , entrou nisso, sendo tão íntimo do Juiz do processo?

  5. Vou transcrever aqui apenas
    Vou transcrever aqui apenas um comentário que eu achei o mais sensato de todos no link original. É de um americano que diz ter vivido no Brasil. Vários brasileiros comentam lá mas a maioria só fala besteira, acredito que sejam todos fãs de Bolsonaro.

    Dear 60 minutes

    Attention: Anderson Cooper

    RE: Brazil

    I just returned to the US after having spent nearly 12 years in Brazil. I have a good foundation of knowledge regarding the current socio-political scenario in the country. Your short report on Brazil this last Sunday, May 21, did not do a decent job of portraying the reality of the situation. In fact, it seemed bias and partial. I do not have any political affiliation in Brazil. I do not defend Lula, but the story ran was superficial and pointed fingers when no official charges have been raised against Lula. That is a fact. I support “Operation Car Wash” in that those who are corrupt are slowly being brought to justice. However, Judge Moro appears to have a particular agenda and behind the scene political support. He has helped to protect certain politicians (such as Aecio Neves) and leaked harmful wire taps to the media against others (such as Lula). His actions are not moral nor ethical. But, your report did not consider that truth at all. Why?

    Even worse and I cannot understand why, your report made no mention to the most current political scandal – the audio tapes of interim president Michel Temer in which he is heard paying for the silence of the former Speaker of the House, Eduardo Cunha – who was removed from his post after being found guilty of corruption charges. The mere story of how those tapes were recorded deserves its own segment. The Brazilian Organization of Lawyers (OAB) is now looking to impeach Temer. Temer has held multiple meetings with the press – sometimes two or more in one day – affirming that he will not step down despite the existence of the tapes. Why no report on this???

    Also, senator Aecio Neves has been heard in tapes saying that he has to find someone to launder money that is expendable. In his own words, he is heard saying that they need someone that they can “kill” if they think about opening their mouth. Why didn’t mention this???

    Is there a political agenda at 60 minutes to only portray a small part of the story? There is such a big story to be told, but the report gave no justice to the reality.

    Anderson Cooper has a colleague in Shasta Darlington, a CNN correspondent in Rio de Janeiro, Brazil. Having watched Darlington’s reports on CNN international while in Brazil, I was unimpressed with her style of reporting and her full knowledge of the many sensitive subjects Brazil was/is juggling. Nevertheless, Cooper had a resource at his fingertips that could have helped to share information and prepare a masterful report for 60 minutes. That resource was either forgotten, dismissed or misused.

    Other topics not touched on: Rio de Janeiro’s former Governor, Sergio Cabral and his wife are in jail for corruption; widespread corruption in the 2016 Olympics; the Paramilitary that confiscate government-made popular housing and charge residents rent; the war-zone that are the Favelas (slums) of Rio de Janeiro (my wife and children had to huddle, twice, in the bathroom on Saturday to protect themselves from the stray bullets that were loosely exchanged between rival drug factions – as well as the police. The police actually invaded the apartment building to try to get a better shot at the drug traffickers. That was in Leme/Copacabana. Talk about a nightmare).

    There is so much more to report than the lousy and irresponsible blurp that I watched last night. If you need help, I am for hire. Additionally, my wife is a reporter for the government-ran news agency, Agencia Brasil/Empresa Brasil de Comunicacao. She is suffering from censorship while Temer has been in power. I am not writing this e-mail to look for a job. I am just pointing out that you now have two additional sources that can contribute to a story that is much more insightful than what I saw last night.

    I look forward to your response. I am genuinely interested in why you chose to produce what was broadcasted last night? Why was it so slanted and partial? This is not a personal attack. I also worked as a journalist for Xinhua News Agency while in Brazil. I know that journalism is a tough job. But more than anything, you must be impartial and show all sides to the story. I hope you take this message as constructive criticism and that it helps to create the urgency to prepare another report that covers the whole story.

    Best regards,

    Ryan Hemming

    • Se a “reportagem” plantada

      Se a “reportagem” plantada fosse complexada somente por parte dos entrevistados, ja tava mal.

      Mas a propria “reportagem” tem complexos visiveis.  Essa eh a razao que eu sei que ela foi plantada.

      Encomenda.

      Uma vergonha para 60 Minutes.

  6. Elliott Ness era Investigador, Sergio Moro é juiz

    Como pode haver tamanha falta de noção… um juiz se comparar a um investigador!!!

    Se contra Lula ele é “Elliott Ness”, no caso do Banestado qual era o seu papel??? 

    Moro é o juiz mais midiático de todos os tempos!

  7. Aos EUA, Lava Jato escancara polêmicas e antecipa Lula como resp

    Pobre moroloide, sua vaidade e seu Transtorno Obsssessivo Compulsivo, não lhe permitem ver o ridículo das situações a que se expõe. Será que a turma do 60 m. estão interessados na verdade ou estão participando do golpe? Será que pensam que todos somos idiotas? Que acreditarão nessas baboseiras do moroloide e sua gang?
    Como ele vai explicar seu idílio com aecio e temer? Sabemos que trabalha para USA e globobosta mas, ganha também para fazer papel ridículo? Acorda seu moro!! Acorda!! O aecio, o treme e o cunha também se acreditavam invencíveis…

  8. Não tenho provas, mas tenho

    Não tenho provas, mas tenho convicção que esse deve ser o juiz de primeira instância que mais viajou para os Estados Unidos em toda a história do judiciário brasileiro.

  9. Assistir?

    A quem podem interessar as platitudes que os entrevistados devem ter dito e continuam a dizer? E qual a credibilidade que possuem, ao acusar sem prova, sequer indício, o ex-presidente ( e se Deus, como dizem, for mesmo brasileiro) futuro presidente Lula? 

     

  10. Sinceramente, só faltou a

    Sinceramente, só faltou a kate lyra dizendo para eles,

     

    brasileiro é tão bonzinho!!!

    Destrói as proprias empresas, vendem o patrimonio, e arrasam a sua engenharia só para nos favorecer: Oh my God!!!!

  11. Patético.

    Patético e extremamente grave. Eles são apenas meia dúzia de retardados e ambiciosos, atordoados com a ascensão repentida da mediocridade às estrelas. O que é grave é imaginar que já não há mais homens nesse país.

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