
Jornal GGN – Os fracassos da atual política de drogas, em paralelo à resistência de autoridades brasileiras em rever a Lei de Drogas, revela o distanciamento do país para resolver o problema, na contramão dos atuais movimentos internacionais abertos a alternativas. Essa foi a conclusão dos especialistas José Henrique Torres, juiz de Direito, e o psiquiatra Luiz Fernando Tófoli.
Essa foi uma das conclusões do debate entre o juiz de Direito José Henrique Torres e o psiquiatra Luiz Fernando Tófoli. A conversa, mediada pelo apresentador Cazé Pecini, reuniu mais de 130 pessoas na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Dezenas de pessoas também acompanharam o evento através Estúdio Fluxo, que transmitiu o evento ao vivo pela internet.
Essa foi uma das conclusões do debate entre o juiz de Direito José Henrique Torres e o psiquiatra Luiz Fernando Tófoli. A conversa, mediada pelo apresentador Cazé Pecini, reuniu mais de 130 pessoas na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Dezenas de pessoas também acompanharam o evento através Estúdio Fluxo, que transmitiu o evento ao vivo pela internet.
“Precisamos romper com o mito do crime”, afirmou. “As pessoas foram levadas a acreditar que a criminalização de atitudes resolve os problemas. Esquecemos que o crime é uma criação da lei e é usado pelo Estado para, como arma poderosa, para exercer controle sobre determinados segmentos da população.”
Ao contrário de Torres, que defendeu o mesmo tratamento, na lei, para todos os tipos de drogas, Luís Fernando Tófoli pediu políticas públicas de saúde que levem em conta as diferenças entre substâncias, indivíduos e contextos de consumo.
“O lugar da droga nas sociedades está determinando por fatores econômicos e culturais. Há cenários de uso. Você tem, por exemplo, a cocaína inalada entre pessoas de classes sociais mais altas, e o crack, a cocaína fumada, entre uma maioria pobre”, afirmou. Para ele, essas especificidades têm de ser levadas em conta no desenho das políticas públicas. Mencionou, como exemplo, a experiência positiva de Portugal, onde a descriminalização foi acompanhada pela ampliação do acesso à saúde.
Inciativas como essa, para Tófoli, contrastam com abordagens massificadas, como já acontece com a internação compulsória e com a abstinência. “A abstinência é apenas um dos recursos para lidar com o consumo problemático. Temos de pensar em alternativas mais pragmáticas. Isso é o que chamamos de política de redução de danos”, afirmou.
O médico também criticou o encarceramento como resposta para o problema. Entre 2005 e 2012, a quantidade de pessoas presas com base na Lei de Drogas cresceu 320%. Hoje, segundo dados do Ministério da Justiça, 42% das mulheres e 24% dos homens estão presos por crimes relacionados às drogas. Há nove anos, esses índices eram, respectivamente, de 24% e 10%.
“Um dos efeitos colaterais dessa política é o reforço de facções criminosas e a deterioração das condições já problemáticas dos presídios. Sem mencionar que a destruição das pessoas do ponto de vista da saúde mental. Ao usar uma substância ilegalizada, envolta em preconceito e estigma, as pessoas demoram para buscar ajuda e o tratamento é atrasado.” Para ele, se a política de drogas fracassou na redução do consumo e da violência, foi bem sucedida no controle de populações inteiras através do medo.
Assista o debate na íntegra:
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Fábio de Oliveira Ribeiro
12 de agosto de 2014 3:31 pmDiscordo. A Lei de Drogas é
Discordo. A Lei de Drogas é um sucesso, pois tem enriquecido policiais, promotores e juizes corruptos. O tráfico de drogas também tem financiado as campanhas de políticos tucanos (muitos dos quais são viciados em cocaína).
Dois mais dois
12 de agosto de 2014 4:41 pmOi Nasif,
conforme o país, a
Oi Nasif,
conforme o país, a região, existe um nível de maturidade geral e médio. É isto que define o contorno do vai acontecer.
Enfim, acho que o tema do alcoolismo você teria que tratar.
por favor, trate destes temas: acollismo e depressão. aproveita a morte do Robin Willians.
Valeu Nassif,
Carlos Dias
12 de agosto de 2014 5:05 pmInfelizmente, somos sempre os últimos…
Acho que somente quando houver um consenso internacional sobre a descriminalização do consumo de drogas é que o Brasil vai se coçar… Tem sido assim com quase tudo (honrosas exceções). Nossa legislação e nossa opinião pública demoram a se sincronizar com a realidade dos tempos mudernos….
Free Walker
12 de agosto de 2014 6:45 pmLed e’ melhor que o Who…
O Roger cantava muito mais do que o Robert….o Page e’ melhor guitarista do que o Pete….
Epa,
acabei de fumar um e entrei no post errado…hehehe
alexis
12 de agosto de 2014 7:31 pmA “interface” com o delito
O Brasil é muito experiente em lidar com a zona pantanosa que delimita o bem e o mal, o proibido e o delituoso, o legal e o ilegal, o usuário com o traficante. Nesta “interface” é que mora a gorjeta, a comissão, o jabá e o 2º salário das policias.
Brasil tem um vasto know-how nisso, desde o jogo do bicho, há mais de 100 anos, passando pelos bingos, o dólar paralelo, os camelôs e, naturalmente, as drogas de todo tipo. E olha que nem estou falando da corrupção endêmica em outros segmentos.
O combate aos crimes é feito torturando as estatísticas, aumentando em 200 ou 300% as penas dos 5% que realmente acabam presos, mas não atacando a verdadeira origem nem o verdadeiro crime. A origem de todo é aquela interface, aquela brecha que permite a “interpretação” do policial, do delegado, do advogado e do juiz. Regras claras e transparentes acabam com isso. Num caso extremo – apenas em tese (como diz o Janot) – se as pessoas falassem apenas a verdade não precisaríamos de advogados.
No caso, ao clarear a interface poderíamos acabar com essa confusão que vivemos hoje, que pune inocentes, que explora incautos, que extorque cidadãos, que tira vantagens e que gera lucros a quem devia nos proteger disso.
Uma elevada % da população carcerária do Brasil provém do tráfico, o que parece ser uma boa prova disso. O criminoso é um menino de chinelo que vende droga a um graúdo. O graúdo é apenas um inocente consumidor, e essa “inocência” aumenta com o tamanho do seu bolso e influência política. Entre o menino e o graúdo está a interface, a interpretação dos fatos, a fonte geradora do verdadeiro crime.
jc.pompeu
13 de agosto de 2014 12:06 amRevisor posto no olho da rua… (e muito muito) REVOLTADO!
“Lei de Drogas é fracasso, segundo especialistas“
Erramos, por favor, queiram ler:
Lei de Drogas é uma droga, segundo especialistas