12 de junho de 2026

Luis Fernando Camacho, o fundamentalista que derrubou Morales

Líder de grupo opositor prometeu “levar Deus de volta ao Palacio Quemado; extremista está envolvido no escândalo Panamá Papers e se encontrou com chanceler de Bolsonaro antes das eleições

Jornal GGN – A figura do líder opositor Luis Fernando Camacho ganhou força na Bolívia desde que afirmou desconhecer o resultado das eleições presidenciais de 20 de outubro, e foi o primeiro a convocar manifestações contra a nova eleição de Evo Morales no país. Suas iniciativas ganharam força em nível nacional, ao ponto de Morales renunciar ao cargo neste final de semana.

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O jornalista Victor Farinelli traçou um perfil de Camacho para o site chileno El Desconcierto, e é possível perceber que Camacho tem muito em comum com outros políticos de extrema-direita na América Latina. Aos 40 anos, Camacho é advogado e se vangloria de seu fundamentalismo religioso – embora católico, o líder opositor tem grande proximidade com igrejas evangélicas e sempre afirmou que “faria com que Deus voltasse ao Palacio Quemado“.

Logo após o golpe que tirou Morales do poder, o opositor leu a Bíblia colocada por cima de uma bandeira boliviana, em uma espécie de cerimônia litúrgica improvisada.

“Suas declarações mostram uma tremenda sede de vingança, instigando a “anotar os nomes dos traidores do povo, pois queremos que estejam presos pela manhã, mas não por rancor de ódio, e sim por justiça”, pontua Farinelli.

“Ainda que (Camacho) diga que não tem rancor e ódio, as práticas de seus seguidores o desmentem, como se viu na ação bárbara contra a prefeita Patricia Arce, na cidade de Vinto, que foi agredida e humilhada em praça pública”.

Além de presidente do Comitê Cívico da cidade de Santa Cruz, Camacho é o dono do Grupo Empresarial Nacional Vida S.A, que detém uma série de participações em empresas do setor de saúde boliviano. Segundo Farinelli, existem registros de que algumas dessas participações estão envolvidas no escândalo Panamá Papers, que envolve evasão de divisas em paraísos fiscais centro-americanos.

Segundo Farinelli, o boliviano se parece muito com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro ao ser um católico que formou alianças com setores evangélicos fundamentalistas. Em maio, Camacho esteve no Brasil e se reuniu com o chanceler Ernesto Araújo e, segundo informações da revista Forum, foi instruído sobre como agir diante da Constituição boliviana e que teve o compromisso “governamental” do Brasil sobre a questão.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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20 Comentários
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  1. Evandro Condé

    11 de novembro de 2019 9:43 am

    “Segundo Farinelli, existem registros de que algumas dessas participações estão envolvidas no escândalo Panamá Papers, que envolve evasão de divisas em paraísos fiscais centro-americanos.”

    Já basta nossa mídia tradicional para fazer ilações e acusações em vez de apresentar fatos. Considero temeroso fazer o mesmo.

      1. Evandro Condé

        11 de novembro de 2019 1:33 pm

        Letra estupidamente pequena, apesar de ter aumentado ao limite, do pouco que vi, pouco entendi, poderia esclarecer melhor? Agradeço.

  2. Eduardo

    11 de novembro de 2019 9:50 am

    Camacho é um homem de bem. Religioso, odeia preconceito, pobre e índio.

    1. Eduardo

      11 de novembro de 2019 11:15 am

      Adoro quando recebo críticas e polegar pra baixo de bolsominions. Ou então questionamentos que me façam pensar. Às vezes, no entanto, me parece que interpretação de texto e de ironia passam longe de quem assim procede.

  3. peregrino

    11 de novembro de 2019 10:19 am

    Visão sugere que um dia os brasileiros serão obrigados a tolerar a intolerância…
    se já não estamos a autorizar que o símbolo em pessoa substitua o simbolizado

    preparem-se brasileiros: ou todos com um só pensamento ou morte

  4. Wilson

    11 de novembro de 2019 10:45 am

    Nem sei como não disseram que o Bolsonaro que derrubou o governo. Parabéns a Bolívia !

    1. Jus Ad Rem

      11 de novembro de 2019 1:14 pm

      Não foi o Bozo quem derrubou Morales não! O Bozo vai derrubar o Piñhera, isso sim.
      É só ele visitar o Chile novamente e elogiar o atual presidente e também o Pinochet, assim como ele fez há algumas semanas atrás.

      Ademais, devemos dar a Cesar o que é de Cesar: O Bozo não derrubou o Morales, mas contratou dezenas de funcionários fantasmas, se beneficiou com dinheiro desviado do Fundo Partidário com candidaturas laranjas, condecorou e homenageou milicianos assassinos, se elegeu às custas de empresas pagando milhões para disparar fakenews e ainda está por explicar a mala com 39 Kg de cocaína e o escândalo do Paraguai.
      Só isso…

  5. Carlos Olivier

    11 de novembro de 2019 11:11 am

    Regra básica: não confie em empresários. Eles não estão nem aí para os direitos dos trabalhadores. Quando vem a crise, eles simplesmente demitem e ficam com todo patrimônio.

  6. Erika

    11 de novembro de 2019 11:24 am

    Já existem analistas apontando que este golpe não foi feito pelo exército, e sim pelas milicias ultraconservadoras com fortes laços no Brasil.
    E nao dá rpa dizer que este analista, Pedro Doria, é de esquerda, porém é sério e democrata.
    https://twitter.com/pedrodoria/status/1193886137577877504

    O Brasil corre sério risco.

    1. Jus Ad Rem

      11 de novembro de 2019 12:57 pm

      O Brasil já sofreu o Golpe de 2016 e está sendo governado por golpistas. Se houver outro golpe, é bem provável que melhore.
      Nas mãos do débil mental miliciano só vai piorar.

  7. Jus Ad Rem

    11 de novembro de 2019 11:30 am

    Para mim não está bem claro o motivo da renúncia. A questão seria “uma fraude” na eleição no primeiro turno.
    Exigia-se um segundo turno. Daí, não entendi o motivo da renúncia, uma vez que o presidente eleito contava com o apoio de parte da população.
    Ha algo por trás que não estamos sabendo, ou o Morales afrouxou como um covarde?
    Por que não houve recontagem dos votos? Por que não houve uma auditoria na eleição?
    Muito estranho.

    1. Arthemisia

      11 de novembro de 2019 12:15 pm

      Houve auditoria da OEA que não acusou fraude, apenas algumas irregularidades, mas sugeriu convocação de novas eleições. Para tentar parar os protestos e em respeito à auditoria que ele concordou em fazer, Morales convocou novas eleições, mas os golpistas não aceitaram. A OEA se prestou ao papel de abrir as portas para o golpe. Morales não tem comando total do exército, como na Venezuela, e teve medo de que o povo fosse massacrado. A violência está enorme lá.

    2. João

      11 de novembro de 2019 2:23 pm

      Estão fazendo ataques terroristas. Sequestrando e torturando pessoas ligadas ao governo de Morales. Uma nova forma de golpe, de milicianos. Estão todos correndo risco de vida

  8. Jus Ad Rem

    11 de novembro de 2019 11:37 am

    Certo é que o período de governo de Morales foi a melhor época de todos os tempos da Bolívia. Nunca os indicadores da economia, saúde, educação e renda per capita foram tão bons.
    É pra lamentar o que está acontecendo naquele país.
    Assim como no Brasil, há uma força oculta que impede o desenvolvimento do país.

    1. Carlos Elisio

      11 de novembro de 2019 1:08 pm

      Todos apontam para um resultado favorável ao povo atraves das politicas implantadas pelo governo de Evo Morales. Mas tal como cá, lá a parte mais beneficiada também se acovardou, e, placidamente, vem assistindo as injurias praticadas contra quem corajosamente se opõe ao golpe.
      Prestem atenção: A direita nunca fez , e jamais fará, algo pelo povo.

      1. Jus Ad Rem

        11 de novembro de 2019 2:29 pm

        Realmente, lá como cá os pobres que ascenderam à classe média se sentiram ricos e, o medo do rico é perder seu status. Então, como todo rico pensa: nada de políticas para ajudar pobres.
        O ser humano é um bichinho muito esquisito.

  9. Carlos Elisio

    11 de novembro de 2019 11:49 am

    Bozo e séquito nao conseguem nem saber o que fazem no planalto, quanto mais exercer alguma influência em outro pais.

  10. NoTopoDoMundo

    11 de novembro de 2019 1:40 pm

    Uma vez vi um ótimo comentário aqui, vou citá-lo “Cada país tem o Talibâ que merece”.
    Aqui a base de religião, falsa moral e irracionalidade estamos tendo o nosso.
    Ver por aqui Advogado, empresários, médicos e um turba de gente que passou por uma universidade
    defender implantação de ditatura é de morte.
    Torço os Boliviano Democrátas consiga resistir.

  11. Sonia

    11 de novembro de 2019 8:57 pm

    Camacho é um Sepulcro Caiado! Usa o nome de Deus para explorar a fé alheia! Será castigado sim! Um hipócrita, desonesto, seus negócios não resistem a uma auditoria! Radical de direita, racista, não respeita a importância do povo indígena na composição da nação boliviana!

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