O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou do ato do de 1º de Maio, promovido por oito centrais sindicais, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo nesta segunda-feira.
Durante o discurso de apenas 18 minutos, Lula evidenciou a participação feminina no mercado de trabalho e ressaltou o Projeto de Lei já enviado ao Congresso Nacional para garantir igualdade salarial.
“Pela primeira vez a gente vai garantir, mas garantir de verdade, sem vírgula e sem ponto, que a mulher tem de ganhar o mesmo salário do homem se ela tiver o trabalho igual. Não é possível, depois de tantos milênios de existência da humanidade, que a gente ainda trate a mulher como fosse inferior.”
Lula, em discurso no 1º de Maio
Além de elogiar as habilidades femininas, como força e coragem, o presidente chamou atenção ainda para a série de violências sofridas todos os dias pelas mulheres, simplesmente porque são mulheres.
“Precisamos ser cada vez mais duros contra o assédio contra as mulheres. É uma vergonha a falta de respeito com as nossas companheiras mulheres no local de trabalho, no ônibus, no trem, no metrô, inclusive nas piadas. É importante que a gente veja a mulher como a nossa semelhante, com os mesmos direitos, continuou o presidente.
Histórico com as mulheres
De acordo com as pesquisas de intenção de voto, apenas o eleitorado feminino já garantiria vitória do então candidato na disputa com Jair Bolsonaro (PL).
No entanto, pesquisa da Quaest apontou que o atual presidente está perdendo popularidade com as mulheres. Entre fevereiro e abril, o índice de avaliações positivas de pesquisadas mulheres sobre o desempenho do atual chefe do Executivo caiu de 44% para 38%. Já o volume de avaliações negativas saltou de 18% para 27% no mesmo período.
De fato, o combate à desigualdade salarial entre gêneros se mostra um grande desafio para o governo. Enquanto as mulheres têm renda, em média, 20% inferior em comparação com os homens, de acordo com o levantamento da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad), um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que 49% das trabalhadoras são dispensadas do mercado depois de virarem mães.
Mais compromissos do presidente
Lula usou o palanque da festa dos trabalhadores para evidenciar uma série de feitos do Executivo nos últimos quatro meses. Uma das políticas lembradas foi o aumento do limite de isenção do Imposto de Renda, que passou de R$ 1.903,98 para R$ 2.640, junto com o compromisso de aumentar a isenção para R$ 5 mil até o fim do mandato.
O aumento real do salário mínimo acima da inflação também este na pauta do presidente. “Quando o salário minimo aumenta, quem ganha não é só o trabalhador que ganha o mínimo. Ganha o cidadão do comércio, o cidadão que vende cachorro-quente, pastel, comida, porque o trabalhador, tendo mais dinheiro, ele compra mais. O comércio vai gerar mais emprego e vai encomendar produtos da indústria. A indústria vai gerar emprego e vai começar a funcionar a roda gigante da economia”, explicou.
Em resposta ao pedido das centrais sindicais na última semana, Lula afirmou que o governo estuda ainda isentar a cobrança do imposto de renda sobre a participação de lucros distribuídas aos trabalhadores, uma vez que é comum que “o patrão que ganha milhões” não pague o IR sobre lucro e dividendos recebidos.
Geração de empregos
Além da recriaçaõ do programa Farmácia Popular e a garantia da expansão da rede de atendimento de tratamentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS), o chefe do Executivo ressaltou a política externa como estratégia para gerar postos de trabalho em todo o País.
“Vocês viram que já fui aos Estados Unidos, China, Argentina, Uruguai, vou para a Inglaterra agora. O que estamos fazendo? Convidando empresários estrangeiros para fazer investimento no Brasil. Estamos mostrando para eles os grandes projetos que vamos apresentar no terceiro PAC. Vai ser o maior projeto de obras de infraestrutura nesse País. A gente vai voltar a gerar emprego.”
Nós e eles
Lula adotou ainda um discurso apaziguador, na tentativa de minimizar a polarização presente no Brasil desde 2018. O governante defendeu que não podemos mais viver em um mundo em pessoas que usam vermelho sejam vistas como inimigas.
“A gente não pode aceitar a ideia de que é proibido dizer que é de esquerda nesse país. A gente não pode viver em um País em que a escola não é levada a sério, onde o emprego não é levado a sério pelos governantes. Onde a taxa de juros não controla a inflação, ela controla, na verdade, o desemprego nesse país porque ela é responsável pela situação que vivemos hoje”, criticou, veladamente, Lula, em referência ao Banco Central.
O presidente não vai, no entanto, tolerar que o bolsonarismo ameace as instituições democráticas. “Todas as pessoas que tentaram dar golpe serão presas, porque esse País quer democracia de verdade, quer respeito”, finalizou.
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