Lula e a bandeira do meio ambiente, por Luis Nassif

WELLINGTON LENON (BRASIL DE FATO)

Em sua entrevista à TV GGN, Lula mencionou as bandeiras humanistas de grupos de centro direita, entre elas a defesa do meio ambiente. Seria uma maneira de se mostrar progressistas, minimizando bandeiras sociais, de redução das desigualdades.

Deveria repensar sua posição.

Meio ambiente se tornou bandeira prioritária, não apenas o combate aos incêndios florestais, mas a resistência ao uso intensivo de agrotóxicos e as bandeiras em defesa dos alimentos saudáveis. O grupo com trabalho mais relevante sobre o tema se chama Movimento dos Sem Terra. Não apenas pelo fato de ter se tornado o maior produtor nacional de arroz orgânico, mas por simbolizar um modo de vida – e de produção – totalmente original e de eficiência comprovada.

Por esse modelo, os agricultores não são proprietários da terra, mas sim do usufruto da terra. Ou seja, podem transferir para filhos a exploração da sua terra, mas não pode vendê-las, para evitar que a especulação imobiliária liquide o modelo. Junto com a produção no campo, investem em estruturas de produção moderna e, agora, em operações de securitização de produção no mercado.

Esse modelo foi preconizado pelo Banco Mundial anos atrás, mas havia dificuldade dos agricultores assumirem o protagonismo, por falta de organização. Nesse período, o MST cresceu e se transformou em uma organização nacional, perfeitamente inserida na última onda do mercado de consumo, dos produtos nacionais.

No início do governo Lula, quando se apostava ainda na era do etanol, surgiram também muitas propostas inovadoras da parte do grande Ignacy Sachs, economista polonês, da primeira geração de economistas do Banco Mundial, naturalizado brasileiro e professor da Sorbonne.

Na época, participei de alguns seminários no Norte com ele. Com sua visão prospectiva, Sachs entendia que, com o avanço a comunicação e com a autonomia de combustíveis – já que cada pequena propriedade poderia ser auto-suficiente, com a produção de etanol – haveria um caminho de volta ao campo. Antes, todo jovem agricultor sonhava com a cidade, para ter acesso aos bens de consumo da modernidade. Com o avanço das comunicações, essa ansiedade poderia ser contornada com a integração deles às redes sociais, aos grupos de afinidade. Com isso, haveria plena condição de fixar o homem ao campo, criando vilas agrícolas auto-suficientes que reduzissem as pressões migratórias sobre os grandes centros.

Enfim, a bandeira do meio ambiente não tem cor política. Mas o modelo do MST e das agrovilas tem. É nesse tema que Lula deveria pedir estudos para especialistas em políticas sociais. E movimentar seus contatos internacionais para ampliar a experiência e torná-la uma vitrine para outros países.

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