12 de junho de 2026

Lula está preso e o país não pegou fogo, por Izaias Almada

Foto Ricardo Stuckert

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Lula está preso e o país não pegou fogo

por Izaias Almada

O escritor, poeta e pensador irlandês Oscar Wilde cunhou uma frase, ainda em finais do século XIX, que se encaixa de maneira magistral para definir o atual jornalismo brasileiro: “O jornalismo moderno tem uma coisa a seu favor: ao nos oferecer a opinião dos deseducados, ele nos mantém em dia com a ignorância da comunidade”. Na mosca.

Por que o brasileiro não se insurge? Não luta? Por que insiste em respeitar democraticamente um governo que se impôs por um golpe de estado?

Nessa barafunda que se tornou o Brasil atual, terra “sem lei e sem alma”, como nos velhos faroestes de Hollywood, chega a ser patético o grau de ignorância e hipocrisia com que se trata a política no país. Ou mesmo as suas leis. Que o digam Sergio Moro e agora o seu Goebells de saias. Mas não só esses dois.

Tornamo-nos, depois do golpe mequetrefe de 2016, que levou uma quadrilha de meliantes ao poder político, um país de “juristas”, todos entendidos sobre o que se pode e o que não se pode fazer a partir da Constituição de uma República Federativa, constituição essa que poucos conhecem e, por essa mesma razão, menos ainda a respeitam.

Juízes, promotores, procuradores, advogados, muitos deles formados na padaria da esquina, mandam cada um no seu pedaço, usando daquela falsa e erudita linguagem com que gostam de dar a conhecer a sua arrogância, mas que também serve – mesmo que ridiculamente – para encobrir a sua incompetência.

E sempre, claro, todos eles agora amparados na luta contra a corrupção. Falta-lhes, em muitos casos, a presença de um bom espelho em casa ou, sobretudo, no local de trabalho, pois corrupção para essa gente só existe a alheia. A dos amigos ou a própria não conta ou, como diz o Torquemada dos Pinhais, não vem ao caso.

Mentalidade subdesenvolvida tão comum entre boa parte da nossa classe média, grupo social bem avaliado política e ideologicamente pela professora Marilena Chauí. Fascistas, mesmo sem o saber.

Como somos um país democrático e minimamente civilizado, mesmo considerando a escória que acabou de ganhar alguma notoriedade nos últimos três anos (uso o termo aqui para qualificar a massa ignara e belicosa que ganhou voz nas redes sociais), fico pensando porque andamos às cegas em relação ao nosso futuro imediato como nação. Não entendemos ou não queremos entender o que se passa?

Sim, porque os golpistas, apesar de ‘michos’, continuam dando as cartas, comendo o mingau pela beirada, pois os nossos homens de bem – seja lá o que isso signifique na atual conjuntura brasileira – falam, falam, criticam, criticam, mas não têm ou não conseguem ter nenhuma iniciativa para desalojar de Brasília um governo que se impôs através de um golpe. Mequetrefe.

A votação dos deputados a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016 foi um dos espetáculos mais degradantes da política brasileira contemporânea. É sempre bom que se lembre.

Vivemos a partir dali numa democracia de fancaria, cujo governo chegou ao poder pelo golpe de estado e, pasmem, respeitamos como bons meninos tal governo. Queremos combatê-lo dentro da lei. Mas que lei?

A começar pelos nossos militares, sempre prontos a intervir quando se trata de combater a ‘ameaça comunista’, esse bicho papão que hoje em dia só cabe na cabeça da escória. Mas quando se trata de impedir a ascensão do fascismo, aí não, aí ficam todos mudos.

O que será que devem pensar os pracinhas da FEB, lá onde quer que estejam e que deram sua própria vida para combater o nazifascimo na Itália na Segunda Grande Guerra? Força Aérea, Marinha e Aeronáutica perderam milhares de homens para defender a democracia contra Hitler, Mussolini et caterva… . Em Monte Castelo e nas águas do Atlântico Sul.

E a soberania do país, onde é que fica? E o pré-sal, o Nióbio, o submarino nuclear, a Eletrobrás, a Embrear, o Aquífero Guarani… Vamos tirar as calças e entregar tudo de mãos beijadas, na bacia das almas? Temos vergonha de ser brasileiros? Nossas FFAA têm vergonha de serem brasileiras? Elas não gostam do povo brasileiro?

E os movimentos sociais, os sindicatos, os estudantes? Onde anda essa gente? Uma pequena manifestação aqui, um debate acolá, algumas reclamações ao papa, uma meia dúzia de pneus queimados, umas poucas faixas no México ou em Parias; umas vaias aos golpistas em aeroportos e vamos caminhando à espera de um milagre. À espera de Don Sebastião.

Que bom seria se tivéssemos orgulho dos oito milhões e quinhentos mil metros quadrados que habitamos, não? Solo fértil, subsolo riquíssimo em minerais, rios piscosos e água abundante. Já agora com o pré-sal, um dos melhores petróleos do mundo. População trabalhadora, apesar dos atuais 13 milhões de desempregados, mas dócil, aceitando que lhe esbulhem os direitos, fazendo voltar o Brasil aos tempos do grande estadista e “sociólogo” FHC.

Pelo andar da carruagem, tudo indica que no primeiro dia de janeiro de 2019 subirá a rampa do palácio da Alvorada um presidente eleito “democraticamente” e gerado no ventre de um governo ilegítimo, com o aval de um país que não sabe o que é lutar por sua soberania e muito menos viver em uma democracia plena e sólida.

Até quando irão deixar o ex-presidente Lula numa solitária? Onde estão aqueles que disseram que se Lula fosse preso o país ia pegar fogo? Nem médico pode receber na sua solidão.

Esse, infelizmente, é o Brasil real. Não adianta tapar o sol com a peneira. E antes que me esqueça, um aviso aos navegantes: O Senhor Ciro Gomes é mais do mesmo. De político machão o Brasil já está cheio.

 

Izaias Almada

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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21 Comentários
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  1. Flavio Louzada

    28 de abril de 2018 2:55 pm

    Um artigo “mais do mesmo”

    Caro Isaías,

        Se tudo o que o senhor tem a dizer do Ciro é que ele é só mais um machão brasileiro, “mais do mesmo”, isso nos leva a duas conclusões:

    1 – Esgotadas todas as possbilidades de rotulá-lo de neoliberal, rentista, corrupto, vendido, anti-nacionalista, covarde ou incompetente, sabendo que ninguém é perfeito, ao que parece o Ciro é a pessoa certa para o cargo de Presidente nesse momento em que o país precisa de alguém capaz de segurar o avanço destruidor da nossa economia, para começo de conversa.

    2 – Essa esquerda identitária, pós-moderna, que vê machismo em tudo, homofobia em tudo, regionalismo em tudo, arrastando o debate público para a arena do supérfluo nesse momento, vai acabar por afundar o Brasil.  

      E antes que eu me esqueça, o problema do Brasil é que tem muita gente escrevendo sobre o comportamento do povo como se isso fosse algo novo. Tem muita gente escrevendo sobre o Golpe, dezenas de livros, centenas de artigos. Tem muita gente boa de apontar os problemas e NENHUMA solução.

    E aí, qual a solução que o senhor nos dá além dos escritos e gritos de “Fascistas não passarão” e “Não vai ter golpe” ?

    1. Serjao

      28 de abril de 2018 5:39 pm

      Cirão

      Garganta profunda.

  2. Gilson AS

    28 de abril de 2018 3:14 pm

    Lula preso e a reação não
    Lula preso e a reação não veio

    Acho que não veio,ainda, por causa da reação do Lula.

    Ele está com semblante pacífico, disposto ao diálogo. Diz que acredita na justiça,mas duvido que realmente acredita. Não quer confronto, tanto que resolveu se entregar no sindicato, quando muitos pediram que resistisse.

    Os sinais do grande líder são no sentido de pacificar seus guerreiros.

    Se Lula estivesse raivoso, mostrando os dentes, partido para o confronto seus guerreiros seguiriam. Por enquanto ainda não apareceu os aloprados.

    Mas acredito que a medida que a esquerda apanha, leva chicotadas e tiros, que agora podem ser fatais, a resposta virá. Como eu não sei. Mas virá, até como uma forma de auto defesas.
    Ninguém apanha calado todo tempo, chega um momento que tem que se defender.

    1. Jossimar

      28 de abril de 2018 3:42 pm

      Lula não sairá vivo da

      Lula não sairá vivo da prisão.

      Aliás, ninguém pode afirmar se ele está vivo já que uma carcereira não deixa ninguém vê-lo.

      Será que estão aplicando algum tipo de veneno ou radiação nele?

  3. BRUNO SEGALLA FILHO

    28 de abril de 2018 3:15 pm

    A culpa das lideranças
    Acontece que os governos petistas enfraqueceram os sindicatos com sua politica de conciliação.
    Os movimentos sociais do campo perderam força com apoio massivo a agroindústria.
    E o próprio Lula faz o papel de resistência passiva.
    Na última manifestação contra o golpe na Av.Paulista, Lula sequer citou a Globo.
    Se os líderes se comportam dessa forma está claro que a massa tem dificuldade em enxergar a quem lhe faz o mal.

    1. Guilherme Souto

      2 de maio de 2018 11:25 pm

      Bruno, o Prof° Rudá Ricci, um
      Bruno, o Prof° Rudá Ricci, um petista histórico, mas afastado, lembra-nos, hoje, o grosso das pessoas que fariam a diferença, são militantes virtuais.

  4. Ivan Sorocaba

    28 de abril de 2018 4:10 pm

    Ciro é uma rolha pra tapar um
    Ciro é uma rolha pra tapar um vácuo deixado pela prisão de lula.
    Talvez a melhor rolha, mas é só.

  5. Luiz Monteiro de Barros

    28 de abril de 2018 4:36 pm

    Turbilhão

    Estamos no olho de um furacão e não vislunbranos como sair. Doar a vida, derramar o sangue……..sozinho.

    É um GOLPE cujo  enredo complexo não dá como explicitar palavras de ordem. Um pesadelo diario a leitura de blogs

  6. observador1

    28 de abril de 2018 5:19 pm

    Com a Cidadania Incinerada e a Nação na Solitária…
    Nassif, “Até quando irão deixar o ex-presidente Lula numa solitária? Onde estão aqueles que disseram que se Lula fosse preso o país ia pegar fogo?”
    Assim como não pegou fogo em 1964, quando o presidente João Goulart foi deposto e o país viveu 21 anos sob a ditadura militar, tudo indica que iremos passar mais uma geração na solitária, enquanto Nação. O motivo dos dois golpes é o mesmo, o combate ao comunismo – pouco importando que este não exista mais -, um pretexto enraizado na mentalidade popular desde os anos 50 como o grande bicho papão inimigo do crescimento econômico e progresso de todos, que o governo militar iria amparar e promover. Não promoveu nada disto, assim como o golpe de dois anos atrás em nada melhorou a vida da população, mesmo estando implantando as privatizações e cortes de direitos sociais e trabalhistas do programa tucano que havia sido derrotado nas urnas. E nada acontece, ditadura que segue, muito embora agora queiram radicalizar esta última, propondo um ex-militar malquisto na própria corporação como redenção nacional, Bolsonaro Imperador!, como leio inclusive aqui, neste blog que personifica a resistência inteligente que nos restou diante do arbítrio judicial que nos emperra e escraviza. Quando o articulista Isaias Almada indaga o que foi que aconteceu, aonde foram parar os combatentes do nazifascismo, os nacionalistas adeptos da soberania, as Forças Armadas que não gostam do povo, os estudantes, movimentos sociais e os sindicatos, nada pergunta sobre o paradeiro dos partidos políticos, pois estes, sim, desapareceram. Inclusive aquele PT formado pelos sindicalistas e sindicalizados do ABC, que por quatro vezes consecutivas derrotou os outros quase trinta partidos, sufragado justamente por quem não acredita mais nestes últimos e prefere um ex-metalúrgico semi-alfabetizado aos doutores salvacionistas por profissão, motivo pelo qual Lula continua e continuará na solitária, por ser extremamente perigoso, como demonstra o fato de continuar a ser pobre, sem palácios, latifúndios, contas em paraísos fiscais e outros atributos que o tornariam mais confiável para a elite transnacional que o mantêm preso. O tiroteio contra o acampamento de seus defensores em Curitiba, nesta madrugada, é uma avant-premier do que nos aguarda neste 2018 sem a graça de Deus: uma horda de fanáticos a soldo das elites e dos políticos perdedores mantendo sob a mira os seguidores de um “comunista” aclamado pelos capitalistas internacionais ao transformar incentivos sociais como o bolsa família em fator de crescimento do PIB; um presidente republicano que, juntamente com sua sucessora, está preso e sem direitos políticos por terem ousado melhorar a vida de 30 a 60 milhões de ex-miseráveis e remediados, além de tentar desbancar a eterna hegemonia estadunidense propondo o BRICS (Brasil, Russia, India, China e Africa do Sul) como contraponto na economia global. Caso apóie um dos defensores do impeachment de Dilma – esse Ciro néo- Collor -, será solto, mas passará à História como traidor desse mesmo movimento trabalhista que havia apoiado Juscelino Kubitschek e até o marechal Castelo Branco e seu ministro Roberto Campos por serem favoráveis ao desenvolvimento econômico e consequente geração de empregos. Aqui finalizo, retornando ao começo, à minha adolescença nos anos 60, quando os estudantes nos perguntávamos o que seria do Brasil de então e suas obras faraônicas – daquela Brasília que havia sido planejada para ter 500 mil habitantes e foi inaugurada com dois milhões de moradores de favelas então chamadas de cidades-satélites -, como a Transamazônica de Garrastazu Médici, que quebraram a economia e nos precipitaram numa dívida externa monstruosa, numa dependência do FMI que só terminou com Lula/Dilma, depois que os opositores daquele endividamento fomos presos e torturados nos DEOPS/DÓI CODIS ora redivivos sob o nome de Lava Jato-PF-STF e seus magistrados de primeira instância empenhados em exterminar os “comunistas” que puseram fim ao endividamento e insolvência externos. Com uma diferença crucial, Isaías, que consistia no fato de termos àquela época uma escola que ainda ensinava Geografia e História para a juventude não se julgar estadunidense e muito menos defender a nossa eterna dependência desse capitalismo apátrida hoje chamado neoliberalismo. Até que isso seja sanado, haverá choro e ranger de dentes de uma cidadania incinerada pelo arbitrio togado que nos infesta.

  7. Renato Lazzari

    28 de abril de 2018 5:48 pm

    Verdade, tá na hora de uma

    Verdade, tá na hora de uma greve geral.

    Agora, quanto a Ciro Gomes… ainda considero a possibilidade de votar nele. Mas precisaria saber qual é a dele. Enquanto ele se mantiver “marinando” prá lá e prá cá, fica difícil. Aproveito para postar as perguntas que me faço quando penso em Gomes:

    Se seu proceder for coerente com a magem que faz questão de passar, de alguém que resolverá tudo sozinho, tô fora. Mas se isso for apenas para vender imagem, pergunto: quem é a turma em que ele realmente busca apoio? Sim porque eu só vejo ele depreciando geral. Na visão de Ciro ninguém, exceto Ciro, parece prestar. Além disso me incomoda a atitude dele estar sempre dando “toco” nos outros, por mais que seu interlocutor seja competente em sua área. Não é possível que todo mundo seja idiota exceto Ciro, como Ciro tenta mostrar que acredita. Seria de grande ajuda se ele elogiasse alguém cujas concepções sejam de conhecimento público…. Sei lá, a turma do PSDB e que-tais já mostrou que em Economia, põe fé em Armínio Fraga, por exemplo. E Ciro? Por enquanto a única certeza que consegui ter dele é que ele esconde o jogo. É impossível chegar onde ele está sem ter jogo nenhum. Então que mostre, ué… apostar em que votarão nele só porque os outros são ruins e piores acho que é furada.

    1. Flavio Louzada

      28 de abril de 2018 11:26 pm

      O Ciro está cercado

      Estou acompanhando atentamente a campanha do Ciro, embora eu não seja filiado ao PDT. O posicionamento do Ciro no “mercado eleitoral” está sendo construído de forma refinada. O Ciro está tentando navegar por cima de qualquer divisão esquerda-direita, mortadela-coxinha,  tenta ser visto como o candidato de centro unindo esquerda e direita em favor do país. da soberania econômica e social.

      Para começo de conversa, o Ciro está com o Lula e com o PT desde 2002, quando apoiou o Lula no segundo turno contra  o Serra e desde lá nunca jogou contra o Lula apesar de passarem a perna nele em 2010 quando o Lula escolheu a Dilma e não o Ciro como seu sucessora, algo que se mostrou ser o GRANDE erro na biografia do Lula, erro cometido de forma duplicada ao reencaminhá-la para a Presidência em 2014. Nenhum estadista cometeria um erro desses, muito menos o cometeria de forma seguidamente duplicada. Mas isso é outro papo.

      O fato é que o lulismo ocupou uma importante fatia da esqueda brasileira e do centro, tomando como refém e desarmando os principais movimentos sociais que poderiam dar um rumo de desenvolvimento ao país e suporte a um governo realmente revisionista. Enfim, o lulismo rendeu os movimentos estudantil, sindicalista, camponês e racial ao redor de um “socialismo de consumo” de forma que quando o fluxo de caixa das contas governamentais começou a apresentar problemas, não houve movimentos mobilizados para segurar o PT no poder. A verdade é que o Lula só fez história porque tinha um caixa abarrotado em suas mãos pela valorização das commodities e alargamento do crédito interno à população, benesses que não voltam tão cedo.

      Resumindo, o Ciro está tentando cavar um lugar no meio esquerdista e direitista, tirando insatisfeitos de ambos os lados e os trazendo para perto de si. Por isso ele eventualmente ele mostra as inconsistências do PT/Lula, eventualmente mostra as inconsistências do PSDB e Bolsonaro. Quem estava fazendo isso era o Eduardo Campos na pré-campanha de 2014.

      Eu estou apostando que o PT vai apoiar o Ciro numa frente de esqueda com o Haddad de vice. Mas se isso acontecer será só de julho prá frente.

      Sugestão, procure pelas comunidades “Time Ciro Gomes” e “Todos com Ciro” no Face. Eles estão colocando conteúdos do Ciro a todo momento lá.

       

  8. Lâmpada de Diógenes

    28 de abril de 2018 6:05 pm

    Quem colocou o povão em coma induzido?

    Para aqueles que não se lembram: Lula só foi eleito, evitando uma quarta derrota seguida, por conta do desastroso governo do FHC. Não foi por conta da primeira “abaixada de calças”, a tal cartinha aos brasileiros (redigida, segundo dizem, pelo Pulhocci), nem pelas idéias petistas. Assim como Itamar elegeu FHC, FHC elegeu Lula.

    Dito isso, o que foi feito a partir desse golpe de sorte? Aproveitou-se o bom momento para desconstruir, de vez, o predomínio da ideologia neoliberal? Organizar a sociedade e, principalmente, as forças populares ao redor de um projeto verdadeiramente nacional? Reverter, no mínimo, a indecorosa privatização da Vale do Rio Doce? Aumentar a presença estatal no setor bancário? Conter a sanha dos oligopólios? Descartelizar a mídia? Proteger os esquecidos dos abusos do judiciário e da polícia? Não, absolutamente não, nada disso. Pelo contrário, continuou-se a agenda neoliberal, em muitos de seus aspectos. Retomou-se o ataque aos direitos dos trabalhadores, começando pela aposentadoria dos servidores públicos. O medo de falhar com o mercado, deixando de aprovar as emendas constitucionais necessárias, levou à necessidade de “molhar a mão” dos partidos e daí…

    p.p1 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px ‘Helvetica Neue’; color: #454545}

    Tenho pena do Lula pois a essa altura ele já nem sabe mais a quem dirigir o “até tú”, tamanha a quantidade de “Brutus” a lhe trair. Mas, o Lula, enquanto ser político, está colhendo o que plantou, seja por ação, seja por omissão. 

  9. AMORAIZA

    28 de abril de 2018 6:51 pm

    Por quem os sinos dobram
     

    O brasileiro é um povo ordeiro e comportado. Obedece a comandos e sabe a sua hora e vez.

    O brasileiro sabe se indignar, é só avisarem quando.

    Os bafos da sorte de Lula estão chegando às narinas cadavéricas do grande mandatário danação, que recebe todo o espaço do mundo e da midia para bradar indignado que “invadiram sua privacidade e a de sua família, que acusam-no e aos seus de “lavagem de dinheiro”, “corrupção”  e essas “indignidades”

    Pimenta dedo de moça esse arremedo de investigação, quando ele, na verdade,  merece jalapenho, malagueta e comari, entre outras pimentas , devidamente curtidas em cachaca,aplicadas naqueles olhinhos ressecados.

    Investigação com pé na porta, as 6 da matina, revirando colchões, como se faz em casa de pobre e de inimigos políticos não se cogitam ao desinterino mandatário.

    Mas, se fizessem isso, os sinos ainda dobrariam por ele, e o nosso ordeiro povo seria convocado em seu favor.

    A voz do povo é a voz de deus e deus, está de licença.

    [video:https://youtu.be/7duFO6bRv6I%5D

     

     

    1. Serjao

      28 de abril de 2018 7:43 pm

      temer, VSF

      A voz do povo náo é a voz de Deus, é a do demo, a da manada, a da inconsciência.

  10. Serjao

    28 de abril de 2018 7:13 pm

    moro e temer estão longe

    Tem vereadores aqui pertinho para sangrar

  11. Serjao

    28 de abril de 2018 7:16 pm

    O chão para os cães

    Mais a morte do que uma vida sem dignidade.

  12. jruiz

    28 de abril de 2018 8:06 pm

    Nós estamos num mato sem

    Nós estamos num mato sem cachorro..

    .. o povo brasileiro não é ordeiro, nem manso..

    .. o povo brasileiro é sem vergonha, egoísta, está nesse momento formulando uma estratégia para que toda a desgracera não lhe atinja..

    .. a meta dos caras não é salvar os mendigos, a meta é não se tornar um..

    .. e mais sem vergonha, ainda, é a esquerda brasileira..

    .. a esquerda brasileira hoje está muito mais preocupada com os cargos públicos..

    .. não é uma esquerda ideológica, é um grupo fora do poder..

    O povo, sem vergonha, egoísta, mesquinho e individualista, vai aguentar até faltar comida..

    .. aí eles partem pra cima do vizinho, invadem o mercadinho do bairro, roubam merenda da escola, enfim..

    .. e se matam.. muito..

    .. o grande pecado desses tempos foi Lula e o PT não terem usado o seu enorme poder para organizar as massas, mobilizar o povo..

    .. uma janela que se abriu, e agora fechou, uma oportunidade que não foi aproveitada.

  13. alcir

    29 de abril de 2018 11:55 am

    se essa situação fosse na Argentina

    outro dia o Mujica comentou se essa situação fosse na Argentina, o pais estaria em chamas

  14. ROBERTO FERREIRA DA COSTA

    29 de abril de 2018 1:45 pm

    Lamentos, lamentos, lamentos…

    O autor lamenta a passividade do brasileiro ante o golpe de 2016, providencialmente omitindo o que ele próprio está fazendo em contrário, que não seja escrever lamentos nostálgicos, apelando a um passado mítico de rebeldia e luta que jamais tivemos.

    É simplesmente grotesco assistir como o autor se coloca acima e muito distante do povo brasileiro, como se tivesse autoridade para dar conselhos de cima de seu pedestal marmóreo, falando à turba ignorante e inculta.

    Sai pra lá classe média prepoptente e arrogante, metido a intelectualóide… Largue a caneta e seus suspiros e tente adquirir um fuzil M-16 e cometa atentados terroristas, que aí sim poderei começar a respeitá-lo…  

  15. Pedro ABBM

    30 de abril de 2018 7:10 pm

    Porque o páis não pegou fogo
    Por que o país não está pegando fogo? Simplesmente porque o povo não pensa como vocês. Quem construiu a narrativa do golpe de estado foram os petistas e seus seguidores, o povo não comprou a patranha. Golpe? Mas como, se não estão sendo cassados mandatos, nem gente conhecida está sendo presa, nem presos estão sendo torturados nem desaparecendo? Contente o povo não está, por causa da crise, mas quem tem memória sabe que a crise começou ainda com Dilma, e foi por este motivo que ninguém saiu às ruas para defendê-la. O povo está esperando o próximo presidente, que pode até ser Lula, mas até lá não há motivos para por fogo no país. Uma surpresa que todo esquerdista tem muitas vezes em sua vida é constatar que o povo não pensa como ele, e por conseguinte, ele – ora veja! – não representa o povo. E nem pode, pois quase sempre ele não veio do povão, pois é um intelectual pequeno-burguês. Vocês ficam entoando o mantra do golpe, acreditando que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Mas não é bem isso o que acontece. Uma mentira repetida mil vezes não se torna verdade. O que acontece de fato é que o mentiroso, após repetir mil vezes, passa a acreditar na própria mentira. 

  16. observador1

    30 de abril de 2018 9:17 pm

    Por um Xadrez da Amnésia Eletrônica!
    Nassif, a técnica é sempre a mesma, partir do pressuposto que todo mundo é imbecil e fazer vista grossa à realidades fatos. No caso do último comentarista, insinuar que o povo não pensa como Lula/Dilma e estes não o representam é fazer de conta que eles não ganharam as últimas quatro eleições e derrotaram, com isso, quem apregoa que é a mídia e a elite que comandam o eleitorado – o que teria evitado o golpe que agora dizem inexistir, a compra dos votos mais explícita e indesmentível da história política universal. Assim como no caso dos comentários “nós estamos num mato sem” e “quem colocou o povão em coma induzido”, tudo indica ser oportuno um Xadrez da Amnésia em Rede, pois esse esquecimento sistemático representa uma arma de extermínio da inteligência coletiva potente e eficaz, uma vez que sem uma biblioteca, hemeroteca, arquivo remissivo ou disciplina educativa não há memória que resista à passagem do tempo – principalmente quando ainda não dispomos de seus sucedâneos eletrônicos sempre à mão e muito menos o assunto é debatido na Universidade. Trata-se de uma espécie de Alzheimer Coercitivo em que, aproveitando-se da inexistência de uma História Contemporânea ou Recente, os grupos político-econômicos dominantes disseminam sua versão sobre os acontecimentos de forma a detratar e manipular figuras públicas e ocorrências indesejáveis, como foi surgimento de Lula como antídoto político contra o receituário neoliberal peéssedebista que vinha sendo prescrito para sanear nossos males. Sua eleição não foi uma conquista batalhada e obtida pela esquerda, dentro de um processo histórico de conscientização política da inteligência nacional, mas, sim, uma válvula de escape ou fuga em massa daquele modelo implementado por FHC nos dois quadriênios anteriores. Lula governou sobre o fio da navalha, temíamos o tempo todo a reação da extrema-direita sempre onipresente e com seus torturadores e assassinos impunes garantindo, por exemplo, a intocabilidade dos corruptos que quebraram nossa economia com o malbaratamento nunca apurado do patrimônio público – todos anistiados. Por isso, ex-preso político, continuei a viver como semi-clandestino mesmo assinando matérias na grande imprensa; nunca acreditei na propalada redemocratização, principalmente por haver testemunhado a blindagem de alguns setores, como o MPF/Judiciário, durante a Constituinte. Com apenas dez ou quinze por cento dos votos necessários para governar, Lula Dilma se tornaram reféns dos partidos hegemônicos sucessores da UDN/ARENA, motivo pelo qual as críticas que se fazem aos “seus” ministros e realizações seriam dignas de pilhéria-descaso e repúdio, caso o clima político reinante então fosse de domínio público e não de alguns poucos que o vivenciaram ou leram sobre ele nas poucas obras escritas por jornalistas, todas de tiragem reduzida e dentro de um sistema educacional que marginalizou do currículo disciplinas como a História, transformando seus especialistas em párias sem serventia. Como água mole em pedra dura tanto bate até que fura, chegamos ao presente em que os movimentos de extrema direita só tem um oponente pela frente, aqueles 60 milhões de pessoas resgatadas da miséria e pobreza, mas essa massa depende do estômago para se movimentar, já que a cabeça está às voltas com as imposições do PIGlobo e de uma elite que tenta emular desde que o mundo é mundo, principalmente quando um exército de robôs invade seus meios de conexão e procura desmoralizar de todos modos possíveis quem melhorou a vida de todos. A desmoralização, do ponto de vista clínico, está inscrita no eixo V das doenças psiquiátricas arroladas por tratados como o “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders”, mas antes de mais nada significa constranger, degradar, embaraçar, envergonhar, humilhar e levar seus portadores ao isolamento, desespero e ao suicídio, que no caso político poderá significar o anulamento do voto ou seu direcionamento aos candidatos inimigos da democracia e bem-estar da Nação. Muito utilizada pelo Santo Ofício – que confinava suas vítimas antes de forçá-las à confissão terminal, à liberdade via sacrifício e morte, foi também utilizada pelo nazifascismo e hoje, sob o eufemismo de “indução coercitiva à delação premiada” explica motivo pelo qual Antônio Palocci não conseguiu resistir como José Dirceu ainda resiste e partiu para o tudo ou nada. Confesso que sempre preferi o pau-de-arara ou o trono-do-dragão – que massacram a carne mas poupam a mente que, revoltada com o sofrimento e injustiça, encontra nestes a mola propulsora da resistência e superação, mas parece que nossos Torquemadas redivivos preferem desmoralizar e deixar o suicídio como única opção de suas vítimas, tanto em sentido figurado como real. Como eles dizem, sacudindo as capas pretas, é a morte que segue….

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