Do Valor
Mantega pede que Augustin fique um ano na Secretaria do Tesouro
Luciana Otoni e Sérgio Bueno | De Brasília e Porto Alegre
23/11/2010
O secretário do Tesouro, Arno Augustin, foi convidado a permanecer no cargo ao menos durante o primeiro ano do próximo governo pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também será mantido pela presidente eleita Dilma Rousseff (PT). Com isso, Arno terá que adiar pelo mesmo período o retorno ao Rio Grande do Sul para assumir a Secretaria da Fazenda do Estado.
Na Receita Federal, as mudanças tendem a ser aceleradas, com a definição de um novo comando ainda neste ano. Quatro nomes estão em análise no Ministério da Fazenda e na equipe de transição de Dilma para substituir Otacílio Cartaxo.
DeacDe acordo com informações de fontes ligadas à Receita Federal, a Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda propõe o nome de Valdir Simão, presidente do INSS. O PT teria sugerido o subsecretário de Fiscalização, Marcos Vinícius Neder. Ainda de acordo com essas informações, o vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), indicou para o cargo o superintendente da 8ª região fiscal, localizada em São Paulo, José Guilherme. O quarto da lista é Luiz Barreto, servidor da Receita ligado ao ex-secretário Jorge Rachid que vem sendo considerado por membros da equipe de transição.
Tanto na Fazenda quanto na equipe de transição, a avaliação é que a troca de comando no Fisco tem que ser certeira para que o órgão que possui cerca de 30 mil servidores e que responde por uma arrecadação que atingirá R$ 632 bilhões em 2011 não perca a credibilidade.
A saída turbulenta de Lina Vieira e a gestão de Otacílio Cartaxo, caracterizada por denúncias de quebra do sigilo fiscal de contribuintes durante a campanha eleitoral, fragilizaram a imagem de órgão técnico do Fisco e os assessores mais diretos de Dilma querem tentar blindar o órgão contra novos escândalos.
O gaúcho Arno Augustin havia sido confirmado, no início deste mês, pelo governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), como futuro secretário da Fazenda, cargo que ele também ocupou na gestão do ex-governador petista Olívio Dutra, de 1999 a 2002. Mantega, porém, entende que ele é imprescindível no início do governo Dilma para manter a sintonia do Tesouro com a política macroeconômica.
Procurado pelo Valor, Genro disse que o convite representa um prestígio ao Rio Grande do Sul e à escolha feita por ele. Também afirmou que não vê problema em retardar a posse do secretário em seu governo. Até lá, a secretaria deverá ser comandada pelo economista e servidor de carreira do Tribunal de Contas do Estado, Odir Tonollier, que foi adjunto de Augustin no governo Olívio e é tido como nome certo para retornar ao mesmo cargo na futura gestão.
Mantido no Tesouro durante o próximo ano, Augustin também poderá ser um aliado de Genro no encaminhamento de questões importantes para o governo estadual. O petista já anunciou, por exemplo, que pretende buscar um financiamento de US$ 450 milhões no Banco Mundial para investir em obras rodoviárias, mas a operação depende do aval da Secretaria do Tesouro.
Além disso, o Tesouro é a responsável pela administração das dívidas dos Estados com a União. Em recente entrevista ao Valor, o governador eleito disse que uma das formas para aliviar o peso do endividamento sobre os governos estaduais seria a transferência de parte dos débitos para o fim dos contratos como forma de abrir espaço para captação de recursos para investimentos. Outra seria o aumento dos repasses diretos da União para projetos nos Estados.
Deixe um comentário