4 de junho de 2026

Marina Silva, o Estado laico e o Estado ateu

Como na semana passada esse termo “estado ateu” surgiu em posts aqui no site, talvez seja bom discutir mais sobre isso.

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Marina Silva, o Estado laico e o Estado ateu

Marina Silva, o Estado laico e o Estado ateu

 

Marina Silva falou esses dias, e não é a primeira vez, que há uma diferença entre o Estado laico e o Estado ateu. Segundo ela, um estado laico assegura o direito pela fé ou não.

Embora Marina nunca tenha explicado com clareza o que seria exatamente um Estado ateu, aparentemente, segundo sua lógica, significaria ter o ateísmo como “religião” oficial.

Seria mais ou menos o equivalente a um Estado católico, como o Vaticano, ou um Estado muçulmano, como a Arábia Saudita.

Pode até parecer que tem lógica, até porquê Marina usa esse tom de professora de primário mesmo para se dirigir a adultos. Mas não tem.

O erro básico é que o ateísmo não é uma religião. Aliás, “ateísmo” não existe. Existem ateus.

Ser ateu é não ter religião e não acreditar em figuras sobrenaturais e/ou divinas. Mas ateus não louvam a ausência de um deus. Não têm cultos em que falam sobre o quanto não há deus, e o quanto a salvação depende de você negar um deus.

Ateus apenas não acreditam.

Não tem livro de regras. Apenas não acreditam, assim, em casa, deitados com o laptop no colo, escrevendo um texto.

Desta forma, um Estado ateu e um Estado laico são exatamente a mesma coisa: significa que somos governados por regras mundanas e não baseadas em religiões.

Não tem lógica dizer que alguém seria privado da sua fé pessoal. Para os ateus, não há dogmas a se seguir. Apenas o Estado não pode ser baseado em fé. O Estado é ateu (ou laico), mas isso não se estende às pessoas que servem ao Estado – elas, bem, elas são problema delas mesmas.

A questão que fica é porquê Marina criou essa diferença.

Uma leitura mais generosa diria que, ao fazer essa diferenciação, Marina pensa sob a única lógica que lhe parece fazer sentido – a religiosa. Pensa em ateísmo como uma religião impositória, aos moldes da sua.

Uma mais freudiana poderia presumir que Marina, num “ato falho”, se coloca numa posição tão grande, se eleita, que seria ela o próprio Estado – e, deus me livre, o estado não pode ser ateu.

Uma um pouco mais cínica, poderia dizer que é um discurso calculado para confundir os eleitores e diminuir o, digamos, fator negativo que a sua religião poderia causar.

O que quer que seja, não vai mudar um fato: Marina, se acaso subir a rampa do Palácio do Planalto, poderá fazer sua rezinha sem problema nenhum. Mesmo se for presidenta deste estado ateu.

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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