4 de junho de 2026

Maysa, ícone da vida boêmia

Por Tamára Baranov – Rio Claro/SP

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Maysa (Maysa Figueira Monjardim)
(São Paulo, 6 de junho de 1936 – Niterói, 22 de janeiro de 1977)

Era sábado e Maysa resolveu almoçar com os pais. Levou consigo o seu passarinho de estimação e pediu que os pais cuidassem dele por uns dias. Depois do almoço, sentada ao lado do pai deu-lhe um beijo dizendo ‘Monja eu te amo’, repetiu o beijo e a frase para Inah, sua mãe. Os pais notaram o ar cansado de Maysa que passava noites em claro, resultado dos remédios para emagrecer. A insônia era a sua cruel companheira nos últimos tempos. Maysa trocara o efeito da bebida pelas vertigens e delírios dos medicamentos inibidores de apetite e dos eliminadores de líquidos. Monja recomendou à filha que não enfrentasse a estrada para Maricá naquele estado e que o melhor seria passar a noite ali. Maysa não deu ouvidos aos conselhos, e dirigiu sua Brasília passando pela ponte que liga o Rio a Niterói. E foi assim que às 17h50 do dia 22 de janeiro de 1977, Maysa tentou desviar de outro veículo e foi atingida por uma rajada de vento forte que a fez perder o controle do automóvel chocando-se contra a mureta e morrendo antes da chegada do resgate. Terminava ali uma vida marcada por amores, conflitos e crises transformados em letras de canções. Morria Maysa, ícone da vida boêmia, musa e poetisa. 

No dia 16 de novembro de 1975 a TV Cultura exibiu ‘Maysa, Estudos’ produzido por Antonio Abujamra e Dorival Dellias. O programa que lembra o ‘Ensaio’, também da Cultura, revela a personalidade inconstante de Maysa que tenta manter-se fria, a pedido do diretor. As respostas de Maysa servem para introduzir as canções de Vinicius de Moraes, Tom Jobim, e composições dela própria, inicialmente acompanhada por dos maiores gênios da música brasileira, o então jovem saxofonista Paulo Moura.

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‘Maysa’ é o segundo álbum de estúdio de Maysa, lançado em 1957 marca um importante acontecimento pessoal em sua vida, ela estaria optando pela sua carreira e não pelo seu casamento. Em 1957, começaram os desentendimentos entre Maysa e André Matarazzo, pois Maysa estava certa de que queria se tornar uma cantora profissional, porém André não concordava dizendo que o nome dos Matarazzo seria manchado. No mesmo ano, Maysa aceitou uma proposta para apresentar um programa semanal de televisão no canal Record. A estreia do programa foi ao ar no dia 13 de março de 1957, dia 13 porque foi uma exigência feita por Maysa por considerar seu número de sorte.  André perdeu o controle da situação e deu um ultimato a esposa, ou ela optava pelo casamento ou pelos microfones e a resposta veio em forma da canção ‘Ouça’ de sua autoria, o maior sucesso do disco.

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