Memórias: Walter Benjamin Morreu Há 74 anos
A filosofia da história de Walter Benjamin
Walter Benjamin (Berlim, 15 de Julho de 1892 – Portbou, 27 de Setembro de 1940) foi um filósofo, ensaísta e crítico literário alemão, associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica. Na véspera do aniversário dos 70 anos da sua morte, e em jeito de homenagem, publicamos este ensaio de Michael Löwy.
26 de Setembro, 2010 – 13:06h

A filosofia da história de Walter Benjamin
Michael Löwy *
Estamos habituados a classificar as diferentes filosofias da história em consonância com seu caráter progressista ou conservador, revolucionário ou nostálgico em relação ao passado. Walter Benjamin escapa a tais classificações.
Trata-se de um crítico revolucionário da filosofia do progresso, um adversário marxista do “progressismo”, um nostálgico do passado que sonha com o futuro.
A recepção de Benjamin, sobretudo na França, interessou-se prioritariamente pela vertente estética de sua obra, com certa propensão a considerá-lo, sobretudo, historiador da cultura ou crítico literário. Ora, sem negligenciar esse aspecto, se faz necessário evidenciar o alcance muito mais vasto de seu pensamento, o qual visa nada menos que uma nova compreensão da história humana. Os escritos sobre arte ou literatura só podem ser compreendidos em relação a essa visão de conjunto a iluminá-los de seu interior.
A filosofia da história de Walter Benjamin bebe em três fontes diferentes: o romantismo alemão, o messianismo judeu e o marxismo. Não é uma combinatória ou “síntese” dessas três perspectivas (aparentemente) incompatíveis, mas a invenção, a partir delas, de uma nova concepção, profundamente original.
A expressão “filosofia da história” pode induzir a erro. Não há, em Benjamin, um sistema filosófico: toda sua reflexão toma a forma do ensaio ou fragmento — quando não se trata da citação pura e simples, com passagens retiradas de contexto e colocadas a serviço de sua própria dinâmica. Qualquer tentativa de sistematização é, portanto, problemática e incerta. As breves notas a seguir são apenas algumas pistas de pesquisa.
Ensaio completo disponível em versão pfd, aqui.
O Esquerda.net tem também publicado um conto, acompanhado de uma pequena biografia de Walter Benjamin, disponíveis aqui.
http://www.esquerda.net/artigo/filosofia-da-hist%C3%B3ria-de-walter-benjamin
* Michael Löwy (São Paulo, 6 de Maio de 1938) é um pensador marxista brasileiro radicado em França, onde trabalha como director de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique. É um relevante estudioso do marxismo e teórico da Quarta Internacional, com pesquisas sobre as obras de Karl Marx, Leon Trotsky, Rosa Luxemburgo, Georg Lukács, Lucien Goldmann e Walter Benjamin.

Memórias: Walter Benjamin morreu há 74 anos
No dia 27 de setembro de 1940, morreu Walter Benedix Schönflies Benjamin: um dos mais importantes pensadores modernos – aquele que filosofava contra a filosofia. Benjamim foi testemunha viva duma época em pleno caos. Por António José André.
28 de Setembro, 2014 – 15:45h
Benjamin era originário duma família judaica alemã. Na adolescência, participou no Movimento da Juventude Livre Alemã, de tendência socialista. Nessa época nota-se a influência de Nietzsche nas suas leituras.
Em 1915, tornou-se amigo de Gershom Scholem, especialista mundial da mística judaica e da cabala. Após estudar filosofia na Universidade Freiburg im Breisgau, doutorou-se na Universidade Bern, em 1919, com uma tese sobre o romantismo alemão.
Benjamim foi grande viajante, colecionador de brinquedos, amante do jogo e apreciador de haxixe. Admirador de Kafka e de Klee, percorreu a Europa entre as duas guerras mundiais sem parar de escrever.
No final da década 1920, interessou-se pelo marxismo e juntamente com Theodor Adorno aproxima-se da filosofia de Georg Lukács. Nos anos seguintes publica resenhas e traduções, entre elas sobre Charles Baudelaire.
Benjamim foi grande viajante, colecionador de brinquedos, amante do jogo e apreciador de haxixe. Admirador de Kafka e de Klee, percorreu a Europa entre as duas guerras mundiais sem parar de escrever.
Apesar das suas diversas amizades – Bertold Brecht, Ernst Bloch ou Hannah Arendt – Benjamin mal conheceu a felicidade. Exilado e pobre, drogado e mal-amado, tentou suicidar-se várias vezes.
Com a ascensão do nazismo e abalado por dificuldades materiais, Benjamin exilou-se em Paris, em 1935. Com a invasão da França pelos alemães, em 1940, juntou-se a um grupo de refugiados que tentou fugir pelos Pirenéus.
Foi preso pelos guardas espanhóis da fronteira. Aquele que a sua mãe chamava de “senhor Desastrado”, não teve forças para suportar mais esta prova. Rejeitando ser entregue à Gestapo, Benjamin suicidou-se com uma overdose de morfina.
A vida de Benjamin constituiu uma série de mal-entendidos. Seriam necessários vários anos após a sua morte para que fosse reconhecido o génio e a modernidade da obra deste homem de múltiplos talentos.
http://www.esquerda.net/artigo/memorias-walter-benjamin-morreu-ha-74-anos/34271
NELSON FIGUEIREDO DE ANDRADE FILHO
1 de outubro de 2014 1:11 amElogio para a publicação do vídeo sobre WB.
Providencial, a publicação deste vídeo que nos faz lembrar da insubistituível contribuição do pensamento, das ideias, de Walter Benjamin para entender a modernidade, essa gaiola de ferro, e o capitalismo. Sem dúvida, para mim, o maxista dialético refinado entre os titãs membros da Escola de Frankfurt. Parabéns ao Nassif e ao GGN pela publicação.
altamiro souza
1 de outubro de 2014 5:00 pmbenjamin talvez seja um dos
benjamin talvez seja um dos nomes
mais importantes hoje em dia para
antender a política brasileira.
esse vídeo com maria rita e o michael
é. no mínimo, brilhante.
sintetiza o pensamento dele.
principakmente a ideia de
que devemos aprofundar nosso entendimento
sobre a história
para que possamos tansformar o presente e o futuro.
isto é, precisamos saber as teansformações
bem sucedidas do governo trabalhista
nestes últimos doze anos
para que possamos tasnsformar ainda mais o brasil.
Jair Fonseca
1 de outubro de 2014 9:12 pmComo se sabe, Water Benjamin
Como se sabe, Water Benjamin morreu ao tentar fugir dos nazistas na fronteira entre França e Espanha, que estava fechada. Para não cair nas mãos dos inimigos, suicidou-se. No dia seguinte, abriram a fronteira. Seu corpo nunca foi encontrado e em Portbou, nesse lugar lindo, onde morreu, fizeram este monumento.
[video:http://www.youtube.com/watch?v=iJKFGpkN934%5D