21 de maio de 2026

Mesmo com sirene, Vale projetou ao menos 100 mortes em Brumadinho

Documento obtido pelo MP-MG mostra que Vale projetou mortes, custos e motivos para rompimento de barragem na mina Córrego do Feijão, ainda em outubro de 2018
Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

Jornal GGN – Desde outubro de 2018, a Vale sabia quantas pessoas poderiam morrer caso a barragem da mineradora em Brumadinho (MG) viesse a se romper – o que, de fato, ocorreu em 25 de janeiro de 2019. Segundo números levantados pelo Ministério Público de Minas Gerais, se a sirene de alarme tivesse funcionado, ainda assim era esperada a morte de pelo menos 100 pessoas na região.

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A sirene, contudo, não funcionou porque foi rapidamente engolida pela lama. Até o momento, são 165 mortos e outros 155 desaparecidos.

A Vale também estimou que os custos de eventual rompimento de uma barragem da mina do Córrego do Feijão chegariam a 1,5 bilhão de dólares (5,6 bilhões de reais).

Entre as causas do rompimento estão erosão interna ou liquefação. “Inspeções já tinham encontrado indícios de erosão na ombreira (lateral da barragem) e indícios de alagamento”, informou a Folha de S. Paulo desta quarta (13).

O relatório da Vale colocava 10 barragens em alerta: Laranjeiras (em Barão de Cocais), Menezes 2 e 4-A (em Brumadinho), Capitão do Mato, Dique B e Taquaras (Nova Lima) e Forquilha 1, Forquilha 2, Forquilha 3 (Ouro Preto), acrescentou a Folha.

A Vale afirma que o documento era um estudo hipotético e sua defesa insiste que a barragem em Brumadinho vinha sendo acompanhada.

O Ministério Público do Estado usa o relatório para exigir que a Vale toma as medidas necessárias para evitar novos crimes ambientais nas demais barragens listadas.

“Na zona de autossalvamento, não há tempo suficiente para uma intervenção das autoridades competentes em situações de emergência, de forma que as pessoas tem que se salvar sozinhas em caso de tragédia, sendo que os avisos de alerta são da responsabilidade do empreendedor”, afirma o órgão.

A ação civil pública do MP corre em sigilo. A Agência Brasil afirma que, no processo, a Promotoria alega que a Vale “tinha ciência de que, dentre 57 barragens de sua responsabilidade avaliadas, 10 estavam em zona de atenção.”

Redação

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2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    13 de fevereiro de 2019 11:13 am

    A Vale afirma que o documento era um estudo hipotético. E daí?

    “Uma hipótese, suposição ou especulação é uma formulação provisória, com intenções de ser posteriormente demonstrada ou verificada, constituindo uma suposição admissível.

    Hypothesis: an idea or explanation for something that is based on known facts but has not yet been proved.

  2. Marcelo Nascimento

    13 de fevereiro de 2019 1:50 pm

    Ou seja,
    Havia uma precificacao da vida humana.
    E preferiram apostar e tomar o risco como se fosse um risco contabil.
    Isso em muitos lugares se chama homicidio culposo.

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