10 de junho de 2026

Mídia transforma guerra Israel-Irã em “final de campeonato”, diz Cilene Victor

Foto: Cilene Victor em entrevista ao jornalista Luis Nassif

Em entrevista à TV GGN, a jornalista e líder do HumanizaCom/Universidade Metodista de São Paulo, Cilene Victor, analisou a cobertura da imprensa brasileira e ocidental sobre Israel e Irã. Para ela, a forma como os jornais abordam o tema transforma a guerra em uma “final de campeonato de futebol”.

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A chamada mídia corporativa no Brasil apresenta as notícias sobre os ataques e os contextos da guerra com um tom de objetividade e neutralidade que, segundo Cilene, “cai por terra” dependendo do comentarista ou entrevistado convidado para explicar quem é o Irã e quem é Israel.

Cilene esteve no Irã por duas vezes e traz o ponto de vista de quem vivenciou de perto como a mídia iraniana cobre fatos que, no Ocidente, são apresentados de forma completamente diferente.

A lente da mídia

Cilene argumenta que a forma como os fatos são apresentados é fator determinante para influenciar a opinião pública sobre os conflitos armados. Nesse contexto, quando a mídia coloca os dois lados apresentando seus argumentos e destacando “quem é o país X e quem é o país Y”, acaba criando um clima de “final de campeonato de futebol”. Ou seja, oferece ao público “motivos para torcer” para um lado ou para o outro e ignora que, na cobertura de uma guerra, a imprensa também desempenha papel fundamental: a batalha de informações também faz parte da guerra. Quando se ignora o fato de se tratar de um conflito armado entre dois países e se passa a destacar apenas o que representa cada um e seus discursos, o jornalismo deixa de cumprir sua função de informar com equilíbrio.

A jornalista exemplifica com dois casos. O primeiro: no Ocidente, as informações oficiais do governo de Israel são noticiadas como “afirma Israel”. Já ao divulgar o posicionamento oficial do Irã, os jornais costumam fazer ressalvas, dizendo que o país é uma teocracia, que é fechado, e que por isso os dados podem não ser 100% confiáveis.

Outro exemplo da lente da mídia são as matérias com pautas paralelas à guerra. Cilene questiona: “O que leva um jornal do Brasil a publicar uma matéria sobre uma mulher iraniana que deixou o país por causa da opressão do Irã às mulheres?” Para ela, uma matéria com esse viés, no meio de um conflito armado envolvendo o país em questão, reforça um discurso contrário ao regime iraniano e cria a impressão de que esse posicionamento seria uma das motivações para a guerra — ou mais um motivo para o público “torcer” para o outro lado.

Cilene também critica a forma desigual como são apresentadas as informações de ambos os países. Ela aponta que os jornais brasileiros e ocidentais geralmente divulgam informações do governo israelense como “segundo o governo de Israel”, enquanto no caso do Irã os alertas são destacados: que se trata de uma teocracia, de um governo fechado, e que as informações não seriam totalmente confiáveis por virem de um país do Oriente Médio.

Como solução, Cilene defende que a imprensa deveria se posicionar com clareza e afirmar que as informações de ambos os lados são difíceis de checar e apurar, principalmente em um contexto de guerra, em que a informação também cumpre um papel estratégico.

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Icaro Brum

Repórter no Jornal GGN, produtor e apresentador do Programa “Em Movimento” na TV GGN.

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5 Comentários
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  1. ANGELO FRIZZO

    20 de junho de 2025 11:55 pm

    Como TODOS sabemos, a imprensa brasileira está Totalmente SUBMISSA ÀS ORDENS do império sionista, que trata o Povo Brasileiro (e o da AMÉRICA LATINA também)como IDIOTAS.A indignidade e submissão de jornalistas (que são ultra bem PAGOS)da chamada “grande” imprensa, causa VERGONHA a quem sabe se informar e sabe o que está acontecendo NA VERDADE.O GENOCÍDIO,MUITO MAIOR que o tal HOLOCAUSTO DOS JUDEUS na 2a.guerra, e, o BOMBARDEIO americano(é claro)ao IRÃ SEM MOTIVO REAL. O”FATURAMENTO”DA indústria bélica americano sionista é quem estabelece esses GENOCÍDIOS contra Países indefesos e seus Povos Inocentes. Pelo menos temos a imprensa alternativa(como essa) em que JORNALISTAS DIGNOS DEFENDEM A VERDADE, lembrando os que foram MORTOS, TORTURADOS E/OU EXPULSOS DO BRASIL NO GOLPE DE 64.

  2. ANGELO FRIZZO

    21 de junho de 2025 12:05 am

    COMO SABEMOS(até os idiotizados), quem manda mesmo é Nethaniau e o Trump TEM QUE OBEDECER. Sionismo controla a INFORMAÇÃO, O DINHEIRO (bancos), e até a ind.BÉLICA-como mandam os “PROTOCOLOS”. Por isso, não se pode esperar nada de bom nos próximos tempos naquela REGIÃO. Claro que o MUNDO VAI FAZER SUA JUSTIÇA diretamente, SEM ARMAS, por muitos séculos, contra o Povo Judeu bíblico, tradicional, NÃO SIONISTA, como Eu e milhões de outros POR MUITOS SÉCULOS VINDOUROS.

  3. ANGELO FRIZZO

    21 de junho de 2025 12:07 am

    PORQUE NÃO PUBLICAM MEUS COMENTÁRIOS? Censurados? Paguei mensalidade já a tempos.

    1. Paulo Dantas

      21 de junho de 2025 11:05 am

      Discordo com a devida vênia.

      A GloboNews tem um correspondente em Israel mandado informações.

      Alguém poderia fazer o mesmo do Irã ?

      A nossa visão do Brasil, não temos um inimigo que quer nosso fim, não cabe em um conflito destes.

      Lamento a posicão do governo anti-Israel, poderia o Brasil ser o país a negociar uma saída diplomatica.

      Não tem muitos países que podem fazer isto.

      1. Paulo Dantas

        22 de junho de 2025 11:30 am

        E os EUA entormam o caldo …

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