Milhares de estudantes vão às ruas contra os cortes na Educação

Em diversos estados brasileiros, estudantes universitários e professores foram às ruas, nesta quarta-feira (8), para protestar contra de recursos das universidades e institutos federais e bolsas da pesquisa

Protestos nesta quarta-feira foram realizados em cinco estados. Em Niterói, alunos e professores participam de ato 'Eu defendo a UFF' | Foto: Reprodução/Marcelo Ramos

da União Municipal dos Estudantes Secundaristas – UMES

Milhares de estudantes vão às ruas contra os cortes na Educação

Em pelo menos cinco estados estudantes universitários e professores foram às ruas, nesta quarta-feira (8), para protestar contra os cortes de Bolsonaro e seu ministro Abraham Weintraub dos recursos das universidades e institutos federais e bolsas da pesquisa.

Em São Paulo, cinco mil estudantes e professores ocuparam a avenida Paulista, na Marcha pela Ciência de São Paulo, apoiada pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES).

Em Niterói (RJ) e Curitiba, ao menos 10 mil estudantes estiveram nas ruas. Protestos também aconteceram em Campos de Goytacazes (RJ), Natal (RN) e Passos (MG).

Além de cortar 30% das verbas destinadas às universidades e institutos federais, podendo causar o fechamento de algumas unidades, Bolsonaro anunciou, nesta quarta, o congelamento da verba de todas as bolsas inativas da CAPES, instituição de fomento à pesquisa.

Em São Paulo, mais de cinco mil pessoas participaram do ato na Paulista | Foto: Thaynan Diniz/UMES

A medida foi anunciada aos manifestantes de São Paulo por Mariana Moura, do grupo Cientistas Engajados. “O corte vai afetar todos os que estavam esperando os resultados dos processo seletivos e vai diminuir a quantidade de pesquisadores na ativa, já que é muito difícil fazer pesquisa sem bolsa”, disse.

“O ato é para denunciar os cortes na educação básica, superior e na Ciência, além de defender o nosso papel para o desenvolvimento tecnológico e científico no Brasil”, disse um dos organizadores da marcha, Pedro Ticiani, estudante de astronomia da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Centro Acadêmico Paulo Marques dos Santos (CAPMS), que representa os estudantes do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG).

Concentração da Marcha da Ciência de São Paulo | Foto: Pedro Bianco/HP

A diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE) Keully Leal, que representou a entidade na avenida Paulista, afirmou que “eles [Bolsonaro e Weintraub] não nos representam, não vão nos calar. No dia 15 vamos tomar as ruas e parar as universidades e escolas. Vamos interromper esses cortes todos”.

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No dia 15, os professores, estudantes e funcionários da educação vão realizar uma greve geral da categoria para barrar os cortes de Bolsonaro.

O presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES), Lucas Chen, avalia que os cortes significam “o fim do ensino superior público federal”. “Estamos aqui para defender o futuro, a ciência, o desenvolvimento” e em defesa da “ciência, educação, trabalho e vida digna para o povo”, disse.

O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas, também esteve no ato de São Paulo e afirmou que “não precisa ser cientista para reconhecer a importância da ciência para o desenvolvimento do país”.

Para João Chaves, docente da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e representante do Fórum das Seis, entidade que reúne as entidades representativas da USP, UNESP e UNICAMP, “é muito bom estar aqui e ver a juventude brasileira se levantando contra os cortes na Educação, nas Universidades. Isso é muito importante”.

Rio em defesa da UFF
No Rio, mais de 10 mil pessoas participaram do ato em defesa da UFF | Foto: Divulgação/UNE

Mais de 10 mil pessoas foram às ruas em Niterói em defesa da Universidade Federal Fluminense (UFF). O ato “Eu defendo a UFF” reuniu ainda alunos de outras universidades e estudantes do ensino médio. A universidade fluminense teve o orçamento bloqueado em 30%.

“O corte na UFF afeta a cidade como um todo. Atinge todos os estudantes que pretendem estudar em uma universidade pública, que faz muita pesquisa. A UFF tem diversos projetos de extensão e pós-graduação. A gente está aqui porque depende da universidade pública, onde se pode ter o livre debate, onde as diversas ideias podem circular”, conta André Borba, aluno de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura da UFF, que participou do ato.

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“Participo de monitoria na UFF, sou bolsista. É um dinheiro que não é muita coisa, mas me ajuda a me manter na universidade. O corte é um absurdo. Não vai só me prejudicar, mas também a milhares de outros alunos. A gente tá na rua reivindicando o direito que é nosso”, disse Gabriel Rivas, aluno de História da UFF.

Curitiba
Estudantes e professores se concentraram em frente à reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) | Foto: Franklin Freitas

Na capital paranaense, o protesto intitulado “Eu tô na luta pela educação”, começou por volta das 18 horas na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os estudantes chamam a atenção para o risco de descontinuidade de pesquisas e, inclusive de interrupção das aulas. A UFPR já anunciou que o corte de R$ 48 milhões compromete o funcionamento da instituição a partir do segundo semestre.

Os estudantes lembram que as universidades públicas são responsáveis por 95% das pesquisas científicas no Brasil.

Os atos são preparativos para uma paralisação geral, marcada para quarta-feira da semana que vem, dia 15. Mobilizações estão sendo organizadas por todo o país.

Veja mais imagens desta quarta-feira:

Protesto em frente ao prédio histórico da UFPR | Foto: Hedeson Alves/Gazeta do Povo
Estudantes e servidores do IFRN e UFRN protestam contra cortes no orçamento das instituições — Foto: Rafael Barbosa/G1

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5 comentários

  1. Considero justa a luta dos estudantes, mas como se tornou um problema acadêmico as dissertações de mestrado e as teses de doutorado pouco tem a ver com a realidade e não são úteis aos trabalhadores que as pagam. As bolsas de mestrado e doutorado são distribuídas para alguns escolhidos e se tornam um emprego indireto. A palavra cientista está banalizada e nem todos nessa luta fazem por merecer este nome. Acredito que a classe média que agora chora, bateu panelas e votou em bolsonaro. creio que um revisão neste processo também é necessária.

  2. Vou concordar com o Roberto. Temos de aguentar, periodicamente pelos grupos, teses que, por mais sentido acadêmico que tenham, soam como desperdício- avaliação apenas pelos títulos, não garanto minha capacidade avaliativa, até impossível em teses de doutorado de matemática, por exemplo.

  3. “Eu tô na luta pela educação”,,,,a manifestação
    durou quase até dez horas pelas ruas da cidade conhecida
    nacionalmente pela sua frieza em termos de
    participação social…..
    mas como diziam os artistas quando lançavam
    uma peça na cidade, se fizer sucesso em curitiba,
    será sucesso nacional com certeza….
    podes crer, galera, juntar dez mil pessoas numa
    manifetaçãp dessas em curitiba, nÃO É MOLE, NÃO, SÓ
    PODE SER CONSIDERADO UM SUCESSO…

  4. Não concordo com alguns comentários aqui. A função da Universidade Federal é fornecer conhecimento, educar e formar nosso povo, em todas as áreas do conhecimento humano. Nesse sentido ela está sendo útil sim. Já a pós graduação GERA conhecimento HUMANO. Necessariamente se da em todas as áreas do conhecimento, e precisa ser assim. Abrir mão disso é voltar 300 anos na História humana. Bolsas distribuídas para escolhidos? Lógico, tem que escolher alguém, selecionar com algum critério, que é o que NORMALMENTE se faz. Quem defende esses cortes defende a extinção da Universidade, tem que estar muito claro isso.

  5. Em Elogio ao Ócio, Bertrand Russell escreveu:

    “Hoje em dia as universidades são supostamente responsáveis por produzir, de forma mais sistemática, o que a classe ociosa produzia por acidente e sub-produto. Mas as universidades têm vários problemas. Da sua torre de marfim, não estão cientes das preocupações e problemas do homem comum”.

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