O número de mortos confirmados após as tempestades que atingiram a Zona da Mata, em Minas Gerais, subiu para 36 nesta quarta-feira (25). Durante a madrugada, equipes do Corpo de Bombeiros localizaram mais cinco corpos sob os escombros, elevando o balanço anterior que contabilizava 31 vítimas. Até o momento, as autoridades registram 30 óbitos em Juiz de Fora e seis em Ubá, além de 33 pessoas que permanecem desaparecidas.
As cidades vivem um cenário de destruição após acumulados históricos de chuva entre segunda (23) e terça-feira (24). Em Juiz de Fora, o volume chegou a 584 milímetros, o que tornou este fevereiro o mês mais chuvoso da história do município. O índice representa quase quatro vezes a média esperada para o período.
Perfil das vítimas e resgates
De acordo com a Polícia Civil, a maioria das mortes foi causada por soterramentos. Em Juiz de Fora, entre os 20 óbitos já detalhados, figuram desde crianças de 2 e 5 anos até idosos com 69 anos. A corporação trabalha na identificação e necropsia de corpos encontrados nos bairros Paineiras, Esplanada e Vila Ideal.
Em Ubá, as seis mortes confirmadas oficialmente incluem idosos e adultos. Um sétimo óbito, provocado por eletrocussão, ainda aguarda registro oficial pela Defesa Civil para integrar o balanço do estado. As prefeituras de ambos os municípios decretaram estado de calamidade pública diante do rastro de desabamentos, deslizamentos e vias obstruídas.
Vulnerabilidade em áreas de risco
A tragédia em Juiz de Fora reforça alertas de órgãos de monitoramento. Segundo levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o município é a 9ª cidade brasileira com o maior número de habitantes em áreas de risco. Atualmente, cerca de 128,9 mil pessoas — o equivalente a 23,7% da população local — vivem em pontos vulneráveis a deslizamentos e enchentes.
Somente em Juiz de Fora, foram registradas quase 800 ocorrências, a maioria relacionada a escorregamentos de talude. O fornecimento de energia elétrica também foi afetado, deixando cerca de mil pessoas no escuro.
Assistência e luto oficial
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que acompanha a situação e anunciou que decretará luto oficial de três dias no estado.
Enquanto os bombeiros mantêm as buscas por desaparecidos, frentes de assistência social organizam o atendimento aos mais de 3.500 desabrigados. Em Ubá, a Secretaria de Desenvolvimento Social instalou um ponto de acolhimento no antigo Fórum Cultural para centralizar a distribuição de alimentos e materiais de higiene pessoal.
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