Não há sinais de recuperação para a indústria automobilística, por Luis Nassif

Essa dissintonia entre declarações e realidade explica o paradoxo refletido em muitas reportagens, segundo as quais, apesar da suposta recuperação em V do setor, ele continua reclamando ações do governo.

A economia é muito propensa ao autoengano. A necessidade de gerar notícias positivas, muitas vezes, acaba distorcendo a realidade. É o caso dos resultados da indústria automobilística, que foram apresentados, em alguns veículos, como recuperação em V.

Se se analisar apenas o mês de dezembro, nota-se um aumento da produção em relação a 6 e 12 meses atrás. O mesmo acontecendo em relação às exportações.

Mas quando se usa a média do acumulado de 12 meses, o quadro muda de figura. A produção de veículos é 12,44% inferior ao acumulado até junho – apesar da paralisação total no início da pandemia. E 34,47% abaixo do acumulado de 12 meses atrás.

As linhas de tendência não apontam nenhum sinal consistente de recuperação. De abril para cá, a produção acumulada de 12 meses caiu de 2,5 milhão para 1,5 milhão.

 As três curvas de tendência – a variação em 3, 6 e 12 meses – mostram uma recuperação relativa. Confira a linha vermelha (de tendência de 3 meses). Deve ser acompanhada na coluna da esquerda – das variações percentuais;

Aparentemente passou a reverter a queda registrada. Mas mesmo com a alta, de outubro para cá, percentualmente ainda está abaixo de zero. Ou seja, continua em queda.

Já as exportações, na curva de 3 meses, mostram crescimento um pouco acima de zero, mas depois de quedas acentuadas.

Usando dezembro de 2018 como base 100, todos os indicadores estão sensivelmente abaixo.

Com o boom do agronegócios, a produção de caminhões poderia ter sido beneficiada.

De fato, aumentou o licenciamento interno em relação a dezembro de 2018, embora abaixo de dezembro de 2019. No entanto, a produção ficou 24,79% abaixo no período. O licenciamento nacional cresceu devido à redução no licenciamento de importados.

Essa dissintonia entre declarações e realidade explica o paradoxo refletido em muitas reportagens, segundo as quais, apesar da suposta recuperação em V do setor, ele continua reclamando ações do governo.

Some-se à queda de vendas os problemas encontrados nos insumos, e se terá um desenho nada otimista do setor para 2021.

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9 comentários

  1. Essa comparação não é válida. Se quisermos fazer alguma comparação que tenha algum efeito e que se possa aferir crescimento ou não,devemos nos atentar a antes do golpe e pós golpe e,aí,caros colegas,a porca torce o rabo de vez.
    Vamos fazer uma pequena comparação com o anos de 2014,que segundo a mídia golpista o Brasil estava quebrado,último ano do primeiro mandato da presidenta Dilma do PT.
    Pois bem,nesse ano de “quebradeira” o país licenciou exatos 3.333.397veículos entre automóveis de passeio e comerciais leves contra 1.615.942 veículos produzidos no crescimento em V, o que representa,em termos percentuais,48,5%.
    Assim,o diagnóstico que deve ser feito precisa,necessariamente incluir os malefício golpistas. Não podemos nos deixar pautar por essa gente e discutir sempre seus pífios números. É preciso sempre comparar o antes e depois do golpe.

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  2. Eugênio Gudin habita entre Nós. Assim como Filinto Muller. Nunca tivemos Projetos de Longa Duração? São 90 anos de sucesso do Estado Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista sua Indústria da Miséria e do Atraso numa farsante ‘Industrialização Tardia’, cujo maior preceito é que Indústrias são para a Bélgica. Imaginem se não fosse Industrialização Tardia?!! Entregamos Nossa Industrialização, o Controle Mundial para Nações-Párias que se afundavam em desespero, fome, atraso, totalitarismo, miséria, destruídas em Estados Moribundos aniquilados na derrota bélica. Entregamos o mais Promissor e Trilionário Setor Industrial da História da Humanidade para italianos, alemães, ingleses, franceses, norteamericanos,… Isto tudo durante e logo após o Apocalipse Europeu. Existem filas de espera pelas “Carroças a Preços Estratosféricos” que Nos vendem. Oligopólio e Monopólio que sustentam atraso, desindustrialização, preços extorsivos, SubEmpregos há quase 1 século. MultiNacionais Estrangeiros pedirão mais Isenções Tributárias e Financiamentos ‘de pai pra filho’ de BNDES, para manterem este Mercado e este Atraso? O Setor está em crise? Pobre pais rico. Não Nos faltam nem as penas. Enquanto isto Ciro, Itamar, FHC aniquilam Gurgel e seus Automóveis Brasileiros de 4 mil Dólares. Eugênio Gudin que habita entre Nós. Mas de muito fácil explicação.

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    • Por favor, alguem dê uma Cibalena para este indivíduo para parar de tanta sapituca! Depois de ler algo interessantissímo do Vlademir anterior a este, me distrai e li “Estado Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista”! Opa, que overdose foi esta? Há o tal inominável segundo Lovercraft!

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      • Eu esperava que ele fosse mudar o discurso.
        De “90 anos de Estado Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista” para “91 anos de Estado Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista”.
        Vã ilusão.
        Tomara que o São Paulo volte a embalar no Brasileirão, e quem sabe ele esquece do Jornal GGN.

  3. Os governos militares na ditadura, não quiseram facilitar para a criação de uma real indústria automobilística brasileira e por suas gestões favoritaram as americanas Ford e Chevrolet e as europeias VolgsWagen e Fiat. Agora o governo militar-civil-miliciano-liberal observa uma das grandes, fugir do governante antissistema que desestabiliza e destrói sistemas e economias.

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  4. A única recuperação em V garantida é a do aumento do número de casos e mortes diárias pela covid-19. E o vértice está no fim da segunda semana de novembro. Parabéns, Guedes! Parabéns, Bolsonaro!, por essa estrondosa conquista funérea, que só pode ser comemorada com o V da vitória!

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