“Não somos contra desenvolvimento, mas esse modelo fracassou”, diz líder indígena

Em entrevista exclusiva à Diálogos do Sul durante a COP 25, José Gregório Díaz fala sobre o assassinato dos povos originários e a importância do Papa Francisco

“Estamos muito sentidos pelos assassinatos dos irmãos Guajajara. Não estão respeitando a situação dos povos indígenas”. | Foto: Reprodução/Facebook

do Diálogos do Sul

“Não somos contra desenvolvimento, mas esse modelo fracassou”, diz líder indígena

por Vanessa Martina da Silva

“Não somos contra o desenvolvimento. Para nós, está claro que esse modelo econômico fracassou porque está contaminando muito o planeta”. A declaração, feita pelo líder indígena venezuelano, José Gregório Díaz Mirabal, coordenador-geral da Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônia (COICA) impacta. Presente na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 25), ele denuncia a falta de comprometimento das empresas e governos de países ricos com uma mudança efetiva no âmbito ambiental.

A COP 25 foi realizada em Madri, Espanha, entre 2 e 15 de dezembro. Nesta segunda-feira (16) jornais brasileiros destacaram a falta de avanço quanto à implementação de medidas efetivas contra o aquecimento global, de forma a frear as mudanças climáticas em curso em todo o mundo.

Díaz critica o modelo da COP: “aqui se assinaram contratos e convênios nesses dias, mas queremos que eles ultrapassem uma assinatura ou declaração”. Ele também denuncia que reuniões importantes na cúpula são feitas a portas fechadas sem a participação de movimentos e lideranças populares.

“Está sendo feita muita destruição no território, mas infelizmente este modelo ainda conta com o apoio das empresas e dos grandes bancos do mundo, que ainda insistem nesse tipo neste modelo de desenvolvimento e neste modelo de desenvolvimento extrativo, de mineração que causa muitos danos aos territórios indígenas”, diz a liderança.

Mas a participação da COICA na conferência não foi só de crítica. Díaz ressalta que a organização levou casos concretos e bem-sucedidos, como a Rede ndígena Amazônica, chamada Ría Uno, que está na reserva Amarakaeri da selva peruana, onde a população conseguiu frear a questão da mineração ilegal, o desmatamento e a poluição do território, o que foi feito pelos povos indígenas e comunidades dessa área.

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A morte de líderes indígenas foi um dos temas no cento do debate: “estamos muito sentidos pelos assassinatos dos irmãos Guajajara. Não estão respeitando a situação dos povos indígenas” e destaca que a perseguição,o processo de queimadas e o desmatamento no país se dão para estender a fronteira agrícola até a floresta amazônica. Os criadores de gado e empresários “acreditam que na selva não existe nada e não têm que pedir permissão para ninguém”.

Sobre Greta Thunberg, a jovem ativista que tem tomado os holofotes da imprensa mundial no debate sobre mudanças climáticas, Díaz é categórico ao dizer que ela gerou um importante movimento em todo o mundo “mas ela luta há um ano — e que bom que ela mobilizou a fibra das emoções da humanidade, sobretudo nas crianças e jovens, o que valorizamos —, mas, por outro lado, nós já temos mais de 50 anos lutando pelos direitos da natureza e da vida e, muitas vezes, isso não é notícia”.

Assista a entrevista completa (ative a legenda em português):

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